domingo, setembro 02, 2012

EU UMA JUSTA GANANCIA RÔTA




EU



Desespero nos escombros da seca,
sonho um nordeste sem medo.
Eu
guerreiro entre pantanos e cactos
e rochedos,
ainda,
pó, mandacarus, pedra e sal,
enfrentado  e fugido da morte.


Eu  uma justa ganancia rota
circulando vida infame dos beijos adocicados nas tristezas.

Eu
que ferindo espinhos esparramados em noites de sertão
e vivendo em dias de alcool e fumo
acalento 
deslumbrantes pensamentos assassinos.

Eu, 
lampião e  conselheiro, 
transtornado em teus beijos de vampiro
canto a morte em doce  melodias, 
numa breve escrita da vida.

Pois mesmo entre velhas canções
permaneço uma  recordação  perdida.
Eu 
sem remédio  
sou  um eu de um outro eu
calmamente sonambulo.

ronaldo braga

Para Linaldo Guedes, poeta do mundo que nasceu e reside no alto sertão da Paraiba

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