sábado, março 31, 2012

Manhã em Lajedão

para Dora, vaqueira, mulher guerreira e destemida.



Ela com uma faca na mão tremia nas ruas e o sangue da outra descia pelos seus dedos aliviando e oprimindo seu doído peito. O sol escaldava passados e a filha, por escolha e não por sangue, martelava suas lembranças entre o sentimento de mãe e a dor da traição.
O mugido do boi ainda ocupava seu crânio em um desesperado jogo de ilusão e certeza e uma triste sensação da tarefa não cumprida agoniava seu andar firme por entre os tropeços de seus pensamentos .
- Vou mata-la e dessa vez não errarei, não posso errar - gritava seu silencio enquanto caminhava voando por entre pedras e carros de Lajedão.
A ideia fixa de matar os dois competia com a certeza de se entregar.
A faca colada ao braço e presa à mão direita a fazia forte e determinada, não, não era possível a cena daquela manhã,
A lembrança da nudez feria seus olhos numa cegueira de morte e dor, ele e ela na sua cama riam do suor que ela derramava no pasto e enquanto o dia berrava desesperos contidos, a beleza calada a observava em um trabalho árduo mas carinhoso com o seu jeito de ser mulher.
Bois e vacas e cavalos, o seu dia duro era a sua vocação e não a fazia tremer, antes enfrentava chuva e o sol ardente com um sorriso belo nos olhos e gestos firme e sedutores de mulher.
A cidade covarde se escondia em falsas bondades e pedidos de justiça, e ela sabia que a justiça ela fazia ou então era somente enganos e sofrimentos e fugas. Não, ela sabia o que queria e fugir não combinava com o seu existir, o que ela temia era ter falhado no ato e permitir que víboras assim respirassem um novo dia.
Matar era preciso, mas também viver era preciso a filha dela era a sua filha querida e ela viveria pela criança.
O dia caminhava lento e preguiçoso e com faca na mão se dirigiu até a lei.

ronaldo braga

segunda-feira, março 26, 2012

A palavra ferida





Ali, na minha frente a folha branca era um desafio, melhor uma ameaça
eu riscava letras e tentava cavar palavras,
mas nada além de ocas palavras gritavam de volta a uma pagina vazia.
E escrever era brigar
e não era como um tiro na testa que lhe mata depressa
antes era como briga de faca que de mansinho lhe corta e aos poucos dores e mais dores.
E numa crueldade premeditada lhe fatia e não lhe mata.
A agonia do sangue escorrendo e a falta de outra escrita
e passa o tempo e letras e letras atonitas
sentidos escorregadios impertigados nem lhe olham.
Silencio forte
e a nova pagina tambem vazia
tambem em branco
tambem amassada
tem o mesmo destino:
a lata do lixo.
E escrever é como briga
e a faca numa direta em meu figado me empurra para a rua
lá eu encontro nos muros, nos bares
a palavra chorada
a palavra escondida.

ronaldo braga

segunda-feira, março 19, 2012

Paulo henrique amorim detona lula em 1998, veja a resposta do molusco




O jornalista Paulo Henrique Amorim em 1998 detonou o candidato do pt à presidencia da republica, assista a resposta do lula em um direito de resposta imposto pela justiça, hoje o Paulo Henrique Amorim ganha uma fortuna da caixa economica federal em um patrocinio de seu blog para defender o pt e o lulismo. Esse Jornalista que antes via em lula o diabo hoje enxerga em lula a honradez.
Neste video lula detona o PROER e depois já na presidencia o honrado lula vende como algo maravilhoso, ele se coloca contra qualquer difamação o que depois de 2003 passou a ser a pratica do petismo-lulismo.
A pratica do pt é comprar mercadorias que falam e o detonam e o jornalista Paulo Henrique Amorim de forma magica passou a ver em lula não mais o malfeitor e sim um homem honrado e persequido.
Veja o video e cuidado com o seu voto o pt tenta impor no brasil a ideia da submissão total e nos coloca como os cubanos que pedem autorização para viajar ou então são presos.
eu voto nulo e vc o que faz com o seu voto?



e veja tambem o lula contra a roseana sarney que hoje ele chama de gente boa e que antes era gente que mentia descaradamente na televisão


Antonio Morato da Silva

domingo, março 18, 2012

retorno à pedra ou insônia mineral e pacho villa e Cuando Mataron a Villa

Cuando Mataron a Villa





Pancho Villa







Ali, onde germinavam as sementes do lodo
onde se gestava o abandono das mãos ao corpo das fêmeas
onde se iluminava a premonição do uivo das onças
descansei minha infância e minha inocência pela última vez

o tempo me atravessou desde então
com suas estações íntimas e seus carnavais urbanos
alargando margens e esvoaçando arestas
tecendo em minha espinha essas indecifráveis relíquias marinhas

Naquele chão sem chão
onde reluziu pela primeira vez o azul da pedra
o fogo fátuo do infinito agreste
e a desolação de uma luz sem túnel
desgarrou-se a esmo a Cabra da Imensidão

essas cicatrizes, essas iluminuras
e todas essas outras ampolas de vidro espalhadas sobre a mesa
testemunham a mais espraiada das noites e suas ousadias geográficas:
o final tardio de um demorado sacrifício

Os passos que à aurora beijam nesta ágora
se reclinam sobre essas estranhas águas novas
enquanto entoam a melodia indecifrável
contra o relinchar da horda:
multiplicada insone e vaga

Ébrio e proscrito, sussurra o velho à alvorada
uma história larga de aventura e perseguição
fermentada em ervas, destilada em asas, curtida em brasas
ao tempo em que a espera se alça ao fosso
onde flutuam seus óxidos suas espadas suas ilusões

Desdobra-se no sono imóvel dessas várzeas
o rastro da Sombria da Emplumada
às vísceras da pedra o sol invoca
meu retorno cego ao sem sentido das origens
a vertigem inominada se apodera do meu corpo e o atira
no precipício frente à procissão dos carros que ultrapassam a fronteira do semáforo
às vísceras da pedra a lua invoca
se escuta o uivo do Jaguar Alucinado
ferocidade e instinto de um ser que ignora
toda tristeza, toda miséria e toda glória

abraços

nuno gonçalves

segunda-feira, março 12, 2012

O NO ME DO LIVRO

RELEMBRANDO O FAROESTE ( MUSICA)





Atenção senhoras, senhores,poetas, leitoras e leitores, no dia 23 de março em LAJEDÃO, acontecerá o lançamento do livro de poesia e prosa " O NOME DO LIVRO" DE LUCIANO FRAGA E RONALDO BRAGA.
NÃO PERCAM
ONDE - LAJEDÃO
O QUE? - LANÇAMENTO DO " O NOME DO LIVRO"
E MAIS EXPOSIÇÃO DE:
PINTURA DO GENIAL ARTISTA PLASTICO NELSON MAGALHÃES FILHO E
FOTOGRAFIA DO POETA LUCIANO FRAGA.

Fotografias e videos do evento estarão aqui logo após acontecerem.
bjos e abraços e quem puder aparecer que apareça.
os inimigos serão bem recebidos

ronaldo braga

quarta-feira, março 07, 2012

NEM AVES. NEM PLUMAS. NEM CORAÇÕES.


resta o corredor vazio
o estômago congestionado
a mente embaralhada
nenhum céu. nenhuma brisa. nada de filosofia ou consolação.
apenas esse bordel com umas coisitas que resistiram à radiação:
até que venha a próxima chuva
até que o catarro asfixie a solidão
até que a espera seja atropelada na contra-mão...

nuno gonçalves