quarta-feira, fevereiro 27, 2013

sábado, fevereiro 16, 2013

a instigante poesia de LEILA MARIA



De que adianta ser uma grande poetiza?
Pra que serve um poema bem escrito?
Sustentar o ego de um imbecil cidadão,
Que dorme e acorda no mesmo cotidiano?

Repito: poesia para mim não vale nada!
É como uma bosta de quadro que mostre as cores da Faber Castel
Vendido por bilhões de dólares na Wall Street.
É como uma banda que toca no Domingão do Faustão
E deseja seu disco de ouro vendendo um CD por 40 reais.

Pra que vale uma pedra poética se ela não estiver no meio do caminho?
Não tenho o interesse de falar de amor ou ódio enquanto pessoas são invisíveis
Não quero ser reconhecida por entender de gramática enquanto afundo na arrogância
Não tenho a pretensão de aparecer em livros literários,
E usar a arte para ganhar elogios.

Prefiro que decifrem minhas intenções
Se afoguem no que tenho a dizer
Ignorem as características da água.

Foda é quando a arte
Faz dos sonhos ameaças reais.

LEILA MARIA

quinta-feira, fevereiro 14, 2013

EU DESERTO DE MIM




Eu deserto em água suja
bebo ondas de nadas 
disperso nos espaços ocos dos ventos,
e acordo nos sonhos tormentos.
 Risos bobos.
e lentos 
e fora de qualquer tempo.

 No espelho sou léguas sumidas,
sem idas 
sem vindas
um olhar outro de lado qualquer 
  trans-fugas nos medos 
silêncios  noites em chuvas.

E de cada morte,
uma nova morte, 
numa insistente  agonia de vidas murchas.

No espelho sou léguas sumidas.

De olhar um frio
na profusão de sábios,
E sentir dores sem loucos desejos.
Que tédio!


E sem o meu espelho:
 os donos do ontem respingam vozes e cortes.


ronaldo braga

para Luciano fraga
e Nuno Gonçalves
e Sergio Sampaio.EU VIAJEI DE TREM.( 1973 )




Salão Kitty (1976) com Helmut Berger

sexta-feira, fevereiro 08, 2013

a bela poesia de Gabriela Bruch




Y cuando digo torrente es torrente.
Es la noche queriendo llover
el dulce líquido de la tierra que gesta.
La mañana que no quiere llegar
porque sabe que se va, por un segundo,
por un siglo, él se va.
Y es lo mismo, porque no hay tiempo.
Y es ahí donde puedo decir todo aquello
que brota torrente noche líquido tierra
mañana segundo siglo lluvia llanto.
Puedo decir también otra cosa,
(que brota como torrente, sí )
Pero ahora no.


E quando digo torrente
sonho constante.
É a noite querendo chover o doce liquido da terra gravida.
A manhã que não chega,
por que sabe que se vai, por um instante,
por um seculo, ele se vai.
E é o mesmo no imenso vazio do tempo,
onde pode dizer tudo aquilo que nasce em torrentes noites
de terra encharcada,
manhã ainda segue a chuva insistente.
Posso sim dizer tantas coisas
( como cascatas, sim)
mas agora não.

GABRIELA BRUCH

Traducción al portugués : Ronaldo Braga