terça-feira, dezembro 27, 2011

aquela dança


a tua dancinha está ali,
absorta em um canto qualquer,
olhando pra rua,
aguardando um passo que lhe falte,
por não se sentir completa,

a tua dancinha está ali,
agora em um canto especifico- embora ainda absorta,
testando passos e compassos,
embora não encontre janela- mas encontra tela e até tinta,
segue na busca do que lhe falta,

a tua dancinha,
está desvairada, se esqueceu de ti,
quer ser independente,
buscas outros passos que a libertem de teus opressores pés,
pq vc contou-lhe que as coisas sempre se completam,
se encaixam se fundem,
-deveria ter dito então, se findam...

e agora enquanto vc reclama do amargor do amor,
ela reclama do passo perdido, do passo que não vem,
e alguém a pergunta por godô- ela não sabe ela só conhece passos e marcações

vc conhece amarguras,
e sua dancinha está ali,
no canto,
a espera do passo perfeito,
pq vc a ensinou a não se bastar,
pq vc a ensinou a esperar no outro seu espelho,
pq vc a ensinou que as coisas se fundem e que esse é o sentido da vida,
e o que se poderia fazer contra o sentido da vida?

na dúvida sua dancinha nada faz,
só espera,
no canto, empoeirado,
ao som de The Smiths,
enquanto você também aguarda no outro o que não encontra em ti.

nilo trindade



borderless - (inacabado)



não sinto a tua fria mão que me toca a alma,
nem o teu quente bafo de paixão que me toca a nuca,
flutuo numa piscina sem bordas mas não sinto a agua
nem sinto o sol me queima a pele.

vc insiste em sussurrar palavras em meu ouvido,
mas eu não sinto seus lábios fazendo cocegas em minha orelha,
não sinto ´tua mão na minha,
só flutuo.

chego a lugar nenhum,
mas não me despeço de ninguém pois não os vejo,
não os sinto nem os quero,
tampouco os renego,
apenas flutuo.

a deriva do sentir,
penso se estou também a deriva de mim,
não encontro respostas,
só flutuo,
sem sentir a agua de uma piscina sem bordas que se esconde sob mim,

penso se estou a deriva de mim,
penso na piscina,
não penso na inxeistencia de bordas,
penso na piscina e de repente sinto um pouco de agua a tocar meu pé esquerdo,
e junto com a agua surge a angustia que toma primeiro meu pé e depois inunda todo meu corpo.

sinto a angustia de estar a deriva de mim,
mesmo sem saber ao certo se estou,
sinto a angustia que se segue ao despreparo para o não sentir,
sinto a angustia como se meu ser fosse angustia e com ela eu me confundisse,
já não sinto mais agua,
mas me lembro da piscina e o peso da angustia me faz afundar.


me sinto morrendo,
de agua e angustia,
e descendo, afundando, e descendo,
até que ouço algo que não é angustia e nem agua,
não reconheço mas aos poucos me aqueço com o que ouço,
e aos poucos me lembro do que era seus sussurrar em minha orelha,
e reconheço ambos, minha orelha e teus sussuros.

e de repente reconheço teu bafo quente em minha nuca,
tuas mãos em minhas coxas,
minha própria nuca, minhas coxas, meu corpo,
reconheço minha cama, meu quarto, teu corpo,
reconheço minha vida meu sentir,
reconheço minha existencia,
readiquiro o controle sobre minhas palpebras e abro os olhos,
movimento meus dedos e descubro que minha mão pousava sobre tua perna.



nilo trindade
http://vc-aqui.blogspot.com/


escrito em ctba após um almoço, 7 de maio de 2011, - cansado para terminar deixo para concluir em outro momento.

Um comentário:

nilo trindade disse...

indique o site de onde foram extraidas nas proximas :
http://vc-aqui.blogspot.com/

abs