sábado, dezembro 29, 2012

O INICIO DO FIM OU DESMEMORIAS DE UM ASSASSINO



Um gosto azedo faz dormir todos os meus sentidos. O relógio marca 6.33 e o sono não desgruda o amargor podre de cigarro que agoniza minha boca e eu sei que é hora de preparos e vigília. Não há mais tempo para espera aqui neste buraco fedorento e quente.
Meu cerebro insiste em recordações, e qualquer recordação se torna pesadelo em mim, sou um fardo de dor e gritos, e se antes nunca me incomodei, agora essas lembranças paralisam ,em algum lugar de meu ser, uma tortura involuntária que se apega em meu estomago como carrapato e fustiga incertezas.
Sou um assassino em sua reta final, digo a mim mesmo, e lembro de confidencias de outros assassinos. Foi na prisão que eu ouvi falar pela primeira vez no gosto azedo de cigarros, e soube que era o fim de carreira, um sujeito assim fica lamentando mortes e buscando por todos os meios justificativas. E ai é o fim, o inicio do fim.
Tomei um banho, escovei os dentes e vomitei mortes por dois minutos, e novamente senti a minha perna tremer. Vomitar mortes é por demais perigoso, pessoas saíam de dentro dos meus escarros e deixavam mais amarga a minha boca.
Começo a pensar no que faço e isso é ruim, pensar sempre foi ruim, pensar é coisa de quem precisa do outro, de quem quer sorrisos, eu quero uma boa mira e campo livre para a fuga.
Agora já pronto me vejo sentado, ouvindo choros, pedidos de clemencia e envolvido ouço o passado. Tento inutilmente me concentrar em meu próximo serviço, naquele corpo que cairá e eu então poderei calmamente realizar mais uma marca em minha arma. Sete horas e vinte minutos, um silencio mortal ocupa tudo é hora de partir, verifico a munição, e então estou realmente pronto. O motor do carro anuncia a chegada do transporte. Aquele homem me levará, ele vai identificar o alvo e não sabe que tambem morrerá, ganhei pra isso. Alguém não confia e quando isso acontece eu trabalho. Sempre soube da sua importância. Em toda cidade, pequena ou grande meu trabalho alivia o tédio dos medíocres, o medo divulga a essas almas penadas que talvez eles foram EM UM PASSADO REMOTO, como eu. E uma sensação de vida percorre aqueles corpos por alguns dias e depois a morte reinará por entre risos falsos e metas sem metas.
Entro no carro e o homem já velho me olha como um morto e ri um medo que me da medo. Ele sabe, insisto em pensar, e o gosto de cigarro desaparece.
 Estou pronto para matar.
ronaldo braga

segunda-feira, dezembro 24, 2012

poesia


10:31
 



poesia é sintetizar,
é tornar sonhos a realidade crua,
é fazer das palavras brincadeira, 
é desconhecer o valor das palavras como são reconhecidas. 
Poesia é antes de mais nada transtornar os sentidos, 
ou seja é uma embriagues

ronaldo braga





domingo, dezembro 23, 2012

The Gins e a poesia de joão pedro braga


Hoje eu acordei na escuridão que antecede o novo dia
Havia música nas ruas.
Sinfonia dos bichos que conhecem o mar de cima.
Me contavam que o vento passeia os lugares mais bonitos do globo
E que giramos junto a terra sem nenhum esforço.
Conhecendo os nomes das nuvens
O simples é tão bonito pra quem tenta não entender absolutamente nada.
Não há cores nos predios ainda.
Mas eu pinto imaginação com o que escuto
Eles cantam em dó menor
Parece música.
Mas é vida.
E ela é linda. Pra quem acorda antes dos carros.
São 4:00hrs da manhã
Abro asas á imaginação no relaxar das pálpebras.

(João Pedro Braga)

The Gins!
caio braga santana, na guitarra e voz. clélio lemos na voz e tambourine, peu fernandez no baixo e dinho batera na bateria


The Gins! - Summer's Gone (Live)




sábado, dezembro 22, 2012

MEU NOME E PECOS (1967).COMPLETO


Gosto deste filme, gosto da lei de pecos. Como eu ele não se importa com dinheiro, cospe no dinheiro dos merdas capitalistas e bostas comunistas. R.B

sexta-feira, dezembro 21, 2012

a poesia de leila maria


As abelhas que não vão para o céu




Enquanto o vento desliza
Chegando aos quatros cantos do orfanato
Onde as freiras tomam chá,
Pegam cachecóis,
As abelhas que não vão para o céu.

Enquanto o terço é colocado sobre a batina
Do padre que iniciará a celebração
Da sonolenta missa da madrugada,
Produzem mel,
As abelhas que não vão para o céu.

Enquanto o sol se põe 
No domingo de páscoa cinzento
E as crianças comem chocolates caros,
Cheiram rosas,
As abelhas que não vão para o céu.

Enquanto são ameaçadas
Pelo símbolo da cruz,
Ferroam os fiéis,
As abelhas que não vão para o céu.

terça-feira, dezembro 18, 2012

A poesia de João Pedro Braga Sant'Anna



 
‎"Nem sei dessa gente toda
Dessa pressa tanta
Desses dias cheios
Meios dias gastos"

domingo, dezembro 09, 2012

Nasceu Maria Alice a deusa das savanas, dos alpes e dos silencios.

são sete horas de espera
são sete pensamentos dispersos,
são sete copos entornados.

Um grito estoura a praça
um uivo ocupa a noite
um riso se abre  
um choro se ouve de perto de longe 

Plantas, bichos, gentes e povos antigos cantam:
Nasceu Maria Alice a guerreira sem fronteiras,
Nasceu Maria Alice a deusa das savanas, dos alpes e dos silencios.
Nasceu Maria Alice o suspiro de prazer de nuno e maira.


ronaldo braga

Blues da escravidão à conquista do mundo


quarta-feira, dezembro 05, 2012

A taxa de marginalidade e os homens sem digitais


Descem as escadas pro metrô aos montes
Nos bairros periféricos, rostos são marcados
À noite, se escondem sob o terror
São forçados pela opressão
Manipulam a paz
Determinam a guerra.

Homens terroristas
Seres aterrorizados
Por quem?
Por quê?

Quem escolheu o que fazer
Foi morto pela fome
Quem teve coragem de lutar
Foi pego pelo Estado

Marcados para sofrer
Registrados como delinquentes. 
E os bolsos dos inconscientes
Cada vez mais fartos
E a vida do dirigente
Cada vez mais fácil.


Desde que se fez gente
Ser humano é mistério.
Ser humano é caso sério.

A POESIA DE LEILA MARIA