segunda-feira, dezembro 30, 2013


A verdade das mentiras dos lulas, das dilmas e das esquerdas no Brasil


‘A classe trabalhadora precarizada e super explorada vai decidir  a eleição’


Jessé de Souza (Foto: Marcelo Carnaval/Agência O Globo)


Após revelar a ‘ralé e os batalhadores’ brasileiros, o sociólogo Jessé de Souza prepara imersão nos ‘endinheirados’. “A busca é a interpretação crítica da sociedade contemporânea.”
Ele estuda as classes sociais há vinte anos. Mas foi em meados de 2009, já no final do governo Lula, que mergulhou em uma pesquisa sociológica – empírica e teórica, por todo o Brasil – para confrontar a tese de que havia surgido uma “nova classe média” no País. O resultado? O livro Os Batalhadores Brasileiros.
Nele, Jessé de Souza, doutor em Sociologia pela Universidade de Heidelberg, na Alemanha, e professor da Universidade Federal de Juiz de Fora,


PERGUNTA - E a nova classe média que o pt e o lula diz que sua política criou no Brasil?

resposta - A tão reverenciada nova classe média é, na verdade, uma “classe trabalhadora precarizada, super explorada e, em grande parte, informal. É aquela que trabalha muito e ganha pouco”.

domingo, dezembro 29, 2013

 o uruguai mostra que cuba é o modelo a não ser nem seguido nem respeitado. liberdade pra ser rico sim.

mas não podemos permitir a liberdade  pra ser pobre e cuba é isso: liberdade pra ser nada.

 

 

O exemplo uruguaio


MARIO VARGAS LLOSA - O Estado de S.Paulo
 
 
Foi muito feliz a revista The Economist ao declarar o Uruguai "o país do ano" e qualificar como admiráveis as duas reformas liberais mais radicais tomadas em 2013 pelo governo do presidente José Mujica: o casamento gay e a legalização e regulamentação da produção, venda e consumo de maconha.
'Pepe' Mujica, de sandálias, na posse do ministro da Economia - Matilde Campadonico/AP
Matilde Campadonico/AP
'Pepe' Mujica, de sandálias, na posse do ministro da Economia
É extraordinário que ambas as medidas, inspiradas na cultura da liberdade, tenham sido adotadas pelo governo de um movimento que, originalmente, não acreditava na democracia, mas na revolução marxista-leninista e no modelo cubano de autoritarismo vertical e de partido único. Desde que subiu ao poder, o presidente Mujica, que em sua juventude foi um guerrilheiro tupamaro, assaltou bancos e passou muitos anos na cadeia, onde foi torturado durante a ditadura militar, tem respeitado escrupulosamente as instituições democráticas - a liberdade da imprensa, a independência dos poderes, a coexistência de partidos políticos e eleições livres - assim como a economia de mercado, a propriedade privada, estimulando os investimentos estrangeiros.
A política desse simpático velhinho estadista, que fala com uma sinceridade insólita num governante, embora isso signifique equivocar-se de vez em quando, vive de maneira muito modesta em sua chácara nos arredores de Montevidéu, e viaja em classe econômica, conferiu ao Uruguai uma imagem de país estável, moderno, livre e seguro, o que lhe permitiu crescer economicamente e avançar na justiça social, estendendo os benefícios da liberdade em todos os campos, e vencendo as pressões de uma minoria recalcitrante da coalizão.
É preciso lembrar que o Uruguai, diferentemente da maior parte dos países latino-americanos, cultiva uma antiga e sólida tradição democrática, a ponto de, quando eu era criança, o pais oriental ser chamado de "a Suíça da América" em razão da força de sua sociedade civil, da firmeza da legalidade e de suas Forças Armadas respeitadoras de governos constitucionais. Além disso, principalmente depois das reformas do "battlismo", que reforçaram o secularismo e criaram uma poderosa classe média, a sociedade uruguaia tinha uma educação de primeiro nível, uma vida cultural muito rica e um civismo equilibrado e harmonioso, invejado por todo o continente.
Lembro de como fiquei impressionado ao conhecer o Uruguai em meados dos anos 60. Um país onde as diferenças econômicas e sociais eram muito menos cruas e extremas do que no restante da América Latina, e no qual a qualidade da imprensa escrita e radiofônica, seus teatros, livrarias, o alto nível do debate político, sua vida universitária, artistas e escritores - e principalmente, o punhado de críticos e a influência que eles exerciam - e a liberdade irrestrita que se respirava em toda parte o aproximavam muito mais aos países europeus mais avançados do que aos seus vizinhos, não parecia um dos nossos. Ali descobri o semanário Marcha, uma das melhores revistas que conheci, e que se tornou para mim desde então uma leitura obrigatória para me pôr a par do que acontecia em toda a América Latina.
Sombras. Entretanto, essa sociedade que dava ao forasteiro a impressão de estar se afastando cada vez mais do Terceiro Mundo e a se aproximar do Primeiro, já naquele tempo começava a deteriorar-se. Porque, apesar de tudo o que de bom acontecia ali, muitos jovens, e alguns não tão jovens, sucumbiam ao fascínio da utopia revolucionária e iniciavam, segundo o modelo cubano, as ações violentas que destruiriam a "democracia burguesa" para substituí-la, não pelo paraíso socialista, mas por uma ditadura militar de direita que lotou os presídios de presos políticos, praticou a tortura e obrigou muitos milhares a se exilar.
A fuga de talentos e dos melhores profissionais, artistas e intelectuais do Uruguai naqueles anos foi proporcionalmente uma das mais cruciais que um país latino-americano jamais experimentou ao longo da história. Entretanto, a tradição democrática e a cultura da legalidade e da liberdade não se eclipsou totalmente naqueles anos de terror. Com a queda da ditadura e o restabelecimento da vida democrática, floresceria novamente, com maior vigor e, diria até, com uma experiência acumulada que educou tanto a direita quanto a esquerda, vacinando-as contra as ilusões de violência do passado.
De outro modo, não teria sido possível que a esquerda radical, que com a Frente Ampla e os tupamaros chegasse ao poder, desse mostras, desde o primeiro momento, de um pragmatismo e espírito realista que permitiu a convivência na diversidade e aprofundou a democracia uruguaia em lugar de pervertê-la. Esse perfil democrático e liberal explica a valentia com que o governo do presidente Mujica autorizou o casamento entre pessoas do mesmo sexo e converteu o Uruguai no primeiro país do mundo a mudar radicalmente sua política frente ao problema da droga, crucial em toda parte, mas particularmente agudo na América Latina. Trata-se de duas reformas muito profundas e de amplo alcance que, segundo as palavras da Economist, "podem beneficiar o mundo inteiro".
O casamento entre pessoas do mesmo sexo tende a combater um preconceito estúpido e a reparar uma injustiça em razão da qual milhões de pessoas padeceram (e continuam padecendo na atualidade) injustiças e discriminação sistemática, desde a fogueira da inquisição até o cárcere, a perseguição, a marginalização social e violações de toda ordem.
Em relação às drogas, predomina ainda no mundo a ideia de que a repressão é a melhor maneira de enfrentar o problema, embora a experiência tenha demonstrado até o cansaço, que, apesar da enormidade de recursos e esforços investidos em reprimi-la, sua fabricação e consumo continuam aumentando em toda parte, engordando as máfias e a criminalidade associada ao narcotráfico. Nos nossos dias, esse é o principal fator da corrupção que ameaça as novas e antigas democracias e vai enchendo as cidades da América Latina de pistoleiros e cadáveres.
Será bem-sucedida a corajosa experiência uruguaia da legalização da produção e consumo da maconha? Seria muito mais, sem dúvida nenhuma, se a medida não fosse restrita a um único país (e não fosse tão estatista), mas compreendesse um acordo internacional do qual participassem tanto os países produtores como os consumidores. Mas, mesmo assim, a medida afetará os traficantes e portanto a criminalidade derivada do consumo ilegal, e demonstrará com o tempo que a legalização não aumenta notoriamente o consumo, apenas num primeiro momento, embora, desaparecido o tabu que costuma prestigiar a droga junto aos jovens, tenda a reduzi-lo.
O importante é que a legalização seja acompanhada de campanhas educativas - como as que combatem o tabagismo ou explicam os efeitos prejudiciais do álcool - e de reabilitação, de modo que quem fuma maconha o faça com perfeita consciência dos que fazem, como ocorre hoje em dia, os que fumam tabaco ou bebem álcool. A liberdade tem seus riscos, e os que creem nela devem estar dispostos a corrê-los em todos os campos, não apenas no cultural, no religioso e no político. Foi o que entendeu o governo uruguaio, e devemos aplaudi-lo por isto. Esperemos que outros aprendam a lição e sigam seu exemplo. / TRADUÇÃO ANNA CAPOVILLA

quarta-feira, dezembro 18, 2013

poemas de dentro

Morosamente deslizante o vento penetra,
e folhas assanham a noite.

Rb Santana

segunda-feira, novembro 25, 2013

A poesia é uma faca cega

Cansei,
meu perfeito conforto,

e agora sou a busca de meus conflitos,

e sei sim onde os encontro.

Eles estão escondidos e ativos
nos meus escombros mais secretos

vivem retumbantes e agressivos

 em íntimos e esquecidos momentos.


Tenho que lutar e contra mim e
vencer.

As cores, as musicas, e as palavras
soam em mim como uma faca cega
e rasgam a carne. A minha  carne.

E a poesia ri do  meu sangue a escorrer.

Mas conforto, não.
Busco dores aliviantes.

E dores aliviantes não suportam segredos
não suportam medos, não suportam simulacros.

Sou uma mentira em confrontos com outras mentiras.


E a verdade?


A verdade embrulha belezas em papéis,
ao vivo e em  cores.


E resistindo
O espelho não é o meu teste final.

RB Santana


Para Luciano Fraga e Nelson Magalhães Filho


quinta-feira, outubro 31, 2013

Patti Smith - Horses (1975) Debut Album Full





'Quando a musica é mais que uma diversão, e antes é sim uma tomada de decisão'
rb

domingo, outubro 27, 2013

These Days - Nico




E se se ouve Reed tem que se ouvir NICO

Lou Reed & John Cale - Waiting for the Man - Bataclan '72





O que escrever sobre Lou Reed ?
Pois escrever elogios seria antes um abuso, uma tentativa de esmagar o Reed.
Ouvir a sua musica e ir adiante nas teclas e somente poder sentir a importancia da vida e saber a vida não como uma graça, não como uma dadiva, mas sim como uma vitoria e uma vitoria de uma guerra sangrenta, cruel insensata e sem regras.
O Reed recebeu choque elétrico por assumir ser bi-sexual e isso era a regra do jogo sem regras.
Um homem ou uma mulher hoje é perseguido por assumir posição por exemplo contraria ao projeto de cotas nas universidades, ele ou ela pode ser destruído por pensar de uma forma sem o freio da ideologia, ou do cargo. Os tempos sempre serão bicudos para aqueles que pensam com sua própria cabeça.
 É isso sim, para homenagear o Reed só existe uma maneira:
- Viver a vida como uma conquista e sem grupo ou ideologia lhe manipulando e fazendo de você apenas uma boa e segura escada.
Viva Lou Reed no momento de sua morte e que os que se vendem saibam que o Reed não beberia com gente assim, que é apenas uma mercadoria podre de uma assassina esquerda ou direita. A mesma fossa.

ronaldo braga

sexta-feira, outubro 18, 2013

Classic Blues British Blues Invasion - Full Album

DETETIVE PARTICULAR Rb Santana RESOLVO QUALQUER QUESTÃO.


DETETIVE PARTICULAR
Rb Santana
RESOLVO QUALQUER QUESTÃO.
Eu brincava com o revolver enquanto esperava a hora de comer e tomar uma cerveja, no nojento bar do Edi e suas banhas suadas. Este mês a situação estava pior, e eu acreditava ter chegado ao fim do poço. Nenhum cliente,  assim como no mês passado e no passado anterior, e as contas chegaram com um aumento de doze por cento, é, mais um mês sem um cliente, terei que fechar as portas e como um desgraçado desempregado terei sorte no quando me chamarem para  armar lâmpadas em um dia e em um outro mais romântico limpar uma fossa. E ai eu saberei que será  isso  ou então não almoçar, nem no Edi.
 Contei as moedas e as cédulas que restavam, refiz gastos,
- Vou ter que  andar mais a pé, eliminar táxis, e diminuir ônibus,  assim seguro mais um mês e  se falir, fecho com honra o negocio, sem dividas, sem rastro.
Olhei o diploma, como se olha a perdição e a salvação, conquistado com dificuldade em um curso à distancia de detetive particular, e ao seu lado, em uma bela armação, a licença federal para o funcionamento daquele estabelecimento, fazia aquele lugar transpirar legalidade e profissionalismo: RESOLVO QUALQUER QUESTÃO Diz ousadamente com letras garrafais logo abaixo de onde se ler: DETETIVE PARTICULAR Rb Santana.
 Mais uma vez olhei a hora no celular. 11: 45. Mais quinze minutos fecho e estarei diante daquela cara fedorenta do maldito Edi e seus palpites sobre as mulheres e os presidentes e sua gordurenta gosmenta e barata comida. Suspirei e desabafei:
 - A vida ainda seria pior sem os EDIS.
Guardei o revolver, já velho, mas ainda em perfeito funcionamento, no coldre, recentemente comprado na casa de couro do seu Aloísio,  comecei a fechar gavetas e arrumar papéis numa ação totalmente insensata, pois os papéis nada representavam, eu não tive ainda nenhum caso, nenhum cliente, nenhuma pasta além das histórias de DETETIVES de muitos autores, espalhadas pela mesa e eu arrumava numa posição aleatória. Ali só passa tempo e disfarce. Arrumei uma mesa cheia de imaginados serviços, apalpei minha arma, sempre fazia isso quando me preparava  para ganhar as ruas, e então batem à porta e antes de eu mandar entrar, ela penetrou o recinto e bem perto parou. Olhou bem fundo nos meus olhos   e calmamente perguntou-
- O senhor é Rb Santana –
- Sim. Disparei mais rápido que meu revolver - Ás suas ordens senhorita –
- Senhora. - Ela dura advertiu –
-  Senhora Dupphartier, com dois p e um h-
A senhora Dupphartier me passou uma foto.
- Linda Cachorrinha - Eu disse inocentemente.
- Cachorrinha não senhor Rb, ela é minha clarinha e eu quero que o senhor a encontre. Eu a perdi. Olhei pra senhora Dupphartier e suspirei um não que não deixei sair dos meus atordoados pensamentos. Que grande merda, a senhora Dupphartier é feia, e cadê o pai rico sumido, o irmão suspeito, o  assassinato,
- (senhor RB descubra quem matou meu pai) e a bela jovem seria agradecida e dormiria comigo, mas ali na minha frente uma rica senhora feia Dupphartier e meu trabalho: encontrar uma cachorra. Pois sim, era dizer não e ir pro Edi e esperar uma causa nobre e uma bela fêmea para passar a noite. Decidido olhei duramente nos  olhos da cadela Dupphatier e disse polidamente –
 - Sim senhora. Duzentos reais por dia mais despesas, e um adiantamento de mil reais. A senhora tem que me passar todas as informações acerca da vida de Clarinha e como ela despareceu. Não omita nada,  pois um detalhe sem a menor importância, pode  vim a ser o diferencial para sucesso ou não de minha tarefa.
A nossa querida e amada CLARINHA. - E eu encerrei esta fala com arrogância de um Detetive cheio de serviços - E apesar de ter muitos serviços, fiquei tocado pelos sentimentos da Senhora e pela beleza da clarinha e farei o que for necessário para encontra-la.
 A senhora Dupphartir me olhou sem um sorriso, jogou em minha cara um pacote
e secamente disse:
- Ai tem dez mil reais, e o meu telefone, não poupe gastos, me ligue se precisar de mais dinheiro, e saiba que a sua fracassada  carreira poderá mudar se o senhor salvar Clarinha.
A senhora Dupphartier saiu arrastando aquele corpo magnificamente feito para ser feio e nojento, deixando pra mim a certeza que ela sabia que era a minha primeira cliente
. Fiquei  ali parado,  olhando  as notas,  por uns vinte minutos  e  então dando uma ordem disse pra mim mesmo-
- Hoje o Edi vai sentir minha falta –

 ronaldo braga

American Folk Blues Festival 1962 - 1969 Vol 3

terça-feira, outubro 08, 2013

Acordar é preciso. Será? Acordar é preservar, é salvar, e o que que merece ser salvo dentro destes vazios? Mas acordo e levanto, mesmo carregando na boca um gosto nojento, mesmo olhando em frente nada mais que nervos gosmentos, desejos suprimidos e olhares piedosos. Ao meu lado alguém pede perdão e suplica vida e se diz gente, se afirma um ser humano. Mas o que é ser gente? é só nascer e se é gente, se o nascente for aparentemente da especie dita humana? Não, não é somente por nascer, é antes por um construir. Essa é a pior crueldade com esses seres com a aparência corpórea de um humano, usa-los classificando-os de gentes, para usarem e abusarem. Um ser humano é um ser que se torna ou não, construído e se construindo sempre, pois somos cultura, somos processo, não somos resultado de uma mera receita de bolo. E viver é uma guerra, onde os humanos dominam e os que temem serem homens, e as que temem serem mulheres, são os que se constroem menores, são dominados e a paz reina quando o confronto entre humanos é possível, pois a paz entre eles é a desgraça dos que aparentam uma humanidade inexistente. O sabor nojento gruda e andar é saber a dor do nascer, o peso do viver e viver é navegar em ombros alheios, ou carregar nos ombros os alheios. A terceira via calmamente descansa em cemitérios. Acordar é cruel, acordar é uma ironia e viver uma parodia ou meramente deslocamentos de números em hotéis, em praias ou em países. Então vivente sorria com sua cara de feliz e encanto, enquanto o vazio e a demência apenas anuncia o porvir, acredite Viver vem se tornando um fardo grande demais pra uma alegria menor sustentar. ronaldo braga

sábado, agosto 03, 2013

Sinal de Fumaça



o exercício da crítica
assim como
o exercício da poesia
assim como
o exercício dos sentidos
assim como
o exercício do pensamento
sempre foram incompatíveis
ao exercício dos caciques

no mundo sem mundo do capital
o único exercício permitido
é a ginástica de academia
o ritmo repetido e exaustivo dos músculos
o feedback automático e irrefletido dos tolos

o uivo dos lobos segue em extinção
assim como a cólera trágica dos amantes
tudo virou drama
tudo é telenovela
ao xamã resta a semente
de uma nova ordem além do caos
e a caverna de sempre

nuno g. 

quarta-feira, julho 24, 2013

PENETRAÇÃO

Minuto a segundo a expiração levanta peles e pelos.
Na pegada, 
Morosamente deslizante o vento penetra,
e folhas assanham a noite.

ronaldo braga

olhar mareado

Acordar mais um dia e saber rapidamente todas as informações de sua vida.
Mas por segundos você não sabe nada, sua mente opaca não desliza, não permanece, apenas silencia na inexistência. 
Alguns tremores, um olhada pra qualquer lado, uma coçada nas costas e barriga, um se esticar e encolher, um som que grita liberdade e sua vida ali, e um estranho se descobrir como um outro, como um serviço, como uma interpretação. Ao acordar você percebe que você é um outro e aprende e apreende: 

"um sendo você e você sendo sua vida". 

E de volta o circo em seu vigor, como se nunca não estivesse, como se não existisse esse momento pós-acordar, onde você é um finito infinito, onde seu quarto é um não lugar e você se sabe não se saber.
Mareado ouço o som humano, a sujar imundices, a transformar tudo, tudo em mercadoria, a medir tempo, a determinar passos, a vigiar sonhos, a punir dores.


A vida, a minha e o que circula no meu imaginário viver humano, não merece meu tempo desmedido, nem de nenhuma outra vida humana, nem mesmo vale pedir uma outra humanidade, pois meu pequeno mundo, sombrio varrido do nada, sempre preparado, já tem em estoques prontas respostas, fortes respostas, imbatíveis respostas.
O drama, eternamente cômico das pessoas, no meu olhar guarda melancolia da indiferença, uma doença incurável, pois o único remédio, seria a revolta dos miseráveis. Revolução sempre abortada pela distribuição de pães.
O mundo humano, não é mais que uma novela que se sonha filme numa tarde modorrenta.
Inspirar,inventar e se saber veneno e ir em frente. A porra da vida não manda recados precisos, e sua morte pode ta ali no próximo sorriso.

RONALDO BRAGA

terça-feira, julho 23, 2013

Sobrava faltas, 
e o olhar era de medo e esperanças.
O gesto vazio quebrava barreiras nos ventos.
Sobrava perdas, 
e o andar era demente.
O nada percorria e corroía toda a mente.
Sobrava sobras,
e um tédio iluminava a noite.
A inveja emprestava uma harmonia resistente.

ronaldo braga

VIDA



E então ela chorou em todo o seu corpo, dor e agonia. 
E o passado belo, era uma ofensa e fazia sofrer mais alto sua dedicação vencida. O espelho refletia o que se manteve afastado dos risos e beijos falsamente despejados. 
Falsos? O tempo todo falso? 
Essa possibilidade lhe feria fundo e aliviava absurdamente em algum lugar do seu infinito, onde a vida ainda transpirava enfrentando toda a reatividade daquele moribundo corpo.
Em algum canto de sua alma a vida respirava prazer na dor sentida e quem sabe, talvez por isso, por uma ousada teimosia de ser prazer, mesmo que seja dor, ela ainda vivia.
Ali, diante de si, ela se abandonou e seu presente a consumir história, ganhos, vidas.
Em sua frente uma gata entrava em trabalho de parto, seus olhos marejados e mortos se moveram mecanicamente, mas o som que da gata disparava era de guerra, era de vida, e uma pedrada de dentro do seu estomago em direção ao seu pulmão lhe fez tremer e acordar. Ela olhou o espelho, viu a gata finalizando seu parto, e decidiu um rumo onde a dor era fermento:
-Não, não posso negar a mim quando nego o outro, tudo aquilo que eu sentir seja com quem for foi bom, eu fui sincero em meu prazer e meu corpo gozou e esse gozo não me enoja. A depressão é a ausência de prazer, a dor apenas dói, mas o delírio tem que existir imanente a dor, assim é a vida de um vencedor. Sentir em algum recanto de sua alma, prazer, mesmo quando seja dor, assim eu tenho que ser. Eu sou uma vencedora - E ela encerrou sua fala com uma voz ainda fraca mas rouca de vitoria e potencia, olhou o espelho e mudou sua ordinária via.
Era uma tarde quente, seu olhar faiscava loucuras calientes, o relógio marcava 17.46 hs, ela riu, tomou um banho, jogou fora todos os remédios, se vestiu com esmero e foi olhar a beleza dos parques.

ronaldo braga

domingo, julho 21, 2013

sexta-feira, julho 12, 2013

quarta-feira, julho 10, 2013



PALAVRAS juntas

Pedras chuvas, beijos, cabelos, lua, vento, flores.
basta junta-las e um poema de amor pronto brilha nos olhos dos inocentes.

ronaldo braga

quarta-feira, julho 03, 2013

esquinas

Querida, o poeta sempre nas curvas. Poeta desliza.
Mas quando zonzeia, entristece, esperneia e furtivamente se esconde, o amor se faz presente numa ausência, numa gravidade, numa fuga, num simulacro, com um sentimento endurecido, substituído, subtraído de si. 
Amor em palavras duras e flores como perfumaria vulgar. Buscamos o que no falar de ou sobre o amor? De que fugimos?
O amor é um caminho de fuga, uma trans - fuga. Uma e unica. O amor é o acontecimento inenarrável. Então o que narramos nós poetas? senão a fuga, senão a perda, senão a dor. Senão o silencio de tantas ausências.
Querida, falar de pedra é falar de amor, mas de que amor se fala quem em pedra fala? É o amor amado e amando? Ou por certo é uma ausência fria que a pedra bem representa? Ou uma dor? Uma perda?
E aquele amor da vivencia, do amar agora e ser amado. Da felicidade é que eu falo.
Como falar deste amor vivido? Como falar do amor feliz? agora.

Amiga a poesia despenca do passado momentos suprimidos, a felicidade não permeia a poesia. E alma de poeta é busca intensa de fios, cantos, cortes e fluxos de um tempo remitente, é como golpe de martelo eterno a poesia te encontra no teu passado.
E se é o passado o futuro da poesia.
Onde o amor? Senão nas perdas.

ronaldo braga

domingo, junho 30, 2013


Sou ateu, vacinado casado e ofender é o ramo que eu não gosto. por diversão a pulga se jogou no óleo cozido mas não pode falar nada do que sentiu e a fechadura de sobrepor saltou da sala azul para a comida estragada das meninas enjauladas nas mesmices dos anjos caídos e baldios.
A poeira solitária não dança perto dos ventos soprados pelos nadas, antes choram nas ancas peludas dos tontos avatares.
Deus e o diabo se beijam em noites de chuvasssssss e sem saberem sangram mortes na peste do saber entortado pelo tudo que vc e nem eu sou ou vc é ou nunca será.
A hora do espanta ainda espanta a desapontada garota abandonada, triste sina de todos abandonar e ser abandonado.
E cansado o pingo se despediu do sol nas nuvens de descarregamentos orientais em pleno festim das hienas poetas e posudas e nada belas.
Minha garganta cortou tempos e saltou moleiras em cortes de sopros e notas e nem achou o aviso do norte lamentado nas faltas de todos os jovens tesos e sorridentes.

ronaldo braga
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terça-feira, junho 25, 2013

CARTA ABERTA À PRESIDENTA DILMA

Senhora presidenta Bom Dia. com respeito ao ser humano que a senhora é, me permita dialogar minhas inseguranças com a senhora. De ser humano para ser humano.
Senhora Presidenta, Vivemos em uma arrogância desmedida, uma perda de sentimento humano e das limitações humanas, vivemos como se o outro fosse um instrumento manipulável e quando isso escapa, tachamos os manipulados que se recusam de mal agradecidos, de tucanos, de burguesia, de direitista, de reaça. Nós perguntamos aos que dizem que uma luta dessa coloca a democracia em risco :
- O que devemos fazer quando não temos médicos, não temos escolas, não temos ruas livres pois sempre somos assaltados, não temos voz ? Devemos então sofrer, passar fome, ser dominado e ficarmos apanhando quietinho para proteger a democracia onde os partidos vivem como reis, luxo não encontrado em nenhum país mais rico do que o nosso.
devemos esperar o suicídio pelo tédio de não ser um humano, a depressão.
Cara Presidenta, muitas vezes eu perco a cabeça e disparo palavras curtas em sua direção, mas eu sei que se eu não soltar esses puns de vez em quando eu vou implodir.
A senhora pegou em arma e disse que lutava pelo povo, e pegar em armas realmente coloca a vida de muita gente em risco e a senhora não se preocupou, mas acha que somos vandalos em um momento e no outro nos chama de bestas. Senhora toda essa sua solução já foi dita desde 2003 e nada foi realizado de substancial em direção do povo, mas bilhões saíram do estado para os pobres milionários brasileiros via BNDS, essa luta é a acumulação das mentiras de seu partido, pois nada esperávamos do psdb ou do dem. Achávamos que os que foram torturados, espancados, e presos estaria ali não para nos negociar e nos vender bastante barato e sim para junto crescer. Mas senhora presidenta o povo compra hoje com o seu salario menos que em 2000 e se compra a mais é fiado e isso vai destruindo o futuro do endividado.
Então sei que não podemos seguir seu exemplo pois é perigoso, e pegar em arma não é a solução, mas pode ser um desespero, eu entendo. E é por isso que as vezes eu detono palavras sujas em sua direção, mas tenho certeza que jamais detonarei balas em pessoas por ideias, como a senhora fez. Minha luta é e sempre será na base da argumentação e algumas vezes da exaltação e das solturas de palavras nada limpas, mas não matarei e nem aceito a morte como base de alguma transformação. Zapata disse que quando um guerrilheiro ganha uma batalha não aceita critica de quem não pegou em armas e se criticar é tratado como o inimigo. Eu estudei e por isso não aceito a morte como garantia. A senhora poderia cortar a metade dos ministérios, falar a verdade sobre os cálculos da conta de energia lá atrás onde foi cobrado a mais alguns bilhões dos usuários de energia elétrica.
Pra me despedir quero afirmar que jamais votei na SUA PESSOA, mas se agora a senhora fizesse e não falasse o que já falou e falou, o que o povo quer eu votaria.
Sem mais e com a certeza que a senhora é uma pessoa humana, e que pensa, eu digo. Nós cansamos de aceitar tudo que vem enlatado.

Ronaldo Braga

sábado, junho 15, 2013

Minha poesia queria ser uma cruel bala perdida,
minha poesia inútil reclama perdas aos prantos,
minha poesia vidro espatifa brumas em beijos,
minha poesia fogo corta pulsos em  verso
minha poesia fogo toda pedra arremessa,
minha poesia amarga risos em esparmos gigantes.
Minha poesia é violenta.
ronaldo braga

quinta-feira, maio 16, 2013

THE GINS!

Estava com o copo cheio de vinho e a casa, confortavelmente, namora com o som do The Gins!. Bebo nada educadamente e os golpes de Dinho Batera me conduzem para um outro mundo, e a bateria não se cansa, apenas troveja, balbucia e geme golpes musicais. Clélio Lemos deixa sua doce voz envenenar o ambiente em um contraste nada comum. A musica insiste lembranças, sonhos e decadentes pesadelos se afastam no baixo solapado com uma elegância visível nas vivencias dos dedos e na roupa de Pedro Fernandes que apenas toca o infinito e se sabe não apenas um mortal. Caio Braga Sant'Ana transmite emoções por ondas duras e poéticas vibrações sonoras. Sua guitarra alcança um passado no futuro mais distante e desce em vertiginosos momentos encantados. The Gins! não é uma banda de música, The Gins! é um encontro de caçadores de vida e de jovens que não fogem do tédio e nem fogem do mal. Antes buscam na vida o momento agridoce esquisito e solene que somente a musica pode alcançar.
The Gins! A vida começa quando a inteligência é uma exigência.

ronaldo braga

PALAVRAS QUE AINDA DFORMAM


A depressão invade não como um agressor antes a depressão acaricia sua dor mais profunda e lhe permite de forma bem azeitada espiar sua vida de uma janela distante e indiferente. A depressão não chega de repente, ela avança mansa e educada e retira de você toda o sabor e lhe questiona de uma forma bem autoritária, parecendo ser ponto final e a vida pobre e cansada ensaia ferozmente um patético sumiço.



2
Se a arte exprime no corpo as paixões da alma, o artista é portanto um ser que desdobra em novas dobras as dobraduras do infinito finito sentir humano. tudo é duradouro na dor e no prazer, tudo é tédio na mesmice do anoitecer e amanhecer. O artista refaz com sua lente que diminui e aumenta os efeitos e os feitos de uma existência tão invisivel. A vida humana de uma labuta tão contradita e que sempre escapa quando se pensa ter em ela nas mãos, seria um diferente não percebido, pois somente a existencia da arte a torna tão necessária quanto inutil.
A arte é o unico remedio para a alma.


3
Um dia como qualquer fenômeno na vida humana é um nada, o que faz a diferença é o seu estado em relação às coisas da vida. Uma simples xícara parece triste, e incomoda quando você sente um aperto no coração. Mas um copo é bonito e espirituoso quando você ri das palavras de um menino. Pois é o seu sentimento em relação as coisas e não o inverso que determina o seu momento.


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Estava com o copo cheio de vinho e a casa confortavelmente namora com o som dos The Gins!. Bebo nada educadamente e os golpes deDinho Batera, me conduz para um outro mundo e a bateria não se cansa apenas troveja, balbucia e geme golpes musicais, Clélio Lemosdeixa sua doce voz envenenar o ambiente em um contraste nada comum. A musica insiste lembranças, sonhos e decadentes pesadelos se afastam no baixo solapado com uma elegância visível nas vivencias dos dedos e na roupa do baixista que apenas toca o infinito e se sabe não apenas um mortal. 'Caio Braga Sant'Ana transmite emoções por ondas duras e poeticas vibrações sonoras, sua guitarra alcança um passado no futuro mais distante e desce em vertiginosos momentos encantados.
The Gins não é uma banda de musica, The gins é um encontro de caçadores de vida e de jovens que não fogem do tédio e nem fogem do mal, antes buscam na vida o momento agridoce esquisito e solene que somente a musica pode alcançar.
The Gins a vida começa quando a inteligencia é uma exigencia.

RONALDO BRAGA

quarta-feira, maio 08, 2013

Viver é agora

Era quase meio dia e um sol fraco aquecia mais que aborrecia. Eu ia absorto pensando nos meus mortos quando me esbarro em um cara que diz a queima roupa.
- Braga - E já trazia a mão estendida. Eu permitir o contato enquanto tentava pescar um nome àquele rosto gordo.
E o cara falava mansinho e bastante educado mas demonstrando uma intimidade que já me deixava embaraçado. Então ele falou em poesia e o nome veio acompanhado de diversas lembranças-
-Vai poieta - Declamei à moda antiga - E completei - Gilberto Costa!
O poeta tinha colocado um i no meio da poesia e levantava o povão nos coletivos recitando seus poemas e tinha um que tinha um refrão que era repetido por todos -
- Vai poieta - Ele pintava o cabelo com cores fortes e era uma atração na década de 90 na cidade de Salvador. Nos cumprimentamos, falamos de nossos cabelos brancos e ele me falou de Eduardo Teles, um poeta que estava sofrendo um processo corrosivo de uma doença degenerativa que há dez anos o fazia lentamente encolher.
Resolvemos juntos visitar o Eduardo Teles que morava ali perto, Largo Dois de Julho, perto do antigo Cine Capri.
Eu sabia da doença do poeta mas nunca lhe fiz uma visita e então, encontrar Eduardo foi de uma dor sem tamanho, ele não anda e nem move as mão e começa a perder a fala.
O poeta chorou e o Poieta declamou vestido branco, uma poesia de Eduardo Teles que fizera sucesso entre as meninas da década de 80. Ali naquele buraco limpo e com um lápis na boca para fazer uso do computador eu lembrei o Eduardo Teles vaidoso, paquerado e paquerador, com seus cabelos enormes e bem cuidado a cair nas suas costas e um sorriso enigmático a abrir portas e fazer amigos, principalmente das meninas.
A vida cruel não manda recados e nem aceita lamentos, na sua dureza pede guerreiros e sem piedade te lança na cara as verdades, onde a ideologia não faz acento e o contradito é apenas passar tempo.
Não sei o que dizer a Eduardo Teles, sei apenas que voltarei a lhe visitar e lerei pra ele textos novos de poetas novos e falarei do passado como uma história das mil e uma maravilhas.

ronaldo braga

sábado, maio 04, 2013

a mãe

Ele tinha dormido bem e acordara feliz e bastante jovial. Se banhou e se barbeou como se ouvisse a lira das virgens e ainda sorridente apertou três vezes o gatilho da sua 44 no peito de sua surpreendida mamãe. Depois de alguns segundos, organizou o corpo e chorou como um anjo.
ronaldo braga

quarta-feira, abril 24, 2013

palavras que Dformam

"Quando só aceitamos as coisas boas e esquecemos da existência das coisas más, somos encontrados por toda sorte de desgraças que nos lembra que a vida é o saber desfrutar do bom e enfrentar cara a cara as dificuldades e com gravidade supera-las"


ronaldo braga

palavras que deformam 2

Festejo ser sombras de cacos e me sonho vida humana,
eu, humanamente inumano, vivendo em um eterno e sem fim  deserto, na bela e opaca humanidade.

ronaldo braga

letras que deformam





Fortes somos sim, mas unicamente para enfrentar e derrotar todos os projetos felizes.





A musica ultrapassa a medida do meu nojo e penetra numa zona azul do meu ser me permitindo estar no interior de minha tristeza quando triste, quanto me presenteia a materialização de toda minha excitação e assim ainda posso ser malevolente em nas horas de silencio e na mais profunda preguiça que só o aceitar nos oferece




A ordem é sorrir, ser bonito e quando não for possível mais mentir um belo tiro no cérebro deixa tudo no seu devido lugar.


Uma pedra que apanha das águas não chora se molda



Era noite em todos os risos soltos naquelas caras feias, era noite nas noites molhadas de sangue dor



A míuda melodia cresce a chuva dentro de mim


O deserto cresce na tórrida vida humana


Então ele olhou o acidente e alegre viu dois feridos e tristemente percebeu que não tinha mortos.

ronaldo braga

domingo, abril 07, 2013

Triste mesmo é essa plateia que tem o desejo certo para como devem ser os artistas, como deve ser o humor dos novos humoristas, quanto triste isso. Suicidio meu caro é a saída. 
Eu adoro até mesmo o que não adoro. por isso vivo. viver é fazer acordo com deus e o diabo e se armar contra os dois.
Viver meu caro é trair e não discordar.

ronaldo braga

quinta-feira, abril 04, 2013

MEUS EUS

Eu ainda não tenho um eu, eu ainda vivo numa curva de eus por entre atalhos bruscos, e ainda em sombras busco um jeito e meio sem jeito carrego brisas, esqueço chuvas e nos olhos dos meus olhos encontro um qualquer inicio que pode ser indicio de como num espelho me encontrar bêbado.

VAQUEIROS DE GENTES

A única solidão que me assusta é acompanhado, a multidão me deixa só, é para mim tenebroso ouvir a voz sem freios de uma multidão escrava que junta se acha livre, mas que repete frases dos donos, dos vaqueiros de gentes, dos que soletram esperança e sempre prometem um futuro melhor. O presente, estes vaqueiros guardam pra SI. 
Aprendi que vozes só a do coro ou do coral, a do povo é sempre domada, é sempre empurrada, é sempre do ódio mesmo em seu alto teor de festa.
Aprendi que com derrotados você aprende não a vencer mas a derrotar, pois os oprimidos adoram oprimir e servem aos senhores e servem a quem não lhe servem.




ronaldo braga

substancia

Você ta ai no mundo, você ta ai no meio dessa sujeira, dessa pobreza, dessa merda de pobreza e pensa em poesia, e pensa em morrer, você sabe que pode nem comer, nem mesmo dormir e tem os espetáculos da miséria, da miséria da normalidade, e você sabe que poesia é uma tentativa de não ser você, uma outra porcaria, uma fachada que lhe permite um status, uma especie de redenção. Seus amigos são pessoas sem esperanças, analfabetos em suas formações acadêmicas, buscam dinheiro, buscam alimentar suas proles, verem suas mães sorrirem e você desfila por eles sua arrogância de poesia, de prosa e de literatura.
Então a poesia te dar outros amigos, os outros, os que escrevem poesias, são belos, são ricos e são sorridentes e você ta ai em um outro mundo sem nada seu e a sua poesia é uma não poesia, é uma outra busca, sua poesia agoniza em sua triste sina de ser o outro do mesmo e você afunda e pensa em largar o que nem mesmo tem, então largar é alcançar é morrer em sua decima tentativa de morte e você chora e seu choro não é alivio, não é triste, não é comovente e você pensa em escrever poesia, então você ler CAL SOLOMOM e se assusta. Você sabe que a roda gira e gira e gira e Cal e você e gira e então você não pode firmar nada em você e apenas escrever o que palavras nenhuma pode dizer, então você queima papéis e palavras e papéis e mais palavras e quer encontrar o que não tem, o que não pode e você lembra da fome e descobre que a pior fome é dos que comem e de novo você pensa em viver e escrever e seu sorriso assusta e seus amigos agora são outros de outros e dos outros, você rouba amigos, você busca amigos e suas palavras são fabricas de inimigos e você pensa em viver em viver em viver e se pergunta pra que?
Então o passado é agora uma brincadeira de bonecos e você gentilmente pode dizer bom dia, boa tarde, boa noite e depois chora de raiva de impotência, aquele babaca me odeia. É, você ainda pensa na miséria, a miséria não lhe abandona, a sua poesia é uma capa, a miséria sua substancia e você corre corre e um louco lhe pede a mão e você bebe,vomita e emfim dorme em paz, mas você vai acordar maldito, vai acordar e um belo dia vai te olhar e lhe lembrar tudo de novo e um normal vai passar e como se empunhasse um colt vai olhar na sua cara e vai dizer
- Bom dia irmão Deus ama você.


ronaldo braga

segunda-feira, abril 01, 2013

sexta-feira, março 29, 2013

fantasmas


Ainda ouça suas palavras e ainda sei de suas indas e vindas, você tem a capacidade de falar sentimentos e desejos da mesma forma que de fugir deles, querida remoer é sua principal característica e a minha vida já se tornou um inferno uma vez por ter acreditado em você, não mais me deixarei envenenar por promessas de noites longas e loucas. Sua dança é imaginaria e assim sua valsa perfeita toca e eu apenas como um fantasma mergulho fundo em seu corpo. Não há espaço para a realidade em tua vida de ilusão e sonhos de sonhos. O que queres é a perfeição e eu sou apenas um ser que de tão imaginado nem sei se tu sabes que eu existo. Ainda pouco comentei com um amigo sobre os perigos de ofertas grandiosas quando distante e acontecimentos tão esquisitos quando presente. Claro meu amigo nada entendeu, disse que eu falava por parábolas e se foi rindo. Mas voltando a nós, você acredita mesmo que existe um nós. Faça eu crer em sua carne, pois até agora agora estou acreditando em tuas brumas. 
Me diga na minha cara com raiva ou com clamor, mas me diga o que  quer e eu saberei se  é um sonho ou uma tempestade de jogos de imaginados e mantido secretamente equidistante de mim.
Espero sua boca sorrindo com dentes que cravam carnes e soltam urros, e não a perfeição de uma valsa de fantasmas.
Atenciosamente seu fantasma

ronaldo braga

FRASES 3



Ainda sob o impacto daquilo que eu não posso escapar:
a vida é uma desgraça, uma lixeira onde eu busco rascunhos possiveis

Revirar lixos a única forma de avançarmos

Mas capim a boi eu não dou

Só me resta jogar perolas aos porcos

A vida pode ser chata, mas promete ser pior.


Uma vida não segue reta e nem curva e nem baixa e nem alta. Uma vida persegue mas que recebe.
Uma vida não sustenta nada, uma vida implacavelmente tomba e quando levanta ainda sente no osso o preço da curva, que desce que desce.
Mas uma vida não pode perder o não sentido da graça, o não sentido do riso.


ronaldo braga