terça-feira, outubro 08, 2013

Acordar é preciso. Será? Acordar é preservar, é salvar, e o que que merece ser salvo dentro destes vazios? Mas acordo e levanto, mesmo carregando na boca um gosto nojento, mesmo olhando em frente nada mais que nervos gosmentos, desejos suprimidos e olhares piedosos. Ao meu lado alguém pede perdão e suplica vida e se diz gente, se afirma um ser humano. Mas o que é ser gente? é só nascer e se é gente, se o nascente for aparentemente da especie dita humana? Não, não é somente por nascer, é antes por um construir. Essa é a pior crueldade com esses seres com a aparência corpórea de um humano, usa-los classificando-os de gentes, para usarem e abusarem. Um ser humano é um ser que se torna ou não, construído e se construindo sempre, pois somos cultura, somos processo, não somos resultado de uma mera receita de bolo. E viver é uma guerra, onde os humanos dominam e os que temem serem homens, e as que temem serem mulheres, são os que se constroem menores, são dominados e a paz reina quando o confronto entre humanos é possível, pois a paz entre eles é a desgraça dos que aparentam uma humanidade inexistente. O sabor nojento gruda e andar é saber a dor do nascer, o peso do viver e viver é navegar em ombros alheios, ou carregar nos ombros os alheios. A terceira via calmamente descansa em cemitérios. Acordar é cruel, acordar é uma ironia e viver uma parodia ou meramente deslocamentos de números em hotéis, em praias ou em países. Então vivente sorria com sua cara de feliz e encanto, enquanto o vazio e a demência apenas anuncia o porvir, acredite Viver vem se tornando um fardo grande demais pra uma alegria menor sustentar. ronaldo braga

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