quarta-feira, setembro 07, 2016

o texto de Vanessa Santiago.

(O asqueroso Gregório Duvivier defende os assassinos e leva na cara esta resposta)

Eu prefiro acordar nesse dia 6 — um dia depois do aniversário do meu pai e da publicação de um certo artigo — e pensar como Gregório Duvivier. Pra ele, Santiago Andrade não existe, não morreu. Aqueles dois mascarados, ele diz, em geral, têm 12 anos, espinhas e mochila cheia de roupa preta e remédios pra acne.
Mas, olha, Gregório, pelo menos concordamos em um ponto. Você diz que existem muitas razões pra ter medo. Mas não as mesmas razões. É verdade, te juro. Você está aí, com seu programa bacana, aparecendo na TV e na web, tá aí ganhando sua graninha, até mostrou sua casa bacana para uma revista outro dia. Eu tô aqui, batalhando na vida também, com alguns sonhos interrompidos, carregando o sobrenome Andrade na identidade e no peito. Eu tô aqui, Gregório, lembrando bem do sangue de Santiago Andrade nas mãos, sentindo as feridas com meus dedos e revivendo um rosto tão alegre, deformado por um rojão. Uma bomba atirada pelos black blocs, esses aí que você defende em um texto lindo e com português impecável. Esses que você diz não ter medo.
Da próxima vez, só lembra de ouvir os dois lados, princípio básico do jornalista, aliás, da vida. Sai desse ar-condicionado e vem aqui que eu te conto quem é Santiago Andrade. Garanto te dar uma aula sobre as verdadeiras vítimas desse seu discurso infeliz e desrespeitoso. Tenha um bom dia, senhor Gregório Duvivier.
E aos dois BLACK BLOCS assassinos de meu pai, a justiça ainda irá prevalecer.

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