quinta-feira, junho 07, 2012

Se Gozou Pague


Ultimamente, ele tem feito um esforço sobre humano para continuar seguindo rumo ao tão sonhado objetivo, sumo-utópico-niilista, prosaico e um tanto quanto informal, desimportante aos olhos do mundo. Não há necessidade de sua função e caminhada, ou se há, longe objetivo, caminho torturante, vulgar... esquerdista, sem porto-anseio para soma, ou poucos portos-anseios para a soma. Paga pelo gozo que teve há quase dez anos e ao decorrer deste manifesto procura o culpado.
Analisando a vida em retrospecto, procura com a mesma força tenaz dos espíritos inquietos o dia em que se deixou delirar, vislumbrar uma possibilidade longínqua, que se permitiu gozar ao ver o que foi mágico, o que poderia ser encantatório aos seus olhos. O que faz passa há um patamar de constância que incomoda todos os seres vivente do mundo de meu deus, logicamente por não saber a necessidade antropológica de suas atitudes. Tudo se torna uma verdadeira comédia dos netos do homo erectus, quando, ao necessitar de uma forte relação monológica com seus condescendentes, teme, desconfia, maltrata, queima em fogueiras de nova era o que se necessita dar em troca como se vêm nas cirandas, em tempos ainda menos remotos, medievais. 
Perdido na estrada da procura depara-se com o que para ele era origem. A ação de contemplar, em dia de seus quinze anos, a entrada de uma luz, a entrada de pessoas, duplos dele e dele mesmo, fez surgir em sua mente fenomenal a possibilidade de estar ali, comungando... não sendo ele. O seu olhar se preocupou com o simples treinamento do olhar. Seus olhos, encharcados de vitamina A, passaram a ansiar a vivência de uma composição. 
Neste dia de ação contemplativa refletiu consigo mesmo que o necessário seria estar com seus múltiplos duplos fazendo duplos de outros. Seus olhos não piscaram. Sua barriga produzia a sensação típica dos que têm medo, sua boca a toda hora entreaberta. A visão proporcionou o gozo fatal que o levaria para arte das relações humanas, a arte da pessoalidade, a arte da luta contra o ego, contra ele, contra os seus duplos que estavam ali, em sua frente, em seu olhar, no seu extremo e simples dom, naquela época de olhar
Sem nenhum fino treinamento, naquele dia de contemplação e naquele espaço escuro que agora se iluminava ele matou tudo o que era ele, o que tinha construído durante quinze anos e seu enterro aconteceu logo quando tudo voltou a escurecer. Percebeu que ele precisa ser muitos, ser duplos de outras crenças, precisa das relações. Ele precisava da complexidade do informalismo, no artificialis da techné, precisava que alguém varase a sua alma colocando-a em transcendência das relações, do humano, da ferida do mundo. Precisava provocar o auto conhecimento que tinha alcançado em outros seres artificialis. O mesmo autoconhecimento provocado pelo gozo, pelo olhar pedindo treinamento.
Hoje, surra a própria alma pelo desgaste das relações, pela não existência de porto-ânsia para a soma e pela obcecada ânsia sua em seu objetivo sumo-utópico-niilista. As almas parecem não se entranharem, mas o somatório ainda não é crível e viável. Deprimido, grita que quer uma ideologia. Culpa do dia contemplativo que, naquele espaço escuro se ouviu um "Se gozou, pague!", em alto e bom som. Pago por isso todos os meus dias e não tenho vislumbre de largar meu quinhão. E ao mesmo tempo que culpa Ronaldo Braga por aquele dia contemplativo de 2002, agradece pelo autoconhecimento, pela vida que foi dada e por caminhar combatendo os seus duplos e sendo combatido por outros. Por causa da sensação desse dia ele continua caminhando.
Diego Pinheiro

Um comentário:

Diego Pinheiro: disse...

Quando se está perdido volto as minhas origens.

Obrigado, professor.