terça-feira, julho 23, 2013

VIDA



E então ela chorou em todo o seu corpo, dor e agonia. 
E o passado belo, era uma ofensa e fazia sofrer mais alto sua dedicação vencida. O espelho refletia o que se manteve afastado dos risos e beijos falsamente despejados. 
Falsos? O tempo todo falso? 
Essa possibilidade lhe feria fundo e aliviava absurdamente em algum lugar do seu infinito, onde a vida ainda transpirava enfrentando toda a reatividade daquele moribundo corpo.
Em algum canto de sua alma a vida respirava prazer na dor sentida e quem sabe, talvez por isso, por uma ousada teimosia de ser prazer, mesmo que seja dor, ela ainda vivia.
Ali, diante de si, ela se abandonou e seu presente a consumir história, ganhos, vidas.
Em sua frente uma gata entrava em trabalho de parto, seus olhos marejados e mortos se moveram mecanicamente, mas o som que da gata disparava era de guerra, era de vida, e uma pedrada de dentro do seu estomago em direção ao seu pulmão lhe fez tremer e acordar. Ela olhou o espelho, viu a gata finalizando seu parto, e decidiu um rumo onde a dor era fermento:
-Não, não posso negar a mim quando nego o outro, tudo aquilo que eu sentir seja com quem for foi bom, eu fui sincero em meu prazer e meu corpo gozou e esse gozo não me enoja. A depressão é a ausência de prazer, a dor apenas dói, mas o delírio tem que existir imanente a dor, assim é a vida de um vencedor. Sentir em algum recanto de sua alma, prazer, mesmo quando seja dor, assim eu tenho que ser. Eu sou uma vencedora - E ela encerrou sua fala com uma voz ainda fraca mas rouca de vitoria e potencia, olhou o espelho e mudou sua ordinária via.
Era uma tarde quente, seu olhar faiscava loucuras calientes, o relógio marcava 17.46 hs, ela riu, tomou um banho, jogou fora todos os remédios, se vestiu com esmero e foi olhar a beleza dos parques.

ronaldo braga

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