sábado, dezembro 29, 2012

O INICIO DO FIM OU DESMEMORIAS DE UM ASSASSINO



Um gosto azedo faz dormir todos os meus sentidos. O relógio marca 6.33 e o sono não desgruda o amargor podre de cigarro que agoniza minha boca e eu sei que é hora de preparos e vigília. Não há mais tempo para espera aqui neste buraco fedorento e quente.
Meu cerebro insiste em recordações, e qualquer recordação se torna pesadelo em mim, sou um fardo de dor e gritos, e se antes nunca me incomodei, agora essas lembranças paralisam ,em algum lugar de meu ser, uma tortura involuntária que se apega em meu estomago como carrapato e fustiga incertezas.
Sou um assassino em sua reta final, digo a mim mesmo, e lembro de confidencias de outros assassinos. Foi na prisão que eu ouvi falar pela primeira vez no gosto azedo de cigarros, e soube que era o fim de carreira, um sujeito assim fica lamentando mortes e buscando por todos os meios justificativas. E ai é o fim, o inicio do fim.
Tomei um banho, escovei os dentes e vomitei mortes por dois minutos, e novamente senti a minha perna tremer. Vomitar mortes é por demais perigoso, pessoas saíam de dentro dos meus escarros e deixavam mais amarga a minha boca.
Começo a pensar no que faço e isso é ruim, pensar sempre foi ruim, pensar é coisa de quem precisa do outro, de quem quer sorrisos, eu quero uma boa mira e campo livre para a fuga.
Agora já pronto me vejo sentado, ouvindo choros, pedidos de clemencia e envolvido ouço o passado. Tento inutilmente me concentrar em meu próximo serviço, naquele corpo que cairá e eu então poderei calmamente realizar mais uma marca em minha arma. Sete horas e vinte minutos, um silencio mortal ocupa tudo é hora de partir, verifico a munição, e então estou realmente pronto. O motor do carro anuncia a chegada do transporte. Aquele homem me levará, ele vai identificar o alvo e não sabe que tambem morrerá, ganhei pra isso. Alguém não confia e quando isso acontece eu trabalho. Sempre soube da sua importância. Em toda cidade, pequena ou grande meu trabalho alivia o tédio dos medíocres, o medo divulga a essas almas penadas que talvez eles foram EM UM PASSADO REMOTO, como eu. E uma sensação de vida percorre aqueles corpos por alguns dias e depois a morte reinará por entre risos falsos e metas sem metas.
Entro no carro e o homem já velho me olha como um morto e ri um medo que me da medo. Ele sabe, insisto em pensar, e o gosto de cigarro desaparece.
 Estou pronto para matar.
ronaldo braga

segunda-feira, dezembro 24, 2012

poesia


10:31
 



poesia é sintetizar,
é tornar sonhos a realidade crua,
é fazer das palavras brincadeira, 
é desconhecer o valor das palavras como são reconhecidas. 
Poesia é antes de mais nada transtornar os sentidos, 
ou seja é uma embriagues

ronaldo braga





domingo, dezembro 23, 2012

The Gins e a poesia de joão pedro braga


Hoje eu acordei na escuridão que antecede o novo dia
Havia música nas ruas.
Sinfonia dos bichos que conhecem o mar de cima.
Me contavam que o vento passeia os lugares mais bonitos do globo
E que giramos junto a terra sem nenhum esforço.
Conhecendo os nomes das nuvens
O simples é tão bonito pra quem tenta não entender absolutamente nada.
Não há cores nos predios ainda.
Mas eu pinto imaginação com o que escuto
Eles cantam em dó menor
Parece música.
Mas é vida.
E ela é linda. Pra quem acorda antes dos carros.
São 4:00hrs da manhã
Abro asas á imaginação no relaxar das pálpebras.

(João Pedro Braga)

The Gins!
caio braga santana, na guitarra e voz. clélio lemos na voz e tambourine, peu fernandez no baixo e dinho batera na bateria


The Gins! - Summer's Gone (Live)




sábado, dezembro 22, 2012

MEU NOME E PECOS (1967).COMPLETO


Gosto deste filme, gosto da lei de pecos. Como eu ele não se importa com dinheiro, cospe no dinheiro dos merdas capitalistas e bostas comunistas. R.B

sexta-feira, dezembro 21, 2012

a poesia de leila maria


As abelhas que não vão para o céu




Enquanto o vento desliza
Chegando aos quatros cantos do orfanato
Onde as freiras tomam chá,
Pegam cachecóis,
As abelhas que não vão para o céu.

Enquanto o terço é colocado sobre a batina
Do padre que iniciará a celebração
Da sonolenta missa da madrugada,
Produzem mel,
As abelhas que não vão para o céu.

Enquanto o sol se põe 
No domingo de páscoa cinzento
E as crianças comem chocolates caros,
Cheiram rosas,
As abelhas que não vão para o céu.

Enquanto são ameaçadas
Pelo símbolo da cruz,
Ferroam os fiéis,
As abelhas que não vão para o céu.

terça-feira, dezembro 18, 2012

A poesia de João Pedro Braga Sant'Anna



 
‎"Nem sei dessa gente toda
Dessa pressa tanta
Desses dias cheios
Meios dias gastos"

domingo, dezembro 09, 2012

Nasceu Maria Alice a deusa das savanas, dos alpes e dos silencios.

são sete horas de espera
são sete pensamentos dispersos,
são sete copos entornados.

Um grito estoura a praça
um uivo ocupa a noite
um riso se abre  
um choro se ouve de perto de longe 

Plantas, bichos, gentes e povos antigos cantam:
Nasceu Maria Alice a guerreira sem fronteiras,
Nasceu Maria Alice a deusa das savanas, dos alpes e dos silencios.
Nasceu Maria Alice o suspiro de prazer de nuno e maira.


ronaldo braga

Blues da escravidão à conquista do mundo


quarta-feira, dezembro 05, 2012

A taxa de marginalidade e os homens sem digitais


Descem as escadas pro metrô aos montes
Nos bairros periféricos, rostos são marcados
À noite, se escondem sob o terror
São forçados pela opressão
Manipulam a paz
Determinam a guerra.

Homens terroristas
Seres aterrorizados
Por quem?
Por quê?

Quem escolheu o que fazer
Foi morto pela fome
Quem teve coragem de lutar
Foi pego pelo Estado

Marcados para sofrer
Registrados como delinquentes. 
E os bolsos dos inconscientes
Cada vez mais fartos
E a vida do dirigente
Cada vez mais fácil.


Desde que se fez gente
Ser humano é mistério.
Ser humano é caso sério.

A POESIA DE LEILA MARIA

segunda-feira, novembro 26, 2012

a poesia de joão pedro braga


O raso

Há tanto
Que parece ser escasso
Tanto o tempo quanto o resto
No limite de espaço.

Que em ti reside
O Raso.

Mas nem tudo é oque aparenta
Tire a venda dos seus olhos
Que são as janelas da tua alma.

(João Pedro Braga)

domingo, novembro 18, 2012

Para rafhael cova rasa, essa é a primeira parte a segunda vem depois

DAVI - Não posso dizer nada, pois o que eu digo sempre foi nada. O que você quer além de sexo e drogas? Minha vida?
TONHA DOIDA – Maldito, o que você acha que uma mulher pode desejar?
DAVI – Somente brigas e facadas e cadeia, nada mais tive do seu lado.Corta essa de desejo de mulher. Você é apenas uma boceta feia e já por demais
aberta.
TONHA DOIDA (com uma faca na mão esquerda) – canalha, porco. Eu te conheci numa cela seu merda, esqueceu. O senhor não é nada e nunca teve nada e nem mesmo uma mulher, somente eu te aturo e não vou permitir que vc fique com ela, com ela não. Eu te mato seu sacana fodido, aidético, escroto.
DAVI– Não toque nela, e é com ela que eu vou beber . Ouça bem sua cadela te quero longe de mim e da Manuela.
TONHA DOIDA – ( AMEAÇANDO COM A FACA) Eu mato os dois. Ouviu bem. Vou em casa e vou quebrar tudo e queimar suas roupas e depois vou procurar vocês e matar os dois. (sai espumando e gritando).
Manuela ( o tempo todo distante, se aproxima com a saída de Tonha Doida) Davi, essa mulher é doida .
DAVI – Completamente, mas vamos esquecer essa cadela. Vamos beber, o bar de pereba ainda ta aberto.
MANUELA – E se ela aparecer.
DAVI – Eu quebro a cara daquela vagabunda.
MANUELA – As vezes eu me sinto como ela, abandonada, e ao contrario dela, eu fico triste e bem quietinha.
DAVI – ( lendo uma folha retirada do bolso) agora eu observo um eu de dentro do meu fora e sei o quanto diferente sou eu mesmo, e a cada minuto uma nova dor me abraça e festeja minha desgraça, meus amigos abraçam todas as porcas figuras, as sinistras figuras e eu sorrindo um asco velho e doente sinto nauseas de todos os bons pensamentos. Não sei o que quero e nem sei se quero, apenas quero olhar esse meu olhar e duvidar deste brilho oco que se insinua por toda a minha pele.
Sou um outro que aspira um silencio quieto e solitario.
MANUELA – É assim que eu me singto e isso é loucura, o outro eu. Seus texto sempre me incomodam, mexem comigo
DAVI – Escrevi ontem. Vamos beber e comemorar a vida. Bom depois uma facada pode matar nós dois e a noite já começa a sumir.

tem algo rindo de mim e de dentro de mim

agora eu observo um eu de dentro do meu fora e sei o quanto diferente sou eu mesmo, e a cada minuto uma nova dor me abraça e festeja minha desgraça, meus amigos abraçam todas as porcas figuras, as sinistras figuras e eu sorrindo um asco velho e doente sinto nauseas de todos os bons pensamentos. Não sei o que quero e nem sei se quero, apenas quero olhar esse meu olhar e duvidar deste brilho oco que se insinua por toda a minha pele.
Sou um outro que aspira um silencio quieto e solitario.
ronaldo braga

sábado, novembro 17, 2012

Friedrich Nietzsche


"Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar para atravessar o rio da vida - ninguém, exceto tu, só tu. Existem, por certo, atalhos sem números, e pontes, e semideuses que se oferecerão para levar-te além do rio; mas isso te custaria a tua própria pessoa; tu te hipotecarias e te perderias. Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar. Onde leva? Não perguntes, segue-o. "




Friedrich Nietzsche

terça-feira, novembro 13, 2012

PÓ & CIA

Não entendo você
Com ternos, gravatas
E eternas regras,
Sugestões impostas.

Sou feito de retalhos
Migalhas
E sorrisos.
Sou palhaço sem fronteiras,
Sou curinga com papel e caneta na mão,
Sou o novo, profundo e destemido.
Sou filho da puta da esquina
Sou querido pelos filósofos boêmios.

Sou pó & cia.
Sou  po-e-sia.

LEILA MARIA.
Leila Maria Uma jovem linda e que juntos com outros jovens labutam o escrever e traduzem em palavras os sentimentos que captam de uma vida recente e cheias de abismos, riscos, risos e lagrimas.
Leila Maria um grande beijo e saiba a luta é árdua e inglória.

segunda-feira, novembro 05, 2012

segunda-feira, outubro 29, 2012

domingo, outubro 28, 2012

SALVADOR VENCEU

SALVADOR VENCEU
Agora posso gritar, Salvador venceu o medo e apesar de ameaças dos secretarios do Wagner e de açmeaças vindas de desordeiros comunistas, Salvador manda um recado aqui tem vontade propria, Salvador não é feudo de lula e nem de dilma, salvador é uma cidade negra, livre, primitivistA, e que acima de tudo pensa e respeita a todas as formas de expressão e o pt veio com ameaçãs, furtos, mentiras e o povo disse sim a esperança, disse sim ao trabalho e disse não aos que pensam que são donos das mentes. Salvador rumo a mundança do brasil, aqui se aprende que trabalhador vive de seu suor e não de medo.
Hoje é um dia prara entrar na hiostoria é o dia que salvador espantou o medonho pra bem longe.
Parabens neto e trabalhe e respeite o povo e vamos derrotar o pt em 2014. pt só na cadeia

segunda-feira, outubro 22, 2012

ANTONIO E SUA DOCE TELMINHA


Desde pequeno Antonio era teimoso e não adiantava explicar, até provar que ele continuava na sua verdade, e quando ele não podia contrariar a prova dada ele arrematava:
- Pode até ser verdade o que os senhores e as senhoras falam, mas eu vou votar neste partido e neste candidato.
Pai, mãe e irmãos desistiram de qualquer convencimento, e mesmo depois que os jornais noticiara a prisão do político ele afirmou com uma força descomunal-
- É tudo mentira, os juízes, a imprensa e os ricos estão de conluio para prejudicar, esse honesto político.
O tempo passou e Antonio então anunciou que iria moraR com  TELMINHA.
-Com a TELMINHA,  meu filho?
- Sim minha mãe, com a TELMINHA, a doce e bela TELMINHA.
O pai olhou e nada disse, apenas encarou o filho com uma cara que denunciava todo o seu desgosto e preocupação.
Antonio então tomou banho, se arrumou  e saiu para encontrar com a sua doce TELMINHA.
O pai, a mãe e os irmãos de Antonio estavam derrotados, a mãe disse inesperadamente
-Não vou permitir que essa doce TELMINHA destrua a nossa família de novo- disse e olhou o pai nos olhos
A filha sem entender esbugalhou os olhos e perguntou
- Mamãe, destruir de novo? como?
-Pergunte ao seu pai – A mãe disse isso e correu chorando para a cozinha e entre pratos e temperos afogou toda a sua dor. O pai cansado e completamente abatido gaguejou-
- Vou tomar uma cachaça em Karrate. E de forma atrapalhada disparou para a rua.
O tempo passou e o silencio reinou naquela casa, que antes era alegria e alvoroço em todos os momentos. A mãe então depois de tanto esperar intimou o marido
-O senhor já explicou para o seu filho toda a verdade de TELMINHA?
O marido totalmente abatido suspirou-
- Não tenho coragem.
A chegada do filho fez a mãe explodir.
- Antonio, sua TELMINHA, foi amante de seu pai ou ainda é?
Antonio fitou o seu pai e depois calmamente disparou
- Minha mãe querida a Telminha é um anjo e essa historia de ser amante de meu pai é uma baixaria que eu não esperava.
E saiu pra nunca mais voltar.
Casaram –se dois meses depois e um mês após o casamento, Antonio recebeu uma carta anônima que narrava toda a vida pregressa de sua amada TELMINHA.
Antonio rasgou a carta em mil pedaços e manteve intacta a sua capacidade de não mudar de opinião e nem mesmo diante de qualquer prova.
Acreditando que fora sua mãe  a autora daquela carta maldita, que queria acabar com a sua felicidade, resolveu por fim nesta difamação de sua mãe, decidido então foi até a casa da sua infancia  para pedir a mamãe que deixasse em paz a sua vida. No caminho encontrou Totó um amigo de infancia e que nada sabia da historia recente da familia de Antonio, e os dois conversaram muito e ao se despedir Antonio falou da do motivo de sua visita e Totó lhe informa que a mesma  tava hospitalizada, Antonio pensou então de ir ao hospital, mas como já estava perto resolveu conversar com os irmãos.
A casa estava fechada e ele foi então pelos fundos e devagarinho empurrou a porta da cozinha e encontra a sua doce TELMINHA NUA sentada no colo de seu pai.
Antonio perplexo nada consegue falar mas percebe a faca na mesa e com furia mata a sua doce TELMINHA, mata o seu pai, segura a mão de sua doce TELMINHA e  enfia a faca com vigor em sua propria garganta.
Quando a familia chegou em casa encontrou, o pai virado pro lado esquerdo, Antonio  segurando firmemente a mão de Telminha que sentada olhava o teto, os três já estavam mortos e o sangue já tinha coagulado.  A mãe calmamente, segurou o seu filho e beijou na face
- Filho, agora você acredita.

ronaldo braga

LEMBRANDO NELSON RODRIGUES

domingo, outubro 21, 2012

Tudo pelo social!!! Esta mulher puniu trabalho escravo em empreiteira do “Minha Casa, Minha Vida” e foi posta no olho da rua pelo governo Dilma

Vera Lúcia Albuquerque: punição a empreiteira amiga do Planalto por trabalho escravo rendeu-lhe a demissão. Afinal, é um governo “progressista”…
Por Adriano Ceolin, na VEJA:
Na próxima semana, o Diário Oficial da União vai publicar a exoneração de Vera Lúcia Albuquerque, secretária de Inspeção do Trabalho do Ministério do Trabalho. A servidora ocupava o cargo havia quase dois anos e, nos últimos meses, começou a ser pressionada para não cumprir o seu dever. Em março do ano passado, fiscais do Ministério do Trabalho depararam em Americana, no interior de São Paulo, com uma daquelas cenas que ainda constrangem o Brasil. No canteiro de obras de uma empreiteira responsável pela construção de residências do projeto Minha Casa, Minha Vida — o mais ambicioso programa habitacional do governo federal para a população de baixa renda –, foram resgatados 64 trabalhadores mantidos em condições tão precárias que, tecnicamente, são descritas como “análogas à escravidão”. Eles eram recrutados no Nordeste e recebiam adiantamento para as despesas de viagem, hospedagem e alimentação. A lógica é deixar o trabalhador sempre em dívida com o patrão. Assim, ele não recebe salário e não pode abandonar o emprego. É o escravo dos tempos modernos.
Eis o alojamento oferecido pela empreiteira amiga do Planalto aos companheiros de Dilma Rousseff; trabalhadores “deviam” dinheiro à empresa e não podiam deixar o trabalho
Os fiscais de Vera Lúcia encontraram trabalhadores em condições irregulares nos canteiros de obras tocadas pela MRV, a principal parceira do governo no Minha Casa, Minha Vida. Isso colocou a construtora na lista das empresas que mantêm seus empregados em condições degradantes, o que as impede de fazer negócios com a União e receber recursos de órgãos oficiais. Assim, em obediência às regras, a Caixa Econômica Federal suspendeu novos financiamentos à MRV, cujas ações perderam valor na bolsa. O que Vera Lúcia não sabia é que muita gente acima dela considera a construtora intocável. Ela conta que começou a receber pressões de seus superiores no ministério para tirar a MRV da “lista suja”. A auditora resistiu, mas as pressões aumentaram muito depois de uma visita de Rubens Menin, dono da MRV, ao ministro do Trabalho, Brizola Neto. Desde então, ela passou a ser questionada pelos assessores do ministro sobre a legitimidade da inspeção da obra de Americana. Um deles chegou a insinuar que os fiscais não tinham critérios nem qualificação para autuar as empresas. “Estão querendo pôr um cabresto político na inspeção do trabalho”, disse Vera, dias depois de renunciar ao cargo.
Após a incursão no Ministério do Trabalho, Menin e diretores procuraram Maria do Rosário, ministra da Secretaria de Direitos Humanos, e Gilberto Carvalho, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência. Eles tentaram demonstrar que os problemas apontados pela inspeção já haviam sido resolvidos. Na conversa com a ministra Maria do Rosário, a construtora se ofereceu para aderir ao Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo, convenção entre o governo, entidades da sociedade civil e empresas. “Ainda assim, pelas regras, não havia como tirar a MRV da lista”, disse José Guerra, coordenador-geral da Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo.
Pressão sobre Vera Lúcia cresceu depois que empreiteiro falou com Brizola Neto (acima), cujo primeiro emprego da vida é ser ministro do… Trabalho!!!
Além da falta de pagamento de salários e da retenção da carteira de trabalho, os fiscais encontraram o alojamento em péssimas condições de higiene, além de comida de má qualidade e estragada. O relatório da fiscalização listou 44 infrações na obra, comprovadas por meio de fotos e depoimentos de trabalhadores. “Os trabalhadores tinham restringido seu direito de locomoção em razão de dívida contraída com o empregador, da retenção de suas carteiras de trabalho e, principalmente, por meio do não pagamento do salário”, diz o relatório. Assinado por dois auditores fiscais, o documento afirma que a MRV usou empresas terceirizadas para diminuir custos trabalhistas e aumentar a margem de lucro do empreendimento: “Os contratos de prestação de serviços firmados pela MRV não passam de simulacros”. Os fiscais também registraram o fato de que os proprietários das empresas terceirizadas eram ex-funcionários da própria MRV.
Esse é Rubens Menin, o empreiteiro amigo do Planalto: falou com Brizola Neto, Maria do Rosário e Gilberto Carvalho. E Vera Lúcia caiu! Viva o governo progressista!

terça-feira, outubro 16, 2012

terça-feira, outubro 09, 2012

o amar e ser amado






Mino sonha Daniela, e é um sonho distante, triste e ela o olha como se ou ele ou ela estivesse morto.
Mino sonha Daniela e em seus sonhos os sorrisos são ocos e os beijos frios.
Mino sonha Daniela e cada vez que sonha mais ela parece uma figura dos seus sonhos, a realidade estava sumindo, o cotidiano se confundia e ele não sabia se estava influenciado pelo sonho ou estava ficando louco, uma coisa Mino tinha certeza, ele não queria e nem imaginava como viver sem ela.
Foi uma dependência que ele nem mesmo sabe como começou, só que agora as coisas estavam de uma forma tal que ele simplesmente entrava em total desordem interna quando, por exemplo, na fila do caixa de um supermercado, ela resolve buscar um produto e demora um pouco além do esperado: todas as coisas e pessoas ganham cores e contornos diferentes e o pior, são contornos sempre aterrorizantes e aí quando parece que a coisa toda vai explodir, ela chega e tudo então volta ao normal:
O circo ao seu cotidiano.
Mino sonha pesadelos de nervos soltos pelos seios de Daniela e os nervos risonhos são na verdade fotos cortadas de Mino.
Mino acorda em total desarmonia, acorda e percebe que tudo ta acabando, acabando, não como em um sonho mas como em um pesadelo.
Mino dorme como um assassino cristão e acorda como um cruel ateu, a matéria começa a se dissipar em seus olhos e tudo é azul e cinza na sua cabeça.
Mino acorda e naquela manhã, com um sentimento estranho a lhe morder as entranhas, ele sente que Daniela está sutilmente diferente, e com medo vasculha todas as possibilidades de ter feito algo nocivo ao relacionamento.
Será ele a razão da tristeza dela?
Mino busca com agrados e carinhos manter sua Dani feliz, mas sempre passa do ponto, sempre seus mimos são em demasia e Daniela se sente sufocada e o acusa de não deixar espaço para ela viver.
Os últimos dias para Mino foram terríveis, dúvidas martelavam seu cérebro, dores constantemente na cabeça e a cada ato dele, feito com todo esmero para agradar, acabara sempre com ela zangada e o acusando.
Hoje acordara mais assustado que nos outros dias, mas ao levantar e sair do quarto encontra Daniela nua e como ela estava linda e parecia que ia voar, ela, na sua frente, distante sem nada ouvir ou ver.
Mino, quieto se aproxima e como um estranho a observa:
Mino pensa que ela o ama e ele era que tava vendo coisas.
Daniela fria e distante sabia da derrota, ele não era incomum e também assim como os outros, tinha medo de planos, de conquistas.
Daniela sabe do vazio do seu amor e sabe exatamente que ele não é o homem que ela deseja.
Mino: agora ela percebia, é apenas mais um homem na sua vida, até quem sabe aparecer um outro.
Daniela levemente sorrindo, pensa que sempre existe a esperança em um novo começo, quem sabe o próximo não seja o homem com quem vá construir um futuro, com objetivo e objetivos. Daniela percebe a chegada de Mino e o olha com carinho.
Mino a abraça e a beija e ela o beija e diz que o ama e que ele é o homem de sua vida.
E naquela manhã cinza e azul enquanto fazem amor ela o obriga a dizer que a ama, mais de uma dezena de vezes.
Mino dorme feliz e com o corpo disposto acorda com muita fome e jovialidade.
Daniela o ama muito mais que ele a ela. E com esse pensamento fixo, Mino pode sonhar um futuro onde os sorrisos ocos e os beijos frios sejam materias dos seus sonhos.

ronaldo braga

quinta-feira, setembro 20, 2012


Ainda O livro “Metáforas para um duelo no sertão”, de Linaldo Guedes


O SERTÃO DO SER TÃO

Por Wander Shirukaya

 “Tem vida, nome, história, algo que é raro de se ver hoje em dia em tempos de poesia metalinguística”, diz o escritor Astier Basílio sobre a poesia do paraibano Linaldo Guedes. De fato, um dos maiores méritos de Metáforas para um duelo no sertão (Patuá, 2012) está exatamente neste ponto. Nos últimos tempos a produção poética tem se voltado demais à metalinguagem, fato que tem se mostrado o novo lugar comum, zona bastante confortável, pois o poeta não precisa se mostrar, não discute, e pouco transcende os rodeios feitos da poesia sobre poesia. Parece que é hora de mostrar que a poesia que queremos deve ser bem mais do que um cão correndo atrás do próprio rabo. E nesse ato de “dar a cara a tapa” é que o terceiro livro do poeta de Cajazeiras acaba se sobressaindo. 

Metáforas para um duelo no sertão traz uma grande variedade de poemas que, em sua maior parte, se mostram como pequenas narrativas ou retratos da solidão. Para tanto, a imagem do sertão é o foco principal. A impressão que se tem em muitos momentos é a de liberdade, mas uma liberdade conquistada a duras penas, soando serena no que se abre a quem lê, como em “Pote de ouro”: (no fim do arco-íris/o olhar do vaqueiro/ em preto e branco).  Especialmente nos primeiros poemas da compilação, o que se vê é uma expressão do homem sertanejo e de sua lida, temas que podem ser facilmente relacionados ao autor destas obras. Se tal coisa se pouco interessa no aspecto estrutural, por outro lado engrandece a experiência trocada entre autor, obra e leitor, mostrando uma poesia mais preocupada em falar da vida do que falar de si mesma. Não que a metalinguagem não apareça, mas o que predomina é o uso desta a serviço de outros temas e expressões, tal como se vê em “Poesia com T de tédio”: quando soube que minha poesia/ tinha efeitos colaterais/ fechei meus verbos/ rasguei os versos/ e fui ler Olavo Bilac! Sim, a poesia de Linaldo mostra efeitos colaterais, mostra as vísceras e não se esconde em malabarismos tão comuns da poesia hodierna. O bom uso da metalinguagem pode ser visto também em “Da falta de inspiração”, que desloca o tema para uma ambientação erótica sutilmente cafajeste: às vezes/ a dificuldade do poema/ está/ no olhar que não surge// na blusa/ que a musa/ teima em usar.  Por sinal, esse “ar de cafajeste” permeia muito dos poemas, em especial os da segunda metade do livro. Não entendamos aqui o termo como algo pejorativo, tem mais uma conotação jocosa e sacana, consequência do tom veladamente pornográfico utilizado. Tampouco podemos ver os poemas desse grupo como machistas, pois, em sua maior parte, sabiamente nos somos apresentados a um eu-lírico neutro, podendo ser visto por diferentes olhares, independente de sexo ou gênero, como em “Cunilíngua”: coito/ minete/ (ou seria minueto)? [...] quando abre flores e rosas para minha língua.

A grandeza semântica exposta em Metáforas para um duelo no sertão também abre espaço para uma boa disposição estrutural, mas sem muitas novidades. Neste aspecto, chamam mais a atenção os poemas mais concisos, de versos livres, mas não cansativos.   A grande força dos poemas da coletânea ainda parece estar mais na sensibilidade do poeta em criar belas e complexas imagens: com a pele do olfato/ transbordando águas/ entre coxas, buracos e palato: (“Condimento”). O resultado é um trabalho bem equilibrado que mostra toda a maturidade de um bom poeta.
A quem se deparar com esta obra, fica a certeza de textos bastante aprazíveis e de ousadia e coragem. O poeta não anda em círculos, não corre atrás do próprio rabo; uiva uma beleza nostálgica e serena, é leitura que trará boas sensações ao leitor astuto que a buscar.

Wander Shirukaya é escritor paraibano, autor do Blog do Shirukaya (http://blogdoshirukaya.blogspot.com.br/) Este texto foi publicado no site Silêncio Interrompido (http://www.silenciointerrompido.com/).

O livro “Metáforas para um duelo no sertão”, de Linaldo Guedes, pode ser adquirido no site da editora Patuá (www.editorapatua.com.br)

segunda-feira, setembro 10, 2012

Desativar para: espanhol
LA IGUANA

año 9  /  192  /  15 de septiembre de 2012





en este número : pequeño homenaje a Héctor Tizón ; cristina villanueva (CABA, arg);   fernando d’ Hiriart (tucumán , arg); gabriela bruch (témperley, bs as, arg);ana romano ( bs as , arg); nata zanotta ( tucumán , arg); marcelo vertua (bs as , arg) ; martín alvarenga ( corrientes, arg) ; ronaldo braga (brasil); josé cirigliano (a.brown, bs as , arg); antonio medinilla (témperley, bs as , arg); héctor cediel( bogotá , colombia); wenceslao maldonado (CABA, arg)



DIRECCIÓN: GABRIELA BRUCH

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 Un escritor no puede ser un bello pájaro ciego que canta para cualquiera, sino un hombre libre que dice lo que piensa.

HÉCTOR TIZÓN

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ANTOLOGÍA


próximo lanzamiento : NosOtros

I Antología Poética de La Iguana
una cuidada selección de autores argentinos

domingo, setembro 02, 2012

EU UMA JUSTA GANANCIA RÔTA




EU



Desespero nos escombros da seca,
sonho um nordeste sem medo.
Eu
guerreiro entre pantanos e cactos
e rochedos,
ainda,
pó, mandacarus, pedra e sal,
enfrentado  e fugido da morte.


Eu  uma justa ganancia rota
circulando vida infame dos beijos adocicados nas tristezas.

Eu
que ferindo espinhos esparramados em noites de sertão
e vivendo em dias de alcool e fumo
acalento 
deslumbrantes pensamentos assassinos.

Eu, 
lampião e  conselheiro, 
transtornado em teus beijos de vampiro
canto a morte em doce  melodias, 
numa breve escrita da vida.

Pois mesmo entre velhas canções
permaneço uma  recordação  perdida.
Eu 
sem remédio  
sou  um eu de um outro eu
calmamente sonambulo.

ronaldo braga

Para Linaldo Guedes, poeta do mundo que nasceu e reside no alto sertão da Paraiba

domingo, agosto 19, 2012

fragmentos


A poesia de Pedro Vianna

Fragmentos

ele pintava nuvens cinzentas para alegrar o azul monótono do céu
para romper a euforia dos gestos cada dia repetidos...

ele semeava cacos de espelho nas vias enviesadas de sua vida [...]
mas o tempo murcha torna-se algodoado desespera de recobrar sua consistência
recusa-se a avançar perde-se nos atoleiros lamaçais do esquecimento
geme como a hora que chega a seu fim
o nada mudado em ser vazio que se enche de outrem até extravasar
a morte não é outra coisa senão um… já não poder mais de aprender
[senão] arquivos transbordantes
lembranças espalhadas pelo chão
leito onde a morte engendra a vida
germinação teimosa
fragmentação desenfreada
tenacidade regressiva

jamais [de]ver voltar [a]o que foi sua vida
o que será [...]
o imposto de vida o preço a pagar o custo do poder de imaginar
invenção [...] eterna lengalenga que vale a ida sem volta
para a única verdadeira destinação conhecida

o desconhecido

nu como a pedra de lava do primeiro vulcão
frágil como a aurora da primeira jornada
poderoso como a precariedade do primeiro eu te amo

o desconhecido frente ao silencio que o rodeia
perdido nos confins do nunca dito
sofrendo cada fronteira franqueada
confessor das horas mortas apagadas pelos instantes sublimes
por este único segundo em que se troca o último olhar

e estranhos sobressaltos sacodem o partir
enquanto ao longe passam os tanques arrastando a desgraça esmagando o horizonte

e o estrupo do tempo prolonga-se o segundo torna-se século


de angústia e paixão
de uma realidade em verde-oliva



* Os colchetes e os pontos que figuram no texto não correspondem a cortes ou a supressões. Este longo
poema de 24 páginas foi voluntariamente escrito de maneira “fragmentária”, como uma reconstituição
de um texto descoberto com lacunas e versos truncados, permitindo assim criar ambigüidades e
duplos sentidos. O texto completo do poema, enquadrado por um pseudo-prefácio e um pseudo-postfácio,
pode ser lido (em francês) em : http://poesiepourtous.free.fr/poesiepourtous/poesiepourtous/FRG.pdf
                                                
1
Em francês, o adjetivo  généreux pode ser singular ou plural, o que significa que no original pode aplicar-se
tanto à “ele” quanto a “gestos”.
2
Em francês, o jogo de palavras é feito entre  “poder” (pouvoir) et “ver” (voir). Para restituir a ambigüidade, 
respeitanto as regências dos verbos, foi necessário optar pelo uso dos verbos “dever” e “ver”.
3
Em francês,  vert-de-gris quer dizer literalmente “azinhavre”. Mas o termo designou, por analogia de cor, o 
uniforme dos soldados alemães durante as duas guerras mundiais e, por metonímia, o ocupante nazista de 1940 a 
1944. Como a imagem do verso se refere a um golpe de Estado militar, pareceu-nos melhor traduzir o termo 
pour “verde-oliva”, preservando assim a conotação militar, esta cor sendo a dos uniformes do exército brasileiro



Fragments

il peignait des nuages gris pour égayer le bleu monotone du ciel
pour briser l’euphorie des gestes chaque jour répétés...

il semait des éclats de miroir sur les voies de traverse de sa vie [...]
mais le temps se fane devient cotonneux désespère de retrouver sa consistance
refuse d’avancer se perd dans les fondrières bourbiers de l’oubli
gémit comme l’heure qui touche à sa fin
néant mué en être vide qui s’emplit d’autrui jusqu’au trop plein
la mort n’est qu’un…
n’en plus pouvoir d’apprendre
[qu’] archives débordées
souvenirs éparpillés sur le sol
couche où la mort engendre la vie
germination entêtée
fragmentation débridée
ténacité à rebours

ne jamais [pou]voir revenir [à] ce qui fut sa vie
ce qui sera [...]
l’impôt sur la vie le prix à payer le coût du pouvoir d’imaginer
invention [...] éternelle rengaine qui vaut l’aller sans retour
vers la seule vraie destination connue

l’inconnu

nu comme la pierre de lave du premier volcan
fragile comme l’aurore de la première journée
puissant comme la précarité du premier je t’aime

l’inconnu face au silence qui l’entoure
égaré aux confins du jamais dit
souffrant chaque frontière franchie
confesseur des heures mortes effacées par les instants sublimes
par cette seule seconde où s’échange le dernier regard

et d’étranges soubresauts secouent le départ
tandis qu’au loin passent les chars charriant le malheur écrasant l’horizon

et le viol du temps se prolonge la seconde devient siècle


d’angoisse et passion
d’une réalité en vert-de-gris


* Les crochets et les points qui figurent dans le texte ne correspondent pas
à des coupures ou à des suppressions.
Ce long poème de 24 pages a été volontairement écrit de manière “fragmentaire”,
comme une reconstitution d’un texte découvert avec des lacunes et vers tronqués,
permettant ainsi de jouer avec des ambiguïtés et des doubles sens.
 Le texte complet du poème, encadré par une pseudo-préface et une pseudo-postface,

peut être lu à : http://poesiepourtous.free.fr/poesiepourtous/poesiepourtous/FRG.pdf


pedro vianna
Paris, Albarraque, Paris,
in Fragments


domingo, agosto 12, 2012





LA IGUANA

año 9  /  190  /  15 de agosto de 2012

en este número : wenceslao maldonado (CABA, arg); antonio medinilla ( témperley, bs as , arg); ronaldo braga (brasil); gabriela bruch ( témperley, bs as, arg); miguel hachen ( misiones, arg); cristina villanueva ( CABA, arg); raquel mongiello (deán funes , sta fe, arg); ana romano (bs as , arg); sagrario hernández (barcelona , españa); marta cardoso (gral pico, la pampa, arg); pedro du bois (brasil)


Dirección : GABRIELA BRUCH




‎70x90 oleo

obra de Nicolás Susque


La Puna no es sólo un desierto lunar cálido y frío; es una experiencia : allí se viven intensamente el silencio, la soledad , el desamparo. Y los seres humanos, se miran  a sí mismos como en un espejo, enfrentados a la razón de existir, a su destino más elemental.

HÉCTOR TIZÓN



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Ediciones de La Iguana
publicá con nosotros

participá de la colección Sur de Poesía, formato cuadenillo

libros: poesía , narrativa , tiradas a partir de los 100 ejemplares
Foto
en breve : "NosOtros ", I Antología de Poesía de La Iguana







terça-feira, agosto 07, 2012

METEORANGO KID O HEROI INTERGALATICO



filme baiano da decada de sessenta.
Um filme nada convencional


segunda-feira, julho 30, 2012

clemencia um filme de rita vieira


com argumento do poeta Luciano Fraga, roteiro e direção de Rita Vieira



Duelo entre o real e o imaginário no novo livro de Linaldo Guedes



A poesia de Linaldo Quedes é um grito carinhoso que continua mais forte no seu silencio, que nos pergunta o tempo todo sobre organização e alma, sobre vida e acordo, poesia que é um solapo em nossa quietude e ler Metáforas para um duelo no sertão do poeta Linaldo Quedes  nos permite um momento onde a quietude não é uma calmaria antes é uma necessidade de sobrevivência, pois é preciso depois da leitura fechar o livro e organizar o turbilhão de imagens, de buscas, de caminhos que de forma firme e duradoura ocupam nosso cérebro. 
Há e sempre houve muitos duelos no sertão, o sangue brota de peitos lacerados e cabeças erguidas, e o poeta  da Paraiba, nos revela um outro duelo dentro de todos os duelos sertanejos, o duelo que marca a fronteira entre o real e o imaginário, entre a escolha e o imposto, entre o ser e o nada , um duelo travado na fome que não nos devora e sim nos impulsiona como fortes para caminhar entre espinhos e sedes, a fome que  é o caminhar,  o viver entre nuvens de ideias e poucas certezas, a fome que nos mantem vivos.
É portanto desta fome que trata o livro do poeta Quedes, uma fome bela e que no sertanejo às vezes coberta como poeira por outras fomes pode nos aparentar fracos ou mesmo vitimas. E  a poesia de Linaldo não tem  a dor do fracasso ou da vingança, mas a serenidade da percepção que a vida sofre mas tambem é uma festa, é uma espera e é sempre uma luta dentro de muitas outras lutas. 

"meu pai sorriu
à sombra da goiabeira

nada de rugas na face
apenas névoa
de um tempo escondido pela sombra das horas."

O passado na figura do pai é de uma melancólica e doce  lembrança, não no sofrimento, mas na névoa que rescreve o rosto na falta de rugas e numa sombra, a da goiabeira, uma outra faz  suave e sábio o nosso existir, o das horas.
E enfrentando a religião sem raivas e sem medos ele afirma:
"matraca silenciosa
liturgia de augusto
remoendo
moendo
doendo
moenda
- bagaço de homem no altar dos sertôes".
E o poeta Linaldo Quedes brinca com sua infância, seu crescer, sua familia e entre alegrias e descobertas ele afirma a sadia desavença entre idades e sexos no ninho que um pouco revelado na sombra da goiabeira, salta agora em Lili, em Deci, Didi, Laura, em Laudeni, na galega Neném e se junta na rede com o pai embalado em natais onde a família tocaiava sonhos de olho no alpendre, pois sabedor que 
"liturgia de oração
- negação do jejum do prazer"
Linaldo declara:
"nunca conseguira entender a falta de pão"
Pois é com poesia que o poeta enfrenta dores e calunias
"sou um homem marcado
marcado para doer
gado preso no curral
quando não, abatido
comendo Baudelaire
na erva daninha de meu capim."
E continua caminhando por entre fantasmas  nas brincadeiras de muitas humanidades, fazendo duelar os medos dos 12 anos, bumba meu boi  e sombras na parede, com a dura realidade do homem quarentão que nada teme mas

"tanto medo aos 12
aos 40, medo só de seu olhar de graúna"
Linaldo Quedes não vive por ai afirmando sua sertanidade, antes universal sabe da necessidades de superar mitos e vencer etapas 

" cansei de pasárgada
este negocio de sentar-se eternamente no trono
não compensa a mulher que queremos"
Podemos então arriscar que Metáforas para um duelo no sertão do poeta paraibano LINALDO QUEDES, publicação da editora Patuá é não um mergulho no próprio umbigo do poeta, mas sim a afirmação da vida com toda a dor e o prazer que tem no fato de viver e que também soa este livro como uma canção que pode ser  um grito forte saudando nossas fomes e um esperançoso desejo de duelar.
Recomendo a leitura de Metáforas para um duelo no sertão, que com certeza vai abrir horizontes e permitir o deleite do belo numa terra árida e fazer plainar azedumes em dias de fugas, Um livro com um coração repleto de amores e fomes e sempre um coração decidido.

ronaldo braga

Linaldo Guedes nasceu em Cajazeiras (Alto Sertão da Paraíba), em 16.06.1968. É poeta, tendo publicado seu primeiro livro “Os zumbis também escutam blues e outros poemas” em 1998. Lança, ainda este ano, o livro Intervalo Lírico. Tem poemas seus incluídos em vários sites de literaturas. Lançou, ainda, “Singular e Plural na poesia de Augusto dos Anjos” (ensaio, Editora A União, 2000) e co-organizou os livros “Correio das Artes, 50 anos”, volumes de Poesia e Contos (Editora A União 1999) e “Diálogos” (Editora Aboio, 2004). Seu nome está incluído como verbete na Enciclopédia de Literatura Brasileira, organizada por Afrânio Coutinho e J. Galante de Sousa.