domingo, julho 15, 2012


Dois poemas de Pedro Vianna,  diretamente de Paris, original em francês e tradução para o português do próprio Pedro Vianna .
1-


Va t'en français-portugais.docVa t'en 

Va-t'en
lève-toi et marche
ouvre la porte
et sors

crie ta douleur
ouvre tes bras
et plonge dans la vie
monte
grandis
éclate
intègre-toi
dans le monde
agis
transforme
et lutte

Ouvre ton corps
offre et donne
demande et reçois
chante pleure
et aime

Regarde dans les yeux des autres
ton image
fonds ton passé
et ton futur
dans cet instant

Vis
pour
m'aider
à
vivre.1

Paris, 21.III.1976

Vai embora
levanta e anda
abre a porta
e sai

grita tua dor
abre teus braços
e mergulha na vida
sobe
cresce
explode
integra-te
ao mundo
age
transforma
e luta

Abre teu corpo
oferece e dá
pede e recebe
canta chora
e ama

Olha nos olhos dos outros
a tua imagem
funde teu passado
e teu futuro
neste instante

Vive
para
ajudar-me
a
viver

Paris, 21.III.1976


2


Hantées français

pour Joseph Parais (lors de l'arrestation, au
Brésil, des pères Camio et Gouriou)



Hantées étaient les maisons
Hantées par la mort la faim la misère
Les villes les villages les champs
Hantés par la peur les cris les menaces
Tristes étaient les hommes les femmes les enfants

Enfants de la terre sèche
Enfants de l'absence de pluie
Enfants noyés par la pluie
Étranglés par les lianes tentacules géants d'un satan inconnu

Ils étaient là
pâles
fragiles
secs comme le sol qu'ils creusaient de leurs mains
ils étaient là
hommes femmes enfants plantés sur la Terre
les racines au ciel
ils étaient là
des êtres d'une espèce étrange
une espèce de roseaux fragiles
car inflexibles
têtus
terribles

Ils étaient là
Ils regardaient
Ils voyaient
Ils ne comprenaient guère
le monde environnant

Alors
d'autres hommes arrivèrent
d'étranges hommes
des hommes étrangers
des hommes qui disaient
que le travail est fait pour l'Homme
non l'Homme pour le travail
si le travail fait de l'Homme son esclave
il faut vivre libérer le travail

Étranges hommes
Hommes étranges
venus du paradis fulgurant
où la vie se compte en années
où la terre est verte
où le soleil est frère

Étranges êtres
Étranges prêtres
venus du ciel terrestre
par-dessus les eaux
Hommes de foi
qui portaient la foi en l'Homme
et le criaient aux arbres aux cieux aux Hommes
à la forêt vierge au désert rouge
au félin sauvage à la fleur envoûtante

Et les hommes les femmes les enfants
s'aperçurent
qu'ils étaient des hommes des femmes des enfants comme les autres
et ils le crièrent aux cieux aux Hommes à Dieu
et ils empoignèrent leur dignité d'Homme
et ils frappèrent la mort la faim la misère
et ils frappèrent et ils frappèrent et ils frappèrent
peut-être même à tort et à travers
mais ils étaient fiers de leur corps de leur tête de leurs mains
de leurs prêtres de leurs frères de leur Dieu

Et la mort la faim la misère
s'allièrent
et de leurs lianes tentaculaires encerclèrent ce peuple de Dieu
et sévirent et sévirent et sévirent
et séviront encore longtemps

Mais les hommes les femmes les enfants
auront toujours gravé dans leur esprit
l'amour de ces étranges prêtres
ces prêtres étranges étrangers
étranges frères venus d'ailleurs1

Pedro Vianna
Paris, 1.X.1981

in Débris, XIX.22-24..



para Joseph Parais (quando da prisão, no
Brasil, dos padres Camio e Gouriou)





Assombradas estavam as casas
Assombradas pela morte a fome a miséria
As cidades os povoados os campos
Assombrados pelo medo os gritos as ameaças
Tristes estavam os homens as mulheres as crianças

Crianças da terra seca
Crianças da ausência de chuva
Crianças afogadas pela chuva
Estranguladas pelo cipós tentáculos gigantes de um satanás desconhecido

Lá estavam eles
pálidos
frágeis
secos como o solo que escavavam com as mãos
lá estavam eles
homens mulheres crianças plantados na Terra
as raízes no céu
lá estavam eles
seres de uma espécie estranha
uma espécie de caniços frágeis
porque inflexíveis
teimosos
terríveis

Lá estavam eles
Olhavam
Viam
Não compreendiam bem
o mundo ao redor

Então
outros homens chegaram
estranhos homens
homens estrangeiros
homens que diziam
que o trabalho é feito para o Homem
não o Homem para o trabalho
se o trabalho faz do homem seu escravo
há que viver libertar o trabalho

Estranhos homens
Homens estranhos
vindos do paraíso fulgurante
onde a vida é contada em anos
onde a terra é verde
onde o sol é irmão

Estranhos seres
Estranhos padres
vindos do céu terrestre
por cima das águas
Homens de fé
que transmitiam a fé no Homem
e o gritavam para as árvores para os céus para os Homens
para a floresta virgem para o deserto vermelho
para o felino selvagem para a flor feiticeira

E os homens as mulheres as crianças
perceberam
que eram homens mulheres crianças como os outros
e o gritaram para os céus para os Homens para Deus
e empunharam sur dignidade de Homem
e golpearam a morte a fome a miséria
e golpearam e golpearam e golpearam
talvez até a torto e a direito
mas estavam orgulhosos de seu corpo, de sua cabeça de suas mãos
de seus padres de seus irmãos, de seu Deus

E a morte a fome a miséria
aliaram-se
e com seus cipós tentaculares cercaram este povo de Deus
e reprimiram e reprimiram e reprimiram
e reprimirão por muito tempo ainda

Mas os homens as mulheres as crianças
guardarão para sempre gravado em seu espírito
o amor destes estranhos padres
padres estranhos estrangeiros
estranhos irmão vindos de longe2

Pedro Vianna
Paris, 1.X.1981

Site web : http://poesiepourtous.free.fr

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