sábado, novembro 15, 2014

UMA PEDRA CANSADA AINDA É BELA





Sei saio por ai e vejo o pano jogado e aquela manhã velha que lembra resto de pão ou leite.
Sinal de que comer ali foi um dia uma verdade
Mas se não saio, olho para o chão e me descubro na formiga cansada ou na fruta apodrecida que dorme no chão um sonho sem som
olhar é bom e não é, quando não olho coisa sempre me vejo por dentro e quando olho coisa busco me esquecer mas não consigo, pois eu estou sempre aparecendo em cada movimento ou matéria na minha frente, sempre sou um eu visto de outra maneira ou apenas de repente me vejo sem ver aquilo que eu via e de novo é para dentro de  mim mesmo que olho
Meu nome é gritado e é preciso ser gritado varias vezes e em tonalidades diferentes, pois distraído com o mundo eu nem sempre ouço chamados, mas prefiro ver e tocar os chamados mudos e apenas existentes, como o sol que infiltra sua luz nas coisas e nem pede passagem, ou naquela folha ou madeira que desleixada  se deixa ficar e ri um sorriso sem riso e nem boca, pra que se quer boca, a felicidade é um estado, um ficar assim, ali quieto e sem nada esperar, eu desenho em mim este ser ali, ficando e  o tempo nada me diz.
Tem dias que eu revejo a chuva e ai eu sei que de nada adianta a compra, nem a permissão, se não for a compra e a permissão de mim mesmo e é nestes dias que me lembro que preciso me comprar e me permitir, mas por me esquecer nem sei se já me comprei e se já me permitir, é que o danado de mim ainda teima em ser livre e então eu preciso como um louco fechar os olhos e desesperadamente calmo cavar fundo em minha mente em busca de que em algum canto eu esteja sorrindo silenciosamente.

www.ronaldobragas.blogspot.com

R.B.Santana

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