sábado, outubro 15, 2011

SONHAR, CANTAR, SONHAR PARA DESPERTAR

porque não pedir a lua?
porque não dispor
constelações inteiras nos olhos
até que se atrevam a sonhar?

G.M




Que se passa entre os meus sonos?
Por acaso ainda respiras vida minha?
Deveria despertar deste sonho ? – Diz ela
Sem abrir as pálpebras
Pois por ti as moscas foram aviões de guerra
e o amor entricheirado
sofrendo bombardeios em sua única missão...


2
O que acontece com os seus dedos, poeta?
É a palavra ou é a luz que brilha?. O que você leva
em seu relógio de areia?...Eu suspeito que guardes ai
vários desertos, poeiras estrelares e lagrimas petrificadas.
Suspeito.... que é puramente sonho.... e que estou a falar sozinha
e quando despertar, vou enrubrecer
mas isto é incontrolável ...

3

Quem é esta pele que se desprega
indicando a mim três caminhos?
agora parado frente a eles
tenho a opção de enfrenta-los descalça
ou sobrevoa-los... Que achas que farei?

4
Ouço uma campainha. É um som alegre
amado pelo vento que chama. Poderia ser
de uma voz… não posso confirmar…

5

Corro até o que de longe parecia um pico
e caio em mim, pois não tem pico nas planices,
nesta não. Que golpe! não?...não?...
e porque não me surpreendo?.

6

Tenho breves pesadelos recorrentes:
seres inflados como globos a ponto de explodir
acentos, relógios, palhaços…coisas… coisas
estranhamente gigantes
sufocantes
e labirintos por onde corro despojada de tudo
menos de minha coleção de plumas.

7

Em um sofá com pés de leão
tentaram ouvir segredos deste coração
que leve e descontraído
se conteve por vários minutos
até escandalizar. Assim foi que o muito
esperto em versos burlou as normas
e tomou as rédeas dos meus sonhos
para sempre.
Eu do alto de minha sagacidade, tenho meu diagnóstico
e para mim receito sutilmente:
tabletes de chocolates para reencontrar doçuras,
batidos de frutas e sementes
e beijos todos os dias, gigante
da lua.


corri para ver pela última vez

esse tubo de alma branca radiante
e sentir o ar fresco em meu rosto
Eu sabia que era hora de subir no meu galho favorito
e cantar, cantar, cantar como um pardal
para suavizar a ansiedade de escrever
e recuperar o fôlego
ou a noção perene desta mistura entre
ficção e realidade.

Uma pergunta continua sem resposta:
"Porque não pedir a lua, vida minha?" descalça
ou sobrevoando? Que achas que farei?.-


Graciela Malagrida
tradução ronaldo braga

http://uni-versovirtual.blogspot.com/2011/08/sonar-cantar-sonar-para-despertar.html

segunda-feira, outubro 10, 2011

ARBITRIO, a peça imperdivel

Arbítrio, peça teatral com direção e encenação de Diego Pinheiro e dramaturgia de Bárbara Pessoa, é um convite a um mundo estranho e mesquinho, o mundo de uma matriarca que tenta a todo custo manter a tradição cristã dentro de sua família, mesmo diante da gravidez de sua filha de forma não convencional e pecaminosa para os princípios rígidos do cristianismo fundamentalista.
Um enredo aparentemente simples, mas que, aos poucos, se revela complexo e cruel, com a velha mãe afirmando o poder do homem (marido/filho/neto) que, na verdade, é manipulado e conduzido por ela para as realizações de seus desejos e da afirmação de seu poder.
A direção conduz a peça como um jogo de gato e rato e, nesta bestial e econômica existência, cresce cena à cena a tensão entre os membros da família. A relação familiar é fraca e determinada por valores morais, mas esconde desejos ocultos que, sob pena de uma degeneração total da família, se tornam tabus. Nessa realidade religiosa sufocante e sufocada, a mentira, a falsa moralidade e a crueldade moldam os “gestus” e os sentimentos de todos os envolvidos nesta tragédia da incompreensão e do medo.
A encenação coloca a platéia não como um observador que espiona a peça por um buraco de fechadura, antes como fantasmas que assistem a tudo de perto e nada podem fazer além de acompanhar e refletir sobre a religiosidade marcada pela doença da mãe.
A naturalidade das personagens se fortalece em um cenário artificial, natural e não realista, no qual a escassez do mobiliário fortalece a teatralidade em detrimento de um aparente realismo desenhado no fato do local da apresentação ser em uma casa velha e que bem poderia ser a própria casa das personagens. A genialidade da encenação/direção acontece justamente porque, apesar do local da apresentação, saímos dali com a certeza de que aquelas personagens existem em uma realidade exclusivamente teatral.
O figurino tem por objetivo nos transportar para o mundo interior das personagens, pois não são roupas o que elas vestem, e sim dores, medos e defesas. A iluminação realça as almas transtornadas daquela família que, vivendo em um passado nojento e infeliz, busca no isolamento social, em uma casa cerrada sem ar e nem sol, a manutenção de uma pureza que nunca existiu.
A movimentação da platéia por entre os cômodos e as cenas sempre em meia luz reforçam a idéia de fantasmas que tudo vêem de perto.
Não existe personagem principal, nem centro e nem periferia e sim uma batalha que não tem vencedores, na qual a dor e o ódio são sustentados por uma incapacidade de viver.
Cada cena vai cortando, como um golpe de espada, toda a possibilidade de solução que não seja o fim trágico do assassinato e do desespero. A família entrecortada pelo medo e por desejos impotentes, tem no imperativo dos acontecimentos presentes uma volta forçada ao passado e cada vez que tudo é escondido, tudo volta em um confuso acerto de contas de um passado mascarado a ferro e fogo e de um presente torturado e torturante .
É torturante a atmosfera para a platéia e é uma luta desigual das personagens com suas próprias insignificâncias, tentando a todo custo um auto reconhecimento que só é mantido na crueldade de cada um consigo próprio.
A peça teatral ARBÍTRIO é antes de mais nada uma realidade ficcional e, como tal, se afirma na própria forma de andar e de falar das personagens. Os atores estão a todo momento, com sua forma de interpretar, a informar para o público:
- Aqui tem muito súor, tem uma montagem, uma artificialidade, aqui é um jogo e cada um sabe o que vai fazer, não somos as personagens e sim as personagens são a nossa visão de mundo e estamos mostrando como vemos esse mundo e agora queremos saber como você vê o seu próprio mundo. Até onde você, platéia, sucumbe em seu próprio veneno?
Posso afirmar sem medo de errar que ARBÍTRIO é uma peça que não pode ser perdida e que é, antes de mais nada, teatro universal e não teatro baiano.
É uma peça que não passará em branco.


ronaldo braga

SERVIÇO ARBÍTRIO
Um espetáculo do Teatro BaseDireção: Diego PinheiroAssistência de Direção: Sandro Souza e Ricardo SantanaCom Alex Barreto, Laís Machado, Laura Sarpa, Luísa Muricy, Naia Pratta e Yuri TripodiDramaturgia: Bárbara PessoaTextos: Federico Garcia Lorca, Calderón de la Barca, William Shakespeare, Guimarães Rosa, Fiódor Dostóievski, Johann Wolfgang von Goethe, Gilles Deleuze, Sto. Agostinho,Voltaire, Diego Pinheiro e Bárbara PessoaRealização: Teatro Base - Grupo de Pesquisas sobre o Método do AtorQuando: De 30 de setembro a 30 de outubro, sexta a domingoHorário: Sexta 20 horas; sábado 18 e 20 horas; domingo 18 horasOnde: Casa Preta (Rua Areal de Cima 40, Dois de Julho, Centro, Salvador (71) 9967-1342)
Quanto: R$10,00 (inteira) e R$5,00 (meia)
Maiores informações: www.oteatrobase.blogspot.com / oteatrobase@gmail.com

domingo, outubro 09, 2011

alejandro jodorowsky, el ladron del arcoiris e a escrita de nilo trindade braga

Alejandro fez filmes como el topo, e la montaña sagrada, este é um filme de 1990.bueno filme






Descolorir
- qual a cor do teu sorriso?

- hj?

-sim.

- aquela que vc escolher pintar.

-hum... e se eu... te descolorir?

-aí não sei. quer tentar?

-...

- tem medo?

- tenho.

-de perder meu sorriso?

-dele se deformar...
de sem cor vc não querer mais sorrir pra mim,
de te perder.

-é possível,...
mas se não tentar nunca vai saber.

-ele pode ficar lindo em preto e branco.

-único, inigualável, ou pode se esconder, enquanto espera que outra cor surja, mas talvez não mais vinda de vc.

-tudo pela arte?

-a decisão é inteiramente sua.

-vc não deseja nada?

- desejo que meu sorriso continue seu, colorido ou preto e branco...
mas não posso prever.

- vamos então...
de mãos dadas?

-claro. pra sempre?

-pra sempre ou pelos próximos cinco minutos.
o que importa é que estamos sinceros.

- não. o que importa é que te amo.

-talvez. ou melhor sim. o que importa é que te amo também.
vamos ver se sobrevivemos em branco e preto.

- de mãos dadas então?.


NILO TRINDADE BRAGA

sábado, outubro 08, 2011

Falencia Literaria em CAchoeira

FALENCIA DA LITERATURA EM CACHEIRA = FLICA
SEJA MAIS UM BESTA PARTICPE
E VIVA A MENTIRA


FLICA? O que será isso?
Então Fori um escultor cachoeirano me disse
Cara é um encontro de literatura aqui em cacheira. Você vem?
Eu respondi
Cara tu ta é doido eu participar de uma merda dessa, hoje só temos dois tipos de intelectuais, um é o mediocre e o outro é o puxa saco, e nesses encontros menores encontramos aqueles que é tanto um quanto o outro.
Fui pra casa e lá olhando o meu email encontrei uma mensagem dessas que nada dizem mas pensa que diz muita coisa, são uns pseudos escritores elogiando um ao outro e todos sendo felizes pra sempre. Agora se a cidade de cachoeira soubesse quem é realmente essa gente os botaria correndo de lá.
Então eu pensei e pensei e soube que esses encontros é a cara da turma de elogios faceis e que se zangam facilmente quando são criticados. Falencia da literatura em cachoira fique longe dessa armação, pois ali encontramos misterios da meia noita quanto a poesia como sofre a poesia.



ronaldo braga

texto oferecido a joão morais e ao sr. FLICA central de lançamentos de bombas de falsas poesias

BOMBAS DE FALSAS POESIAS AMEAÇAM O MUNDO








A noite engolia tudo e a poeira batia impiedosamente em meu rosto, eu esperava encolhido, e sabia que a qualquer momento seria atacado por aquele cachorro de raça ruim, eu sabia e esperava com calma a hora certa de matar aquele cachorro mau, entorpecido por luas opiadas, aquele cachorro enlouquecido e peçonhento a deixar rastro de excrementos e poemas enganadores.



A noite ainda cresceria mais e eu estudava aquele mundo estranho, onde cachorros latiam palavras e jardins cortavam poemas perversos nos animais estúpidos com guitarras choronas e alegres. Era um mundo de madrugadas latejantes e de luas que queimavam amores e pariam sorrisos postiços, era um mundo onde a sinceridade era punida, a individualidade crime e castigada com a mordida do cachorro de raça ruim, que contaminava a todos com sua cara de tolo e de satisfação.



Eu sabia que não teria chance no amanhecer, porque todos os outros animais menores estariam ali a me caçarem, olhei ao redor tentando na escuridão sentir algum movimento e para a minha surpresa páginas e páginas voavam na noite escura e desgarradas das páginas poesias me ameaçavam, eram poesias sem nenhum nexo além do sentido da morte, da minha morte, e eu sorrindo me preparei para o pior, as poesias foram crescendo e caíam em mim como bombas de fósforos israelitas e eu lembrei das crianças palestinas assassinadas pelos filhos de deus, e me prometi não perder a serenidade pois a batalha apenas começava.



As poesias sem nexo caíam perto de mim fazendo buracos no solo de mais de dez metros de fundura, a qualquer momento eu voaria pelos ares, aquelas poesias tinham o apoio oficial: do governo, da academia e prefeituras e com elas todas essas casas onde se toma chá e onde todos se auto-proclamam poetas, toda aquela gente de raça ruim estava ali dando apoios e ajudando nos lançamentos daquelas poesias da morte.



Eu não tinha escolha, era esperar e morrer. De vez em quando eu recebia um papel onde eu assinaria e confirmaria a validade das famigeradas casas de cultura e suas famigeradas FLICAS, das prefeituras e dos governos e assim eu seria salvo, e ainda poderia ser considerado um artista. Eu rasgava aquela medonha mensagem anti-vida e nada respondia.



Por um momento eu acreditei ouvir vozes ao longe e essas vozes foram crescendo e eu pude verificar que a lua agora era prateada e que poesias belas eram ouvidas e que aquelas páginas desgarradas e suas poesias de morte fugiam assustadas e eram elas que agora estavam escondidas e encolhidas, me levantei e pude ver poemas complexos que falavam da vida sem dó, mas sem prisão, sem dogma, sem certo e nem errado apenas as sensações que inflamavam tudo e o mundo continuou turvo, os falsos vermelhos de longe irradiavam ódios impotentes e o cachorro de raça ruim latia um latido inútil e desesperadamente cínico.



Eu ao lado dos poetas loucos e donos de seus narizes tive força pra ficar em pé e escrever estas palavras.
E o sol veio beijar os meus lábios.

RONALDO BRAGA
LONGE DA LITERATURA DE ELOGIOS E FRASES PRONTAS.

terça-feira, outubro 04, 2011

Batendo na porta errada


(pequenas considerações a respeito da razão)

Cara, hoje amanheci teimoso, com um prenúncio de quem espera o inusitado; o nascimento de um poema romântico. Isso aí, poesia delicada, cheia de palavrinhas de amor. Pra mim que não sou dado às estas paradas, logo pensei que havia algo errado. Imaginei um poema branco, alinhado, feito os dentes em piscinas de fundo azul, ou lençóis alvos, como em comerciais de detergentes na TV. Queria uma melodia num ritmo qualquer, que fizesse meu coração sorrir. Foi impossível , devo confessar, pois não passo sem a dor de um blues e sem Astor Piazzolla quem me faz chorar... Mas, isto só não basta, nem é assim que meu coração bate como um cão que já não late, não consegue sair dessa cela onde o ar fede e me falta,sou descartado feito boneca, mamando em seios de plástico...
Enjaulado no elemento terra, nunca usei roupas de marca, ou gravatas para entrar em festas, tudo bem!Pode me chamar de anárquico. O problema é que você me fuça do cabelo à ponta das patas, achando meus poemas brutos, dizendo que meus versos são feitos prá ralé, me julgue como quiser, apenas cansei de suas bravatas. Você só entende de filme pornô e escuta música em karaokê, acredita que o mundo vai alvejar, comprando aquele sabão em pó. Sinto até vontade de sorrir, claro, do jeito que o mundo está; espera que o domingo venha aí, tem bunda mexendo na TV; feijoada para gente dormir e culto para te consolar. Mas, como um desordeiro teimoso, não consigo parar de escrever, versos com o dedo em riste, poesias com rimas tristes, linhas famintas e sujas. Não consigo parar de ler a verve felina do “Boca do Inferno”, a angústia de Silvia Plath. Não posso deixar de ouvir o som traumático do rock’ in rool. Daí, sinto-me estranho dizer que você não deve esperar nada romântico deste cara que não tem outro jeito de ser. Tenho ou não tenha razão...


Luciano fraga

segunda-feira, outubro 03, 2011

eu sei lula que tu gostas é do outro, do patrão e não do operario tu gosta da boa vida, das verdinhas e de puxar o saco dos poderosos nas salas refrigeradas e depois gritar que é livre para os incautos e garraios vermelhos, é lula mentiroso um dia os pobres descobrem quem é tu e aí ai de tu. lembra de mussolini, será a mesma coisa.


PT, partido do mensalão, detesta tanto os trabalhadores brasileiros que castra a unica chance do trabalhador mudar realmente de vida que é pela educação. Além de roubar, mentir, o pt rouba os sonhos e mata as esperanças quando rouba e deixa roubar o dinheiro para a merenda escolar e para o transporte escolar.
Leitores desse blog leiam a materia e me responda, ama o trabalhador partido que no poder mata nas filas do SUS milhões de trabalhadores e rouba e acoberta roubos que impossibilitam a educação dos mais pobres?
Trabalhador o bolsa familia serve para comprar votos e para o comercio mas para o povo o que serve a longo prazo é uma boa educação e um bom sistema de saude. Fora pt, partido bandido, isso quem diz não sou eu e sim o STF, quando houve o mensalão que tenha certeza ainda continua.
RB
leia a materia


MEC aprova contas de municípios que desviam verbas,( reprodução da folha de são paulo, online)



Estão roubando as verbas públicas das escolas. Concentre-se nisso. Esqueça todo o resto, inclusive a crise que vem da Europa e dos EUA.

O dinheiro destinado ao financiamento da merenda e do transporte escolar das crianças brasileiras, que já é pouco, é diminuído pelos desvios.

Visto assim, isoladamente, o roubo dos recursos do ensino básico é apenas um escândalo. Converte-se em escárnio quando se descobre que o governo dá de ombros.

Os repórteres Roberto Maltchik e Fábio Fabrini informam: o Ministério da Educação avaliza as contas de municípios que malversam o dinheiro.

Acha pouco? Pois há mais: o ministério libera verbas novas para prefeituras que não comprovam a regularidade na aplicação do dinheiro velho.

Há pior: mesmo quando os malfeitos são detectados pela Controladoria-Geral da União, o MEC apõe o carimbo de aprovadas nas contas micadas.

Sim, caro leitor, em matéria de fiscalização de verbas educacionais, o governo ignora os desvios que o governo detecta.

O dinheiro saiu de uma arca chamada FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação). As cifras alcançam a casa dos bilhões.

Entre 2005 e 2011, migraram dessa caixa brasiliense para os cofres de Estados e municípios R$ 15,28 bilhões.

O grosso, R$ 12,79 bilhões, foi destinado a um programa de alimentação escolar. O resto, R$ 2,49 bilhões financiou –ou deveria ter financiado— o transporte escolar.

As prestações de contas, quando apresentadas, entram numa fila que caminha em velocidade de tartaruga paraplégica.

Dos relatórios apresentados entre 2008 e 2009 sobre as verbas da merenda, menos de um terço mereceu a análise do MEC.

Dos documentos que se referem à aplicação das verbas de transporte, 90% ainda esperam por uma análise dos “gestores” federais.

A demora, por inaceitável, produz o inacreditável. Por exemplo: em setembro, a Polícia Federal prendeu o prefeito da cidade alagoana de Traipu.

Por quê? Descobriu-se que a prefeitura desviara R$ 8,2 milhões em verbas educacionais. Os desvios foram praticados entre 2007 e 2010.

Pois bem. Ainda que as prestações de contas de Traipu carregassem indícios dos malfeitos, o MEC não os teria farejado.

Em pleno ano 2011, a última conta de Traipu analisada pelo ministério refere-se ao longínquo exercício de 2006.

Por meio de nota, o FNDE disse que analisa a escrituração das prefeituras de duas maneiras.

Numa, leva em conta as informações que recebe dos conselhos constituídos nos municípios para fazer o “controle social” da aplicação dos recursos.

Noutra, perscruta os extratos bancários das contas abertas espeficiamente para movimentar as verbas liberadas por Brasília.

Tratado como panacéia pelo petismo, o tal “controle social”, exercido por pessoas da própria comunidade, resulta em fiscalização de fancaria.

Tome-se, por eloquente, o caso da cidade de Lagoa do Piauí. O time da CGU passou por lá. Detectou fraudes ba licitação de oito rotas de transporte escolar.

Supostamente apresentadas por empresas diferentes, as propostas continham os mesmos erros de português.

Transportavam-se alunos como se fossem animais, ora na carroceria de caminhões ora em ônibus precarious, guiados por motoristas inabilitados.

Os conselheiros que faziam o “controle social” em Lagoa do Piauí limitavam-se a endossar os dados recebidos da prefeitura. Coisa usual no país, diz a CGU.

Afora o transporte inadequado, a criançada matriculada nas escolas da cidade paiauiense ficou sem merenda em março.

Em março, as crianças matriculadas nas escolas da cidade ficaram sem merenda. Nos arquivos do MEC, as contas da alimentação estão catalogadas como “recebidas”.

A equipe da CGU esteve também na cidade de Presidente Sarney, assentada nos fundões do Maranhão.

Varejou as contas da merenda de 2007 (“aprovadas” pelo MEC) e de 2008 e 2009 (“recebidas”, de acordo com os registros do ministério).

Descobriram-se fraudes nas licitações. Verificou-se, de resto, que a comida da merenda era mal armazenada e preparada com água suja.

Retorne-se ao início: esqueça tudo. Pense só nisso: estão roubando as verbas das escolas. E o MEC brinca de “controle social”.