domingo, abril 10, 2011

poesia à margem

deriva,
da cabeça de um nauta torpe
a fineza de um fogo torto.
como se já não bastasse o lema:
insensato coração de náufrago,
agora esse mundo devassado.
todas a distâncias se resumem
na mirada que percorre o espaço
onde copulam as galáxias.
sem ruído a verve refaz insônias
enquanto a história dorme.
o pavor é uma equação antiga
enterrada do outro lado da divisória linha
o amor é uma canção antiga
soterrada na estrada em brasas.
ser herói à margem
punk por um dia
ou qualquer coisa que resista à real-política.
o cosmos é uma abstração ilógica
para a qual o bom senso nunca atina.
qualquer cisma vem sempre antes da pessoa que anuncia
deslocando o foco tão incerto da retina.
todo dia é sempre outro
o espelho que novamente nos identifica.
suspensa entre o sal e o azeite
a memória vai parindo seus eclipses...


[Nuno Gonçalves é poeta e professor de História. Publicou o livro Cartas de Navegação em 2009 e é homônimo de um pintor português do Século XV].

2 comentários:

anjobaldio disse...

Muito bom. Grande abraço Nuno.

guru martins disse...

...e esquecer
é um grande
benefício
nos legado
pela vida...

vim através
do Luciano
encontrei
um ponto
formador
de opinião
e divulgador
muito bom!!

abç