sábado, abril 23, 2011

nas sombras e na meia luz todo não ser é

sofro livremente numa correria de raposas
e calando noites em uma jornada de oceanos mortos
me sei um santo do pau oco cansado e marcado em sorrisos de moças tristes e vestidos de chita abarrotado de dores e soluços
Amanheço em baseados e biblias e sei que devo ter morrido em calidas noites de fome.
Raso todo querer se entorta em desculpas bolorentas e restos de mortos passeiam por entre dentes e olhos
Corro e as nuvens em meus pés cansam as miragens endoidecidas das meninas assanhadas em noites de não dormir
Vivo comendo papoulas e em vertigem virgens cantam canções de entrega
e o meu coração fatiado somente pode parir jardins de abutres e deuses.
Me vou e você pode sorrir toda calida bondade de sua rica e doce maldade.

ronaldo braga

2 comentários:

anjobaldio disse...

Belo poema. Grande abraço.

nuno g. disse...

mandou bem mestre braga!
já reli algumas vezes esse poema desde que tu publicou aí e esse vai direto pro américa latindo, só queria confirmar contigo pois toda vez que leio o penúltimo verso troco a palavra partir por parir, me parece que assim se resgata muito dessa outra discussão que você vem fazendo em vários outros textos sobre o por quê de seguir escrevendo: é que afinal de contas escrever é parir jardins de abutres e deuses...
abração
nuno g.