segunda-feira, julho 30, 2012

clemencia um filme de rita vieira


com argumento do poeta Luciano Fraga, roteiro e direção de Rita Vieira



Duelo entre o real e o imaginário no novo livro de Linaldo Guedes



A poesia de Linaldo Quedes é um grito carinhoso que continua mais forte no seu silencio, que nos pergunta o tempo todo sobre organização e alma, sobre vida e acordo, poesia que é um solapo em nossa quietude e ler Metáforas para um duelo no sertão do poeta Linaldo Quedes  nos permite um momento onde a quietude não é uma calmaria antes é uma necessidade de sobrevivência, pois é preciso depois da leitura fechar o livro e organizar o turbilhão de imagens, de buscas, de caminhos que de forma firme e duradoura ocupam nosso cérebro. 
Há e sempre houve muitos duelos no sertão, o sangue brota de peitos lacerados e cabeças erguidas, e o poeta  da Paraiba, nos revela um outro duelo dentro de todos os duelos sertanejos, o duelo que marca a fronteira entre o real e o imaginário, entre a escolha e o imposto, entre o ser e o nada , um duelo travado na fome que não nos devora e sim nos impulsiona como fortes para caminhar entre espinhos e sedes, a fome que  é o caminhar,  o viver entre nuvens de ideias e poucas certezas, a fome que nos mantem vivos.
É portanto desta fome que trata o livro do poeta Quedes, uma fome bela e que no sertanejo às vezes coberta como poeira por outras fomes pode nos aparentar fracos ou mesmo vitimas. E  a poesia de Linaldo não tem  a dor do fracasso ou da vingança, mas a serenidade da percepção que a vida sofre mas tambem é uma festa, é uma espera e é sempre uma luta dentro de muitas outras lutas. 

"meu pai sorriu
à sombra da goiabeira

nada de rugas na face
apenas névoa
de um tempo escondido pela sombra das horas."

O passado na figura do pai é de uma melancólica e doce  lembrança, não no sofrimento, mas na névoa que rescreve o rosto na falta de rugas e numa sombra, a da goiabeira, uma outra faz  suave e sábio o nosso existir, o das horas.
E enfrentando a religião sem raivas e sem medos ele afirma:
"matraca silenciosa
liturgia de augusto
remoendo
moendo
doendo
moenda
- bagaço de homem no altar dos sertôes".
E o poeta Linaldo Quedes brinca com sua infância, seu crescer, sua familia e entre alegrias e descobertas ele afirma a sadia desavença entre idades e sexos no ninho que um pouco revelado na sombra da goiabeira, salta agora em Lili, em Deci, Didi, Laura, em Laudeni, na galega Neném e se junta na rede com o pai embalado em natais onde a família tocaiava sonhos de olho no alpendre, pois sabedor que 
"liturgia de oração
- negação do jejum do prazer"
Linaldo declara:
"nunca conseguira entender a falta de pão"
Pois é com poesia que o poeta enfrenta dores e calunias
"sou um homem marcado
marcado para doer
gado preso no curral
quando não, abatido
comendo Baudelaire
na erva daninha de meu capim."
E continua caminhando por entre fantasmas  nas brincadeiras de muitas humanidades, fazendo duelar os medos dos 12 anos, bumba meu boi  e sombras na parede, com a dura realidade do homem quarentão que nada teme mas

"tanto medo aos 12
aos 40, medo só de seu olhar de graúna"
Linaldo Quedes não vive por ai afirmando sua sertanidade, antes universal sabe da necessidades de superar mitos e vencer etapas 

" cansei de pasárgada
este negocio de sentar-se eternamente no trono
não compensa a mulher que queremos"
Podemos então arriscar que Metáforas para um duelo no sertão do poeta paraibano LINALDO QUEDES, publicação da editora Patuá é não um mergulho no próprio umbigo do poeta, mas sim a afirmação da vida com toda a dor e o prazer que tem no fato de viver e que também soa este livro como uma canção que pode ser  um grito forte saudando nossas fomes e um esperançoso desejo de duelar.
Recomendo a leitura de Metáforas para um duelo no sertão, que com certeza vai abrir horizontes e permitir o deleite do belo numa terra árida e fazer plainar azedumes em dias de fugas, Um livro com um coração repleto de amores e fomes e sempre um coração decidido.

ronaldo braga

Linaldo Guedes nasceu em Cajazeiras (Alto Sertão da Paraíba), em 16.06.1968. É poeta, tendo publicado seu primeiro livro “Os zumbis também escutam blues e outros poemas” em 1998. Lança, ainda este ano, o livro Intervalo Lírico. Tem poemas seus incluídos em vários sites de literaturas. Lançou, ainda, “Singular e Plural na poesia de Augusto dos Anjos” (ensaio, Editora A União, 2000) e co-organizou os livros “Correio das Artes, 50 anos”, volumes de Poesia e Contos (Editora A União 1999) e “Diálogos” (Editora Aboio, 2004). Seu nome está incluído como verbete na Enciclopédia de Literatura Brasileira, organizada por Afrânio Coutinho e J. Galante de Sousa. 

sábado, julho 28, 2012


Vingança e logo em a beleza dos meus pesadelosou vem ai o julgamento do MENSALÃO


A chuva tinha castigado a cidade o dia todo. O feito refletia nas plantas e passaros em suas inquietudes acalentadoras. Era belo observar a chuva cair e ver a noite rapidamente dominar a tarde numa penumbra cinematografica. Tudo era belo e um silencio moroso e preguiçoso embalava e confudia sonhos e lembranças.
O som do cair das aguas namorava minhas metas e era ouvido por leguas nas arvores que quietas dançavam, em um vai e vem sonolento com os ventos, no imenso salão da noite.
Eu embebecido adormecia como um privilegiado ser naquele cenario deslumbrante.
Era extamente 17 horas e 20 minutos quando uma voz veio da rua, uma voz que trazia consigo a revolta e a dor. Joaquim gritava o meu nome e me acordava daquuela realidade , e a chuva e toda a sua beleza ali bem firme na minha frente, a voz de joaquim tinha o poder de me alienar de qualquer coisa que não fosse opressão assassinato e corrupção.
Joaquim agora andava às turras com o partido do atual governo que para ele tinha traido o povo, e depois de fazer um discurso contra a esquerda e a direita, Joaquim me deu um texto dizendo que ele acabAra de escrever e se foi tão bruscamente como tinha chegado.
Eu olhei o papel totalmente machucado, senti a chuva caindo, abri um vinho e percebi que agora a chuva se tornara uma tempestade a castigar mentes e plantas. Acariciei o vinho tinto seco, enchi uma taça e depois de um gole comecei a ler o texto de joaquim o homem que queria mudar o mundo mas não acreditava mais nos trabalhadores:


"- Justiça, justiça grita a dor impotente do povo.
O Brasil TEM DESDE A INVASÃO DOS BARBAROS de lisboa, ouvido este grito.
Sempre o filho, a mãe, a esposa, a namorada gritam a dor na morte do ente querido. Na morte transfigurada no assassinato a mando de fazendeiros, patrões e outros ricos.
-Justiça grita a dor nos olhos fundo da noite longa e angustiante.
Justiça, pedem as flores podadas nos controles dos sem sorrisos.
Ainda hoje no Pará e outras paragens, as balas fazem as curvas certeiras nas caras dos que sendo povo não aceitam as pragas vindas dos senhores.
Justiça uma palavra rôta, sem validade no mundo de homens e mulheres.
Ainda veremos por muito tempo enterros de jovens guerreiros nas balas do mando, ainda veremos até que o povo saia dos partidos, pense em sua propria estrada e descubra nas garras das lutas a saida da guerra.
Só temos morte e morte para os que não escolhem o caminho da luta, morte para os que apenas querem o trabalho, morte decretada pelo governo na morte de celso daniel, morte calada na midia, morte em silencio dos ministros, morte na mentira dos comunistas.
Vamos saber um dia da verdade não contada, das dores guardadas sob nenhuma chave, apenas as dores guardam outras dores.
Os homens donos da terra querem a morte no solo que escapa de seu controle.
Somente um povo sem governo, sem deus, sem patrão e sem senhor, pode conquistar a liberdade e o proprio controle de suas vidas. Um povo de volta ao somente aceito gosto de viver.
Chega de morte inutil e sem nexo.
Vamos mudar o ritmo macabro do terror. Devemos como os bastados inglórios, vingarmos nossas dores. Vingança é o que precisamos. Seremos vingativos ou então cadaveres educados?
A escolha é sua."
(Joaquim Silva Lerembec)
É o joaquim estava atento a tudo:
filmes novos, massacres reais, tudo servia de conteudo para o Joaquim espelir suas raivas e impotencias.



ronaldo braga 

quinta-feira, julho 19, 2012



POESIA

Querem que eu fale de poesia?
O que eu posso dizer?
- Poesia é a tolice
da meninice
que continua no corpo
não mais criança.
-Poesia amigo
é a demência,
o asco que escapa do passado
e nas sombras
se instala em sua alma
roendo cantos
multiplicando risos
e moendo segredos.
é meu caro. corra,
pois por certo
é a poesia 
o lugar nenhum seguro.

ronaldo braga

para o poeta nuno gonçalves, poeta cearense.



Quieren que les hable de la poesía?
¿Qué puedo decir?
- La poesía es la locura
de la infancia
que permanece en el cuerpo
cuando ya no somos niños.
La poesía, amigo
es la demencia,
un disgusto que se escapa del pasado
y en las sombras
se asienta en tu alma
royendo cantos 
multiplicando risas
y molienda secretos.
Eh mi amigo, corre,
porque ciertamente
la poesía es
un lugar inseguro.

poesia de ronaldo braga
tradução de Graciela Malagrida

domingo, julho 15, 2012


Dois poemas de Pedro Vianna,  diretamente de Paris, original em francês e tradução para o português do próprio Pedro Vianna .
1-


Va t'en français-portugais.docVa t'en 

Va-t'en
lève-toi et marche
ouvre la porte
et sors

crie ta douleur
ouvre tes bras
et plonge dans la vie
monte
grandis
éclate
intègre-toi
dans le monde
agis
transforme
et lutte

Ouvre ton corps
offre et donne
demande et reçois
chante pleure
et aime

Regarde dans les yeux des autres
ton image
fonds ton passé
et ton futur
dans cet instant

Vis
pour
m'aider
à
vivre.1

Paris, 21.III.1976

Vai embora
levanta e anda
abre a porta
e sai

grita tua dor
abre teus braços
e mergulha na vida
sobe
cresce
explode
integra-te
ao mundo
age
transforma
e luta

Abre teu corpo
oferece e dá
pede e recebe
canta chora
e ama

Olha nos olhos dos outros
a tua imagem
funde teu passado
e teu futuro
neste instante

Vive
para
ajudar-me
a
viver

Paris, 21.III.1976


2


Hantées français

pour Joseph Parais (lors de l'arrestation, au
Brésil, des pères Camio et Gouriou)



Hantées étaient les maisons
Hantées par la mort la faim la misère
Les villes les villages les champs
Hantés par la peur les cris les menaces
Tristes étaient les hommes les femmes les enfants

Enfants de la terre sèche
Enfants de l'absence de pluie
Enfants noyés par la pluie
Étranglés par les lianes tentacules géants d'un satan inconnu

Ils étaient là
pâles
fragiles
secs comme le sol qu'ils creusaient de leurs mains
ils étaient là
hommes femmes enfants plantés sur la Terre
les racines au ciel
ils étaient là
des êtres d'une espèce étrange
une espèce de roseaux fragiles
car inflexibles
têtus
terribles

Ils étaient là
Ils regardaient
Ils voyaient
Ils ne comprenaient guère
le monde environnant

Alors
d'autres hommes arrivèrent
d'étranges hommes
des hommes étrangers
des hommes qui disaient
que le travail est fait pour l'Homme
non l'Homme pour le travail
si le travail fait de l'Homme son esclave
il faut vivre libérer le travail

Étranges hommes
Hommes étranges
venus du paradis fulgurant
où la vie se compte en années
où la terre est verte
où le soleil est frère

Étranges êtres
Étranges prêtres
venus du ciel terrestre
par-dessus les eaux
Hommes de foi
qui portaient la foi en l'Homme
et le criaient aux arbres aux cieux aux Hommes
à la forêt vierge au désert rouge
au félin sauvage à la fleur envoûtante

Et les hommes les femmes les enfants
s'aperçurent
qu'ils étaient des hommes des femmes des enfants comme les autres
et ils le crièrent aux cieux aux Hommes à Dieu
et ils empoignèrent leur dignité d'Homme
et ils frappèrent la mort la faim la misère
et ils frappèrent et ils frappèrent et ils frappèrent
peut-être même à tort et à travers
mais ils étaient fiers de leur corps de leur tête de leurs mains
de leurs prêtres de leurs frères de leur Dieu

Et la mort la faim la misère
s'allièrent
et de leurs lianes tentaculaires encerclèrent ce peuple de Dieu
et sévirent et sévirent et sévirent
et séviront encore longtemps

Mais les hommes les femmes les enfants
auront toujours gravé dans leur esprit
l'amour de ces étranges prêtres
ces prêtres étranges étrangers
étranges frères venus d'ailleurs1

Pedro Vianna
Paris, 1.X.1981

in Débris, XIX.22-24..



para Joseph Parais (quando da prisão, no
Brasil, dos padres Camio e Gouriou)





Assombradas estavam as casas
Assombradas pela morte a fome a miséria
As cidades os povoados os campos
Assombrados pelo medo os gritos as ameaças
Tristes estavam os homens as mulheres as crianças

Crianças da terra seca
Crianças da ausência de chuva
Crianças afogadas pela chuva
Estranguladas pelo cipós tentáculos gigantes de um satanás desconhecido

Lá estavam eles
pálidos
frágeis
secos como o solo que escavavam com as mãos
lá estavam eles
homens mulheres crianças plantados na Terra
as raízes no céu
lá estavam eles
seres de uma espécie estranha
uma espécie de caniços frágeis
porque inflexíveis
teimosos
terríveis

Lá estavam eles
Olhavam
Viam
Não compreendiam bem
o mundo ao redor

Então
outros homens chegaram
estranhos homens
homens estrangeiros
homens que diziam
que o trabalho é feito para o Homem
não o Homem para o trabalho
se o trabalho faz do homem seu escravo
há que viver libertar o trabalho

Estranhos homens
Homens estranhos
vindos do paraíso fulgurante
onde a vida é contada em anos
onde a terra é verde
onde o sol é irmão

Estranhos seres
Estranhos padres
vindos do céu terrestre
por cima das águas
Homens de fé
que transmitiam a fé no Homem
e o gritavam para as árvores para os céus para os Homens
para a floresta virgem para o deserto vermelho
para o felino selvagem para a flor feiticeira

E os homens as mulheres as crianças
perceberam
que eram homens mulheres crianças como os outros
e o gritaram para os céus para os Homens para Deus
e empunharam sur dignidade de Homem
e golpearam a morte a fome a miséria
e golpearam e golpearam e golpearam
talvez até a torto e a direito
mas estavam orgulhosos de seu corpo, de sua cabeça de suas mãos
de seus padres de seus irmãos, de seu Deus

E a morte a fome a miséria
aliaram-se
e com seus cipós tentaculares cercaram este povo de Deus
e reprimiram e reprimiram e reprimiram
e reprimirão por muito tempo ainda

Mas os homens as mulheres as crianças
guardarão para sempre gravado em seu espírito
o amor destes estranhos padres
padres estranhos estrangeiros
estranhos irmão vindos de longe2

Pedro Vianna
Paris, 1.X.1981

Site web : http://poesiepourtous.free.fr

sábado, julho 07, 2012

Lamento



meu pai sorriu
à sombra da goiabeira

nada de rugas na face

apenas a névoa
de um tempo escondido  pela sombra das horas.




Linaldo Guedes,

poema do livro metáforas
                               para
                                 um
                              duelo
                                  no
                             sertão
ed PATUÁ




O  poeta Linaldo Guedes NASCEU EM CAJAZEIRAS, ALTO SERTÃO DA PARAÍBA.

Jornal de Poesia - Linaldo Guedes

www.jornaldepoesia.jor.br