sábado, março 29, 2014

ainda tenho um amor que não sabe sorrir



Meus fantasmas mergulham do teu sono
e namoram as lembranças das chuvas rápidas incrustadas em minhas partidas
suas roupas tumultuam meus cheiros
e sabem dos rastros lunáticos que fogem de teus lábios.
Antes sorríamos dores por entre estações escondidas
E éramos serenos e doces.
E hoje nem sei se sou aquele que permanece nos lamacentos murmúrios.
Apenas espero rever tua língua voando por entre ratazanas alegres.

Por eternidades esperei teu corpo em minhas fugas, esperei,
e as alegrias destruíram todas as sementes.
Já não existe terra fértil, somente os espelhos quebravam
calmarias em falsas meiguices e meus lugares queimam tua pele e eu perco tuas cores.
Sim, não existe terra fértil.
Mate meu riso nas fontes, nas flores e me encontre nascido de novo nos agouros e meu passado no amanhã ferido,
pois eu sei que nem sei onde pousou meu olhar amoroso e
sei dos desertos, das cobras, das noites e das luas traídas ou dos abutres
que choram lugares sombrios.
Ainda sei que vomitarei luzes apagadas em campos incendiados
e numa passagem sem idas e nem vindas, as ninfas não mais cantam distâncias e nem expulsam os amores e nem sonham paz e nem querem flores.

O silêncio rompe jardins e camas quebradas soluçam abandonos
por isso insisto, eu sei que nem sei onde pousou meu olhar amoroso.
Ainda espero sorrir as dores por entre estações escondidas.
Sim, não existe terra e a fertilidade é uma luz apagada.

R. B. Santana

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