segunda-feira, março 26, 2012

A palavra ferida





Ali, na minha frente a folha branca era um desafio, melhor uma ameaça
eu riscava letras e tentava cavar palavras,
mas nada além de ocas palavras gritavam de volta a uma pagina vazia.
E escrever era brigar
e não era como um tiro na testa que lhe mata depressa
antes era como briga de faca que de mansinho lhe corta e aos poucos dores e mais dores.
E numa crueldade premeditada lhe fatia e não lhe mata.
A agonia do sangue escorrendo e a falta de outra escrita
e passa o tempo e letras e letras atonitas
sentidos escorregadios impertigados nem lhe olham.
Silencio forte
e a nova pagina tambem vazia
tambem em branco
tambem amassada
tem o mesmo destino:
a lata do lixo.
E escrever é como briga
e a faca numa direta em meu figado me empurra para a rua
lá eu encontro nos muros, nos bares
a palavra chorada
a palavra escondida.

ronaldo braga

2 comentários:

anjobaldio disse...

Muito bom!
Grande abraço.

Anônimo disse...

Palavras e silencio que jamais se encontrarão... muito bom mestre!