quinta-feira, janeiro 30, 2014

aluno o lixo que busca contaminar o mundo. Estudante o ser que busca caminhos de crescimento e pujança

O professor não ensina e sim permite e se permite um desvendamento, levando ao estudante noções de buscas e os vestígios nesta estrada que indicam encontros esperados ou não.
Mas o professor não tem exito nesta tarefa sempre, na maioria das vezes o fracasso é o resultado mais comum. O papel do professor é sempre o de colocar areia movediça sob os pés dos estudantes, mas ele encontra nas turmas formada poucos estudantes e mais alunos. Alunos são a maioria e esta maioria se acha gigante e superior por não ter luz, por ser assim e consagra ao estudante a pecha do negativo.
Em 2007 resolvi trilhar o caminho do interior e combater com estudantes e alunos por caminhos espinhentos, íngremes e muitas vezes odientos nas cidades baianas.
Em Santo Antonio de Jesus conheci uma turma que os alunos por ele mesmo por se sentirem deslocados abandonaram as salas e deixaram o caminho livre para estudantes e professor prosseguirem numa jornada difícil, conflituosa mas recompensadora e cheia de vida e bons resultados.
Duas turmas cada uma com vinte estudantes buscando conhecer, buscando coletividade e afirmação das individualidades. Fomos longe e hoje sete anos depois ainda sinto o vigor destas turmas e quando os encontro eles me chamam do melhor professor deles e eu simplesmente cresço e fico besta.
Em Cruz Das Almas conheci os dois lados da moeda. e a turma enfrentou alunos danados de resistentes e que tinham orgulho de serem medíocres, os estudantes tiveram de superarem aquele azedume do ignaro que acha tudo que não é raso, ruim, mas a capacidade de estudos e de realizar sonhos fez que novos caminhos secretos descobertos pudessem serem trilhados longe dos maus olhares dos ignaros sedentos de elogios e sorrisos e palavras macias.
Mas a maior dificuldade tive em duas cidades, uma no alto e outra beirando o rio, que se misturaram, uma guerra de nervos e de pompas entre seres que se admiram e se acham os maiorais, mas vivem em farpas por qualquer besteira.
Encontrei um professor de escola primaria, o grande Dom Juan das províncias e que sempre me disse que tinha as meninas na palma de sua mão.
Desde 2007 trabalhei com este individuo e o achava amigo, mas conhecia suas limitações, veio o 2012 e este professor fundamental entra na politica e se torna o lavador e lavar não é fácil, pois só se lava bem no escuro. 
E então as brincadeiras que ele fazia comigo e eu com ele passaram a lhe incomodar, mas eu de nada sabia, pois este lavador, agora com carro e  novo e caro era pompa em seu novo e bem moderno penteado, não se dignava me expor as sua dores e simplesmente resolver a situação, não, ele precisava acabar com o curso, acabar comigo, tornar difícil a minha estadia em sua cidade não por nascença, mas por trabalho e serviço prestado não a cidade, mas ao prefeito e provando que tinha as meninas na mão, tarefa fácil pra quem adora a corrupção, pois as meninas só vão perceber a roubada, se perceberem, dez  ou vinte anos na frente, ele tramou em minhas costas e sempre faltoso na aula encontrava tempo para por trás conversar e manipular as meninas que eram alunas e não estudantes, mas tinham possibilidade remota sim, mas tinha de um dia serem estudantes.
Justamente pelas faltas deste elemento danoso e medíocre o trabalho teve que ser refeito e quando ele percebeu que não ia para o processo usou de armas mais letais e apareceu de surpresa para mim e bem mais cedo e já acertado com as alunas, desencadeou um projeto de discussão da minha forma de ministrar as aulas, , ora sou professor de teatro e estava com essas meninas há mais de 5 anos, apenas uma que era recente e todas elas sabem  que sempre no termino das aulas era aberto um processo de discussão do que aconteceu e inclusive o meu método, a minha capacidade e sempre era dita por todas que a aula era  dez e então eu ouço de todas que eu só falava merda, que minha aula era ditatorial.
Bom meu processo é de conflito e aprofundamento da independência, mas elas não conseguiam andar com as próprias pernas e sempre depois de muito silencio eu tinha que apresentar a solução, mas ali naquela quarta elas eram geniais pessoas sufocadas por mim e o danoso professor fundamental e agora lavador, provava que as tinha nas mãos e fazia com elas o que achasse que devia e ele queria acabar com a turma, então depois de ouvir as alunas e não estudantes falando muita coisa mas que nenhuma visava avançar o trabalho nem o aprendizado da turma, resolvi colaborar com ele e exagerar nos conflitos fazer com que alem de tudo todos me odiassem, pois eu sabia ali estavam alunos medíocres se vingando do professor pela falta do aplauso, não merecido. Eu não facilitava e disse pra elas que eu gostaria muito que algum professor na minha mocidade me chamasse de burro e provasse como eu tinha feito com elas, pois eu iria provar ao professor com estudo e dedicação que não era burro e sim um estudante.
O que quer um professor?
O professor busca o avanço do menino, menina, mostrar o mundo e suas contradições e não mascarar a vida para agradar. 
Bom eu sou assim um professor que busca antes de mais nada colocar areia movediça  em baixo dos pés dos estudantes e que espera que os alunos se retirem e vá se refugiar em magoas e impotências.
Quer estudar tem em mim um amigo, quer passar tempo tem em  mim um indiferente ser alerta e cruel.

Ronaldo Braga

quarta-feira, janeiro 29, 2014

O ignaro

 A luta permanente do ignaro contra a luz
ressoa por escombros memoriais
ecoa em peitos descontentes
e sonha um saber  que não traduz.

Uma palavra amiga  é a sua busca
estudo, trabalho e pesquisa nem pensar
o que gosta mesmo o ignaro
é o pronto para que ele pro mundo possa recitar

Quando encontra dificuldades
o ignaro se ofende
cita discriminação e se acha superior
isso é besteira diz e assim se defende

O ignaro gosta de ler frases superficiais
odeia entendimento e acha inútil toda dificuldade
tem tédio de aprofundamento
e considera crime o que não é facilidade.

Ama o ignaro o elogio fácil
acha injusto o intelectual
acha a critica um mau gosto
e só ama o sensual

Quem de um ignaro se aproxima
tenha cuidado pois sem modéstia sua pobre vida propaga
e tudo ele a nada reduz
como um brilho que de tão bom, não tem paga.

Fuja do ignaro mais perto, corra ou se passe por louco sedento
pois além do riso farto  ele é sempre o mais  esperto
e quando se descobre fraco
cresce nele o ódio cem por cento

O ignaro então na dor da derrota
esfola e muito trabalha
o seu intento se revela
destruir quem sabe o que a ele só atrapalha.

R.B.Santana





quarta-feira, janeiro 22, 2014

voz macia na faca afiada


No susto do oco
uma palavra ecoa o nada dos bocas sujas.
Letras cansadas espalham ventos ao léu.

Sem símbolos, sem buscas
só véus.
Suportem.
Oh é nojenta a inocência dos canalhas
E planejada a ajuda que aniquila  com tudo,
e é corrosivo o infante sorriso na cara velha.

Espelhos.
 Dobro minha falta de vergonha
  insisto um grito no silencio dos  inocentes
e me recuso a ser perfeito no coral dos incompetentes.
Se sou didático aos avessos,
não permeio de delicadeza
o requerimento vazio,
antes me faço burro e me deixo perdido entre tontos e azarões.

Desordem.
Aprendi na marra e sei que tardio
nada vale um esforço 
na casa alegre por ordem.
 Cortem. 
E de que vale o riso quando os dentes já caíram ?
Não adiantar nem parar e nem ir
nem morrer ou viver
agora só  nos resta
por hora,
fingir.



 
R. B. Santana




domingo, janeiro 12, 2014

O amante da Rainha


FAÇO TUDO COM AMOR

Olhei aquele rosto rosado e ainda belo e macio  e senti uma pureza que me fez arrepiar, eram peles assim que mais me agradavam, as crianças guardam no riso farto toda a maldade do mundo e eu sustento em meu coração um amor maior que a faca que carrego e que agora irei desfilar por entre suaves carnes e ossos.
O grito infantil ocupou o espaço e enquanto eu cortava a sua bela perninha uma musica invadiu a minha alma e se fez dança.
A criança já não mais suspirava e eu dancei com um braço e o sangue me encharcava de vida e amor, e o maldito gosto azedo desapareceu por completo de minha boca, pude olhar com paciência e piedade aquele corpo bem separado e ouvir a sua mãe que cansada apenas recitava palavras sem nexo:
- Meu filhinho, meu filhinho, mamãe ta, eu, filhim....
A ladainha me inspirou e eu passei o sangue da criança em seu rosto e com o meu colado ao seu cantei bem junto a ela-
- Dorme meu anjo, que a cuca vai pegar- Eu continuei -
- A criança bonita morta, quem poderá fazer mal a uma criança - Olhei bem fundo nos olhos da mãe e disse baixinho chorando
-Me perdoe eu só queria provar um pouco do sangue- Em seguida gargalhei forte, coloquei todo o corpo cortado em uma panela, temperei e liguei o fogo bem brando e voltei pro lado da mamãezinha desolada e que eu sei gostaria muito que eu a matasse.
- Mãe - Eu disse mãe com voz de criança e continuei
- Mãe me salva mãe não me deixe morrer.
Ela não mais me olhava apesar de pra mim direcionar seus olhos fixos.
Uma hora depois sentei-me educadamente e servi dois pratos, pedi com clemencia e dor que ela comesse e como nada respondeu devorei sozinho todo aquele corpo macio e delicioso, depois organizei a cena com a cabeça do menino bem em frente da mãe -
E o imitando disse bastante triste -
- Mãe não chora ele deixou a minha cabeça e meus olhos ainda te olham, mãe me beija.
Devagarinho  fechei a porta, não queria incomodar a mamãe, e eu sabia que devia respeitar o sofrimento, sei que não é fácil perder um filho tão pequenino e ainda lambendo minhas mãos
sair silenciosamente pensando em como encontrar meu futuro almoço.

R.B Santana

W.c. Handy - St. Louis Blues (1914)


Louis Armstrong 1950 TheStrip (excerpt) Jack Teagarden + Barney Big


Leoš Janáček: Sinfonietta


quinta-feira, janeiro 09, 2014

o dentro do fora, lá fora no dentro


Aqui dentro tudo é silencio inerte,
passado turvo, disforme.

No presente oco
o passado é um não lugar revisitado
lá fora a vida saltita,
é Força, batalha,
lá fora o dentro vive
o futuro o lá fora conquistado.

O ente  um lugar recalcado
o aqui dentro sem o lá fora
  morte, morte e morte.

Lá fora o dentro ri
e as intenções se escondem,
o fora arrebenta o nada
a força integra o todo,
um presente engradecido.

 No dentro versus o lá fora
nasce o ser.
Vim a ser
numa construção do ousado.

R. B Santana

sábado, janeiro 04, 2014

a unica coisa importante é a escolha da morte, como se vai morrer, o resto é resto

A minha felicidade é a solidão, não a solidão pretendida, escolhida, mas antes a solidão do abandono, os amigos somem, os conhecidos lhe desconhecem e você circula como um anonimo entre pessoas que desviam, e você sabe que não é um desconhecido e sim um evitado.
Você sabe que todos querem uma vida de luxo ou melhor pensam ter uma vida de luxo e elas(pessoas que você conhece) não sabe o que você sabe, mas sabe que você sabe de algo perigoso, você diz o que deveria silenciar e então lhe chamam de tolo, seus amigos, aqueles que um dia riu com você, junto com copos de cervejas, uisque, ou mesmo vinho, e alguns poucos tambem com um baseado, eles estão preocupados com você e por isso se distanciam, alguns arriscam algumas palavras
- Eu até tentei explicar a ele que essas coisas não se falam. Mas aqui pra nós ele é até inteligente, mas tem uma mania de ser boca mole, fala tudo. Eu não vou me arriscar. Então nem quero me encontrar e onde ele estiver eu evito.
Outros mais autênticos em suas maldades são logo diretos e dizem de cara-
- Cara esse rapaz que já tem a barba e os cabelos brancos é um imbecil, levou o que leu ao pé da letra kkkkkk um otário.
Ai eu mesmo me pergunto mas por que eu digo que  estou feliz por ser abandonado,  bom por duas razões:
Primeiro somente os que são abandonados conhecem de verdade os que lhe cercam e segundo eu conheço uma boa parte o que acontece comigo e em minha volta, não vivo nesta ilusão perfeita de amigos fieis e pessoas que me respeitam,  eu sei que existem os que me respeitam mas eu os separo em grupos:
- Os que me respeitam por medo;
- Os que me respeitam por me respeitar, e esses eu que os evito, e aceitaria ser usado por eles mas não usa-los;
- E os que me respeitam por não poderem ainda me eliminarem.
Bom a minha felicidade vem do fato de eu estar atento aos passos em torno de minha existência, eu sei que até o lixo gera lucros e eu mesmo sendo para alguns um lixo humano sou capaz de gerar lucro ou prejuízo e portanto sou passível de controle. A minha vida ou morte é apenas um fator de dividendos para alguns aparentemente desconhecidos, mas saiba que todo e qualquer ser humano tem este terrível resultado previsto:
- O que ganho mais? Com a morte ou com a manutenção da respiração deste lixo humano?
Você precisa saber quem pode ganhar com sua vida ou com sua morte? E se você investigar terá surpresas com quem ganha com um ou com outro e muitas vezes se ganha com ambos, pois gente e barata tem demais na terra.
Mas voltando ao tema destas palavras jogadas neste espaço branco, neste buraco branco:
A minha felicidade por ser só, pois amor de mulher  ou de filhos ou de irmão é o unico amor que de nada vale, pois é uma amor obrigado por anos a fio de aprendizado, mas o odio destes sim são fortes e são validos, pare para pensar como o ódio da ex mulher é terrivel.
Mas o amor de uma mulher pode ser verdadeiro e surpreendente, mas sem filhos. com filhos ela optará com justiça por salvar a prole.
Somente as leoas amam desesperadamente tanto que depois de matar o leão é preciso matar os filhos e ai sim se ganha a femea  do leão morto.
Na vida humana isso é algo estranho, pois a vida não muda com as leis imediatamente, séculos de opressão é necessário para se criar uma nova lei, um novo pensamento.
Já com mães e irmão e família que você faz parte por nascer não é de confiança, você pode ser considerado um traidor.  Mas família que você cria, mulher e filho pode sim lhe amar de verdade mas não é o comum,  pode lhe surpreender e morrer com você, mas não confie.
Bom na verdade tudo isso pode ter uma extravagancia e um irmão dar a vida por você, não espere isso, mas se isso acontecer se mate antes.
Estou feliz por ser só no meio de tantos amigos, desde a infância, colégios, namoradas e companheiros, lutas políticas, trabalhos, tudo fica no passado, mas se você ganhar dinheiro, ai eles voltam como moscas em meio de feridas gigantes e ai você saberá que você é uma grande ferida amada por ser pus em abundância.
Quando meus amigos do passado que enricaram passam e eu os mando tomar no cu, os  outros dizem:
- Cara  é inveja ou você é grande otário?
Eu respondo
- Continuo sendo.
A minha felicidade é perder amigos e alguns pensam em conquistar amigos, bom eu só concordo se for a conquista do oeste, pois como dizia o Zeca  tenho que ser o oeste do meu coração.
E  eu não estou aqui pra ser o riso dos contentes. E no mais eu nem quero saber, Só sei que um dia eu vou morrer.
RB Santana