sábado, abril 19, 2014

um cão na lua cinza

Cores embrutecidas cinzam teu rosto contraído
meu olhar aponta uma noite qualquer em teu horizonte
e nada susta o medo da chuva  nos beijos que nunca existiram.

Sim, ainda canto o meu  silencio distraído
ainda espero o sol nas noites perdidas
e não quero lembrar os risos que partiram.

Um cão caminha entre ruas
e meu som abafa minha lua
pois rua, cão, lua, é apenas um gesto
e eu ainda te vejo nua.

Flores silvestres ainda nascem nos campos
e mulheres ainda esperam a dor perfeita
e meu olhar aponta uma lua qualquer em teu horizonte.


R. B. Santana


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