segunda-feira, junho 27, 2016

CANÇÃO DO MILITANTE DESGASTADO

Sofro pelo que sou, pelo que fui
sofro pelo que não mais posso ser
preso nestas encostas mentais
caminho reto sendo a sorte que flui.

E Caminhar entre sangue e dores sussurradas
é olhar de frente para as chagas culturais e rir
não tenho como voltar, dói mais a retirada,
perdi o direito sublime de ir e vir.
Não posso mais, minha humanidade ouvir.
Só me resta pisar na mais doce poesia
rever meus princípios,  sim,
mas para permanecer no lodo e nele me afundar,
meu sopro é cruel e a morte é o meu devir.

Não posso agora me curvar,
nem pensar em perdas e ganhos,
sou um processo louco e assassino
nesta lama durmo, sonho e nada estranho.


Meus pares são sempre corretos,
meus inimigos errados,
não me importa se percebo
que o oposto deixou há muito de ser uma possibilidade.
Não posso mais minha humanidade ouvir.

Não, não sou cego, não sou cego, não enlouqueci
apenas não tenho como retornar
me enterrei nesta verdade absoluta
e temo sem isto, ter que me olhar.

Não posso mais minha humanidade ouvir.

Ronaldo Braga

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