sábado, agosto 27, 2011




LA IGUANA, revista argentina

año 8 / 167 / 30 de agosto de 2011




en este número :ana romano ( bs as , arg); facundo semerena ( sur del gran bs as , arg); marcelo miguel noriega ( sgo del estero, arg); rubén andrade guerra (chile), liliana santacroce (córdoba,arg); antonio medinilla (español,residente en arg); gabriela bruch ( sur del gran bs as, arg); gabriel francini ( bs as , arg); sidy wittler ( misiones, arg); patricia olivera ( montevideo, uruguay); luis siburu, martínez , bs as , arg); ronaldo braga (brasil); andrés aguilar (venezuela); juan zapato ( arg residente en israel)

Dirección : Gabriela Bruch
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a pedra: signo primeiro,







abre-se o baralho
sobre a madeira da mesa
repousa o fardo das cartas
descansam os dardos do acaso
na memória de uma madrugada de sábado
avoa um verso perdido
talhado num guardanapo
esquartejado em uma ressaca de quinta
sem esperança de sábado
no bar do Arlindo
na esquina um castelo
– um esquecimento um atalho –
dois jovens poetas abismados
sob o símbolo da onça parda
o obscuro e o claro
o silêncio e a algazarra
numa ânsia de alcançar
as cismas do outro lado
a pedra como destino
a lua dos afogados
nas torres da fortaleza
nem tudo é somente saudade
nem todos são sempre fantasmas
o tempo esgrima com a tempestade
a mais metafísica de todas as batalhas
o sono do morcego no teto
a sinuca solitária
faíscas de uma distração
recém saída de um cárcere
ganhando a forma de um cactos
fossilizado no pátio
antes que pisquem os olhos
se reproduzem em corujas
em espantados pios de pássaros
em flechas desnorteadas
ressuscitando o instante
no qual com perícia auscultávamos
com sagacidade rapina
e devoção verdadeira
os espasmos encardidos da pedra
suas convulsões imprevistas
seus movimentos alérgicos
imersos na atmosfera da lenda
nos perdíamos no firmamento
e o único que desejávamos
era tocar com a fúria dos astros
o corpo insano da pedra
a senhora das mil astúcias:
sua fenda, seu silêncio, suas pétalas...

nuno g.

segunda-feira, agosto 22, 2011

CARA DE ESCORPIÃO


20 paus era tudo o que eu tinha no bolso. Fui a um sebo e ataquei o vendedor de primeira. Ator e método de Eugênio kusnet? Não,não temos. Então um cara que eu fingi que não vira na entrada.
- E aí cara como vai!
- Me deixa - disse eu - Não gosto de canalhas fidalgos, puxa saco de político, defensor de corrupto.
- Eu gosto de você.
- Não falo com falso cara de escorpião.
- Você é injusto, eu lhe tratei muito bem quando nos conhecemos.
O cara fizera parte do movimento poetas da praça em 1979 e eu também. O medíocre movimento acabara.
O cara dera entrevista para jornais e esquecera de citar o meu nome na relação de poetas. Os merdas me esqueceram, eu fiquei feliz.
- Eu sou o mesmo, eu gosto de você.
- Aí eu perdi a paciência e já com o diabo na mente retruquei.
- Aqui eu não parto a tua cara, mas lá fora eu posso conversar.
O dono do sebo me olhou como dizendo quebra a cara dele.
- Eu não brigo, sou poeta.
Então eu senti um nojo danado daquele falso poeta cara de Jesus e olhei em frente e vi notas de um velho safado, e era novo. O velho buk.
Respondi irado e determinado.
- Me deixa em paz senão eu vou te dar uma surra. O cara rapidamente foi para a sua mesa e eu para o vendedor.
- Quanto custa.18 paus. O onibus 2 paus. Comprei e aí me lembrei que eu estava esperando uma jovem gostosa atriz. Ela teria que pagar os cafés, eu não bebia mais álcool.
De primeira li a primeira página era sobre um jogo de cartas e terminava com o buk levando uma tremenda surra e acordando vomitado e de ressaca. Eu quase levara uma. Ela chegou. apertei seu corpo ao meu. Ela prolongou o aperto. Eu estava feliz e esquecera o imbecil cara de Jesus. Infelizmente papel não recusa palavras. O mundo está cheio de merdas que se autodenominam poetas. Uns boçais com discurso bonito para as meninas caras de cús enraivados e abandonados. Elas adoram merda no papel e copiam frases e repetem por aí.
Eu estava ali com uma garota de 23 anos gostosa bonita que cheira a mulher que gostava. o mundo agora era uma merda boa e confortante. Ela falou de seu namorado, de seus projetos e acertamos fazer juntos uma peça do Bergaman: cenas de um casamento sueco.
Eu com 47 anos casado e fiel. No palco com ela meu pensamento poderia ser mais ousado, mais ousado ainda. Lembrei de M.B uma grande amiga e voltei a me ocupar da bela mulher que eu ao meu modo gostava muito. Eu sou fiel e casado com uma bela mulher senão. Nem quis pensar o que ela achava de mim, vai me complicar. Tomamos um café, o meu sem açúcar, depois outro e outro. O cara de bosta de político e de Jesus disse de lá da sua mesa para mim.
- Você já foi visitar senhor X.
Eu nada falei e tive que explicar todo o acontecimento para Rita. Fiquei zangado de novo. Senhor X um reles poeta medíocre estava morrendo, ORA PORRA que morra, mas eu respeito a morte e não tenho piedade nem pra babacas. Não iria lá e dizer.
- Aí senhor X morra porra, veja se tem cabimento.
Ficava de longe e nem pensava na porra da morte dele. Voltei a bukowski, falei de melodia de agosto e de um grande poeta que eu descobrira, o Luciano Fraga, e fiquei feliz de novo. Ela me deu de presente um livro de Bergaman e um beijo. Eu estava nas nuvens. Babacas podem existir à vontade. Como é bom estar na merda desse mundo.
O cara de Jesus foi embora, o cheiro do lugar melhorou e o cheiro de Rita, a jovem atriz inteligente e gostosa dominou meu nariz e todo o meu existir, eu era a porra de um homem safado. Hein buk: sabemos viver.
Decidimos, eu e a Rita, ir visitar senhor K um poeta de verdade. Um cara que dava um duro danado pra pagar as contas, não entregava os pontos, um poeta que escrevia a melodia das ruas, do submundo e de toda a sinceridade da merda do viver e tinha beleza e ritmo. Ele desloca a bobagem do significado, a sua poesia cheira a vida, garra e coragem. Senhor K é casado com uma grande poetisa e contista de qualidade acima da média. Eu adoro ler senhora M. Ele demorou e chegou baforido é assim com o senhor K ele sempre chega baforido. E então ele chegou esbravejando e pregando o voto nulo. É isso aí senhor K bata forte nesses canalhas de esquerda e direita, parasitas e sugadores da vida.
A morte é o que eles amam, a morte e a doença, eu gosto da porra da vida, uma boa merda, eu gosto, a vida com tudo o que tem de perigoso e de merda e de bom, eu sou um forte, um cara de escorpião.
Rita me levou e esperou o meu ônibus chegar. Fui pra casa e no ônibus pensei em kerouac um viajante nem sempre solitario. Em Nietzsche muita além do bem e do mal. foucault e sua vontade de saber. Em heráclito e sua capacidade fenomenal. Em Bergman e sua maldita mãe. Em zinaldo e sua música que eu adorei ouvir em Alice. Em pablo um médico que sabia das coisas e no bom e surpreendente poeta Luciano Fraga, no bom poema de Patrícia Mendes e no meu especial amigo Nelson Magalhães, o filho. nos meus filhos e na minha bela mulher, em uma boa música clássica e no meu sobrinho Caio um músico para ouvidos refinados.
Pensei e pensei que eu não estava morrendo. Era somente a confirmação de que nos meus infernos preferidos cruz das almas e salvador existiam além das desgraças que se intitulam poetas, professor de filosofia e outras bostas de políticos, existia também gente que me dizia.
- R viver é bom, a merda do mundo cheira a merda e a vida, que bom, eu sou um cara de escorpião e amigo de lakarus e sei descobrir um bom sorriso em um cú, eu não sou ainda a porra de um homem oco e nem empalhado, eu tenho o que ler, amigos para uma conversa e os porras empalhados que se fodam ou não.
Cheguei em casa e beijei minha linda mulher, o mundo pode ser uma grande merda mas essa mulher é minha.

ronaldo braga.

segunda-feira, agosto 01, 2011

SONETO SUSURRADO


Os ventos tardios hoje me trazem a voz
Que em conjunto com a sonata sem grito,
Sussurra no tímpano em um momento restrito
... A pianíssima que sem esforço não soa feroz

E hoje, pela manhã, conversando com os pássaros...
(as aves preguiçosas que em um momento,
Permitiram-me criar o prelúdio sem nenhum instrumento)
Pude entender seus cantos como sussurros claros

Imagem que se forma em contornos poéticos avistada
Chega para mim no sorriso inteiramente sonoro
- Não existem mais brados... é sua voz (amena) chegando ao poro

Parado, a minha voz assume uma mudez desarrumada
Minha audição, sem esperar o fim, beira ao acaso do ouvir
... Os sentidos se entranham... no gesto... lábio a lábio... luzir


Diego Pinheiro