quarta-feira, julho 03, 2013

esquinas

Querida, o poeta sempre nas curvas. Poeta desliza.
Mas quando zonzeia, entristece, esperneia e furtivamente se esconde, o amor se faz presente numa ausência, numa gravidade, numa fuga, num simulacro, com um sentimento endurecido, substituído, subtraído de si. 
Amor em palavras duras e flores como perfumaria vulgar. Buscamos o que no falar de ou sobre o amor? De que fugimos?
O amor é um caminho de fuga, uma trans - fuga. Uma e unica. O amor é o acontecimento inenarrável. Então o que narramos nós poetas? senão a fuga, senão a perda, senão a dor. Senão o silencio de tantas ausências.
Querida, falar de pedra é falar de amor, mas de que amor se fala quem em pedra fala? É o amor amado e amando? Ou por certo é uma ausência fria que a pedra bem representa? Ou uma dor? Uma perda?
E aquele amor da vivencia, do amar agora e ser amado. Da felicidade é que eu falo.
Como falar deste amor vivido? Como falar do amor feliz? agora.

Amiga a poesia despenca do passado momentos suprimidos, a felicidade não permeia a poesia. E alma de poeta é busca intensa de fios, cantos, cortes e fluxos de um tempo remitente, é como golpe de martelo eterno a poesia te encontra no teu passado.
E se é o passado o futuro da poesia.
Onde o amor? Senão nas perdas.

ronaldo braga

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