quinta-feira, julho 17, 2014

sonhos empurrados



sonhos empurrados, tempos medonhos



Houve um dia em que sonhar o futuro era crescimento e alimento, uma nervosa felicidade se acoplava no corpo que em transe dançava a vitoria em ritmos mareados, houve um dia para quase tudo nesse mundo de minha existência, houve o dia da tristeza e o da felicidade , da perda e da conquista, houve o dia do silêncio e da gritaria. Hoje é o dia da mentira que só vem e  não vai.  A felicidade rapidamente vai, sua permanência eu vou esperar deitado, pois agora agora o que vale é o acertado em decreto.
Mas os dias de sonhos apareceram como miragens e as caras eram amenidades disfarçadas e meu sono se agitava em transe comprada, eu sabia que futuros se vendem, mas também sabia que não se entregam e somente ali naquele sonho revirado e visto de fora, eu sonhava o sonho e o sabia mentira, nem mesmo pesadelo ali eu encontrava. Era um sonho besta e vermelho desses que a gente se  nem se vira e nem cai da cama, mas tem a sensação de uma surra tomada e sabe que vai carregar o corpo cansado por todo aquele dia nefasto.
Hoje eu sonhei o meu mais doce sonho e sei do sal que por entre frestas e lascas se infiltra e amarga o doce sabor da dor. Já não espero a espera longa das cores e sei do verde seco esquecido e perdido nos sentidos molhados dos espertos conselhos que se chamam de populares e sei que tudo lá longe é apenas miragem e que me vendem goela abaixo como minha ida ao paraíso.
Sei que a educação se tornou obsoleta, o que importa é a palavra dada ao lado da mentira, da caneta e da arrogância, e  sei que de nada serve o conhecimento, pois uma boiada sempre satisfeita e de cabeça baixa segue o líder rumo ao precipício.
O meu sonho como um pasto cresce em tamanho e encolhe em postura e já simula pesadelo e até mesmo uma ameaça de acordar.
Afinal que importa se todos devem? 
Que importa se agora eu compro menos? 
Que importa se tudo é fantasia e propaganda? 
Eu feliz acordo em um mundo inabitado de sentidos que antes me impõe uma perspectiva de felicidade e me pune quando eu trago a critica.
Sim já houve tempos de criticas, agora é o tempo de gritar vivas e vivas, a critica deve de fininho se retirar e só se deve usa-la quando nós falamos dos inimigos.
Mas quem é o inimigo?
Então de forma desonesta um vermelho ordena -
- O inimigo será aquele que nos criticar e então terá toda a corda esticada até o pescoço.
Como assim?
Então eu não posso criticar o meu time?
O vermelho continua suas ordens -
- Não, pois ele é o time dos pobres, e os pobres coitadinhos sofrem muito, pelo menos merece um time  - vencedor e que só receba elogios
Ali na mosca eu percebi, então devemos manter baixa a alta estima dos pobres, pois ela serve para muitos e devemos também maquiar os números, todos os números, mas não somente os números, pois o líder da torcida gosta de multidões e fica todo molhado quando seu nome ecoa nas bocas ainda sem dentes e os famintos de cabeças abaixadas saúdam o aumento de tudo até mesmo do superavit.
De tanto criticar critico a mim mesmo, pois sem a critica somente lideres de torcidas criminalmente organizadas vivem e mais que vivem, NECESSITAM.
E por toda a vermelhidão o pasto grita :
Eu amo esse " Ome".
E por toda savana bichos se escondem pois eis que sorrateiramente e sorridente vem um "ome" feliz.
E o vermelho já morto ainda ordena -
- Quem critica é contra o povo.





R.B. Santana

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