sábado, abril 19, 2014

nem noite e nem dia



Um calmo deserto cresce em mim
e me percorro nas noites sem fim de uma tênue espera
sorrir é engolir passados e morder futuros inertes
já não posso caminhar em teus fantasmas
apenas decifrar ausências em teu rosto sem nome.

Em qualquer direção é vasta a minha dor
e os nadas ainda persistem
e nem a noite e nem o dia
nem mesmo a espera
nem a tormenta calma do amanhecer
disfarçam o gigantismo
que assola o meu ser.

Talvez resista a triste calma dos derrotados
como premio, como pele.
Mas toda noite fermenta a luz
na minha carne,
então sustento o medo,
 nos braços do teu surto.

E como brasa,
como fogo, o deserto frio
caminha em teu rosto sem nome.

E sem retorno, sem decência 
de dentro dos teus sonhos
de dentro dos teus dias
desesperadamente tento afastar o eu fantasma.

R.B. Santana


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