domingo, janeiro 12, 2014

FAÇO TUDO COM AMOR

Olhei aquele rosto rosado e ainda belo e macio  e senti uma pureza que me fez arrepiar, eram peles assim que mais me agradavam, as crianças guardam no riso farto toda a maldade do mundo e eu sustento em meu coração um amor maior que a faca que carrego e que agora irei desfilar por entre suaves carnes e ossos.
O grito infantil ocupou o espaço e enquanto eu cortava a sua bela perninha uma musica invadiu a minha alma e se fez dança.
A criança já não mais suspirava e eu dancei com um braço e o sangue me encharcava de vida e amor, e o maldito gosto azedo desapareceu por completo de minha boca, pude olhar com paciência e piedade aquele corpo bem separado e ouvir a sua mãe que cansada apenas recitava palavras sem nexo:
- Meu filhinho, meu filhinho, mamãe ta, eu, filhim....
A ladainha me inspirou e eu passei o sangue da criança em seu rosto e com o meu colado ao seu cantei bem junto a ela-
- Dorme meu anjo, que a cuca vai pegar- Eu continuei -
- A criança bonita morta, quem poderá fazer mal a uma criança - Olhei bem fundo nos olhos da mãe e disse baixinho chorando
-Me perdoe eu só queria provar um pouco do sangue- Em seguida gargalhei forte, coloquei todo o corpo cortado em uma panela, temperei e liguei o fogo bem brando e voltei pro lado da mamãezinha desolada e que eu sei gostaria muito que eu a matasse.
- Mãe - Eu disse mãe com voz de criança e continuei
- Mãe me salva mãe não me deixe morrer.
Ela não mais me olhava apesar de pra mim direcionar seus olhos fixos.
Uma hora depois sentei-me educadamente e servi dois pratos, pedi com clemencia e dor que ela comesse e como nada respondeu devorei sozinho todo aquele corpo macio e delicioso, depois organizei a cena com a cabeça do menino bem em frente da mãe -
E o imitando disse bastante triste -
- Mãe não chora ele deixou a minha cabeça e meus olhos ainda te olham, mãe me beija.
Devagarinho  fechei a porta, não queria incomodar a mamãe, e eu sabia que devia respeitar o sofrimento, sei que não é fácil perder um filho tão pequenino e ainda lambendo minhas mãos
sair silenciosamente pensando em como encontrar meu futuro almoço.

R.B Santana

Nenhum comentário: