sexta-feira, outubro 18, 2013

DETETIVE PARTICULAR Rb Santana RESOLVO QUALQUER QUESTÃO.


DETETIVE PARTICULAR
Rb Santana
RESOLVO QUALQUER QUESTÃO.
Eu brincava com o revolver enquanto esperava a hora de comer e tomar uma cerveja, no nojento bar do Edi e suas banhas suadas. Este mês a situação estava pior, e eu acreditava ter chegado ao fim do poço. Nenhum cliente,  assim como no mês passado e no passado anterior, e as contas chegaram com um aumento de doze por cento, é, mais um mês sem um cliente, terei que fechar as portas e como um desgraçado desempregado terei sorte no quando me chamarem para  armar lâmpadas em um dia e em um outro mais romântico limpar uma fossa. E ai eu saberei que será  isso  ou então não almoçar, nem no Edi.
 Contei as moedas e as cédulas que restavam, refiz gastos,
- Vou ter que  andar mais a pé, eliminar táxis, e diminuir ônibus,  assim seguro mais um mês e  se falir, fecho com honra o negocio, sem dividas, sem rastro.
Olhei o diploma, como se olha a perdição e a salvação, conquistado com dificuldade em um curso à distancia de detetive particular, e ao seu lado, em uma bela armação, a licença federal para o funcionamento daquele estabelecimento, fazia aquele lugar transpirar legalidade e profissionalismo: RESOLVO QUALQUER QUESTÃO Diz ousadamente com letras garrafais logo abaixo de onde se ler: DETETIVE PARTICULAR Rb Santana.
 Mais uma vez olhei a hora no celular. 11: 45. Mais quinze minutos fecho e estarei diante daquela cara fedorenta do maldito Edi e seus palpites sobre as mulheres e os presidentes e sua gordurenta gosmenta e barata comida. Suspirei e desabafei:
 - A vida ainda seria pior sem os EDIS.
Guardei o revolver, já velho, mas ainda em perfeito funcionamento, no coldre, recentemente comprado na casa de couro do seu Aloísio,  comecei a fechar gavetas e arrumar papéis numa ação totalmente insensata, pois os papéis nada representavam, eu não tive ainda nenhum caso, nenhum cliente, nenhuma pasta além das histórias de DETETIVES de muitos autores, espalhadas pela mesa e eu arrumava numa posição aleatória. Ali só passa tempo e disfarce. Arrumei uma mesa cheia de imaginados serviços, apalpei minha arma, sempre fazia isso quando me preparava  para ganhar as ruas, e então batem à porta e antes de eu mandar entrar, ela penetrou o recinto e bem perto parou. Olhou bem fundo nos meus olhos   e calmamente perguntou-
- O senhor é Rb Santana –
- Sim. Disparei mais rápido que meu revolver - Ás suas ordens senhorita –
- Senhora. - Ela dura advertiu –
-  Senhora Dupphartier, com dois p e um h-
A senhora Dupphartier me passou uma foto.
- Linda Cachorrinha - Eu disse inocentemente.
- Cachorrinha não senhor Rb, ela é minha clarinha e eu quero que o senhor a encontre. Eu a perdi. Olhei pra senhora Dupphartier e suspirei um não que não deixei sair dos meus atordoados pensamentos. Que grande merda, a senhora Dupphartier é feia, e cadê o pai rico sumido, o irmão suspeito, o  assassinato,
- (senhor RB descubra quem matou meu pai) e a bela jovem seria agradecida e dormiria comigo, mas ali na minha frente uma rica senhora feia Dupphartier e meu trabalho: encontrar uma cachorra. Pois sim, era dizer não e ir pro Edi e esperar uma causa nobre e uma bela fêmea para passar a noite. Decidido olhei duramente nos  olhos da cadela Dupphatier e disse polidamente –
 - Sim senhora. Duzentos reais por dia mais despesas, e um adiantamento de mil reais. A senhora tem que me passar todas as informações acerca da vida de Clarinha e como ela despareceu. Não omita nada,  pois um detalhe sem a menor importância, pode  vim a ser o diferencial para sucesso ou não de minha tarefa.
A nossa querida e amada CLARINHA. - E eu encerrei esta fala com arrogância de um Detetive cheio de serviços - E apesar de ter muitos serviços, fiquei tocado pelos sentimentos da Senhora e pela beleza da clarinha e farei o que for necessário para encontra-la.
 A senhora Dupphartir me olhou sem um sorriso, jogou em minha cara um pacote
e secamente disse:
- Ai tem dez mil reais, e o meu telefone, não poupe gastos, me ligue se precisar de mais dinheiro, e saiba que a sua fracassada  carreira poderá mudar se o senhor salvar Clarinha.
A senhora Dupphartier saiu arrastando aquele corpo magnificamente feito para ser feio e nojento, deixando pra mim a certeza que ela sabia que era a minha primeira cliente
. Fiquei  ali parado,  olhando  as notas,  por uns vinte minutos  e  então dando uma ordem disse pra mim mesmo-
- Hoje o Edi vai sentir minha falta –

 ronaldo braga

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