terça-feira, março 18, 2014

Poeta a carniça escondida

Borbulham os medos
 nos cantos e
recantos das palavras ocas.

Entortam sentidos e enganam partidos
os ocos  pretensos mudos
poetas não mais socam as podridões agora assumidas,
poetas como moscas sobrevoam  e voam e voam
é a carniça erguida que imponente apenas espera

É fácil aos poetas ladinos
puxarem noites e grandes cobertas
e se esconderem nos males dos outros

É fácil aos poetas ladinos
olharem paisagens desertas
e furarem olhos
e sorrirem os risos amarelos

Poetas sobrevoam e voam e voam zunindo a doce caveira
poetas são nadas que nas prateleiras ainda encontram troco.

E a carniça imponente  espia
 poetas sobrevoam e voam em carniça desleixada.
Carniça e poeta uma aposta desumana,
enquanto o poeta ri
a carniça triste e sem saída
 o abraço do poeta aceita.


R.B. Santana


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