quarta-feira, julho 24, 2013

PENETRAÇÃO

Minuto a segundo a expiração levanta peles e pelos.
Na pegada, 
Morosamente deslizante o vento penetra,
e folhas assanham a noite.

ronaldo braga

olhar mareado

Acordar mais um dia e saber rapidamente todas as informações de sua vida.
Mas por segundos você não sabe nada, sua mente opaca não desliza, não permanece, apenas silencia na inexistência. 
Alguns tremores, um olhada pra qualquer lado, uma coçada nas costas e barriga, um se esticar e encolher, um som que grita liberdade e sua vida ali, e um estranho se descobrir como um outro, como um serviço, como uma interpretação. Ao acordar você percebe que você é um outro e aprende e apreende: 

"um sendo você e você sendo sua vida". 

E de volta o circo em seu vigor, como se nunca não estivesse, como se não existisse esse momento pós-acordar, onde você é um finito infinito, onde seu quarto é um não lugar e você se sabe não se saber.
Mareado ouço o som humano, a sujar imundices, a transformar tudo, tudo em mercadoria, a medir tempo, a determinar passos, a vigiar sonhos, a punir dores.


A vida, a minha e o que circula no meu imaginário viver humano, não merece meu tempo desmedido, nem de nenhuma outra vida humana, nem mesmo vale pedir uma outra humanidade, pois meu pequeno mundo, sombrio varrido do nada, sempre preparado, já tem em estoques prontas respostas, fortes respostas, imbatíveis respostas.
O drama, eternamente cômico das pessoas, no meu olhar guarda melancolia da indiferença, uma doença incurável, pois o único remédio, seria a revolta dos miseráveis. Revolução sempre abortada pela distribuição de pães.
O mundo humano, não é mais que uma novela que se sonha filme numa tarde modorrenta.
Inspirar,inventar e se saber veneno e ir em frente. A porra da vida não manda recados precisos, e sua morte pode ta ali no próximo sorriso.

RONALDO BRAGA

terça-feira, julho 23, 2013

Sobrava faltas, 
e o olhar era de medo e esperanças.
O gesto vazio quebrava barreiras nos ventos.
Sobrava perdas, 
e o andar era demente.
O nada percorria e corroía toda a mente.
Sobrava sobras,
e um tédio iluminava a noite.
A inveja emprestava uma harmonia resistente.

ronaldo braga

VIDA



E então ela chorou em todo o seu corpo, dor e agonia. 
E o passado belo, era uma ofensa e fazia sofrer mais alto sua dedicação vencida. O espelho refletia o que se manteve afastado dos risos e beijos falsamente despejados. 
Falsos? O tempo todo falso? 
Essa possibilidade lhe feria fundo e aliviava absurdamente em algum lugar do seu infinito, onde a vida ainda transpirava enfrentando toda a reatividade daquele moribundo corpo.
Em algum canto de sua alma a vida respirava prazer na dor sentida e quem sabe, talvez por isso, por uma ousada teimosia de ser prazer, mesmo que seja dor, ela ainda vivia.
Ali, diante de si, ela se abandonou e seu presente a consumir história, ganhos, vidas.
Em sua frente uma gata entrava em trabalho de parto, seus olhos marejados e mortos se moveram mecanicamente, mas o som que da gata disparava era de guerra, era de vida, e uma pedrada de dentro do seu estomago em direção ao seu pulmão lhe fez tremer e acordar. Ela olhou o espelho, viu a gata finalizando seu parto, e decidiu um rumo onde a dor era fermento:
-Não, não posso negar a mim quando nego o outro, tudo aquilo que eu sentir seja com quem for foi bom, eu fui sincero em meu prazer e meu corpo gozou e esse gozo não me enoja. A depressão é a ausência de prazer, a dor apenas dói, mas o delírio tem que existir imanente a dor, assim é a vida de um vencedor. Sentir em algum recanto de sua alma, prazer, mesmo quando seja dor, assim eu tenho que ser. Eu sou uma vencedora - E ela encerrou sua fala com uma voz ainda fraca mas rouca de vitoria e potencia, olhou o espelho e mudou sua ordinária via.
Era uma tarde quente, seu olhar faiscava loucuras calientes, o relógio marcava 17.46 hs, ela riu, tomou um banho, jogou fora todos os remédios, se vestiu com esmero e foi olhar a beleza dos parques.

ronaldo braga

domingo, julho 21, 2013

sexta-feira, julho 12, 2013

quarta-feira, julho 10, 2013



PALAVRAS juntas

Pedras chuvas, beijos, cabelos, lua, vento, flores.
basta junta-las e um poema de amor pronto brilha nos olhos dos inocentes.

ronaldo braga

quarta-feira, julho 03, 2013

esquinas

Querida, o poeta sempre nas curvas. Poeta desliza.
Mas quando zonzeia, entristece, esperneia e furtivamente se esconde, o amor se faz presente numa ausência, numa gravidade, numa fuga, num simulacro, com um sentimento endurecido, substituído, subtraído de si. 
Amor em palavras duras e flores como perfumaria vulgar. Buscamos o que no falar de ou sobre o amor? De que fugimos?
O amor é um caminho de fuga, uma trans - fuga. Uma e unica. O amor é o acontecimento inenarrável. Então o que narramos nós poetas? senão a fuga, senão a perda, senão a dor. Senão o silencio de tantas ausências.
Querida, falar de pedra é falar de amor, mas de que amor se fala quem em pedra fala? É o amor amado e amando? Ou por certo é uma ausência fria que a pedra bem representa? Ou uma dor? Uma perda?
E aquele amor da vivencia, do amar agora e ser amado. Da felicidade é que eu falo.
Como falar deste amor vivido? Como falar do amor feliz? agora.

Amiga a poesia despenca do passado momentos suprimidos, a felicidade não permeia a poesia. E alma de poeta é busca intensa de fios, cantos, cortes e fluxos de um tempo remitente, é como golpe de martelo eterno a poesia te encontra no teu passado.
E se é o passado o futuro da poesia.
Onde o amor? Senão nas perdas.

ronaldo braga