sábado, abril 23, 2011

nas sombras e na meia luz todo não ser é

sofro livremente numa correria de raposas
e calando noites em uma jornada de oceanos mortos
me sei um santo do pau oco cansado e marcado em sorrisos de moças tristes e vestidos de chita abarrotado de dores e soluços
Amanheço em baseados e biblias e sei que devo ter morrido em calidas noites de fome.
Raso todo querer se entorta em desculpas bolorentas e restos de mortos passeiam por entre dentes e olhos
Corro e as nuvens em meus pés cansam as miragens endoidecidas das meninas assanhadas em noites de não dormir
Vivo comendo papoulas e em vertigem virgens cantam canções de entrega
e o meu coração fatiado somente pode parir jardins de abutres e deuses.
Me vou e você pode sorrir toda calida bondade de sua rica e doce maldade.

ronaldo braga

sexta-feira, abril 22, 2011

dormindo em cima da propria merda

Tem sido duro e dificil escrever pra mim nos ultimos dias, e essa dificuldade acaba por se tornar o meu assunto, expediente que já venho usando e abusando, revelando uma total falta de criatividade e até mesmo vindo ao encontro de afirmações maldosas contra a minha escrita.
Escrever como um ato de revelações de foro intimo há muito está totalmente fora de questão, por razões meramente geopolitica e ainda mais numa idade em que tudo começa a perder o colorido e ganha aquele tom acizentado, onde se impõe certezas de um "não é bem assim", por outro lado o escrever passa a ser ele mesmo o meu argumento e conteudo, permitindo um juizo de valor do proprio ato da escrita.
Pensar politicamente para mim já faz muito tempo se transformou ou em um ato de intolerancia aos poderes constituidos ou em um ato completamente incorreto, a vida cresceu e se tornou exigente, não mais suportando frases prontas ou posições onde nada mais que a torcida ou a fé prevaleça, a fé é um contorno de auto ajuda onde falta fé em si e sobra espertezas e golpes em todo o corpo da propria fé, uma liturgia do fracasso, onde o derrotado é louvado como um vencedor e pode então dormir em cima da propria merda.
Tem dias que as palavras só tem sentido fora da sua propria representação, como um oco que propaga seu proprio nada, e então é nestes solenes momentos que eu junto letras e formo dores, ou vazios, que ameaçam, que assustam mas que pode ser uma estrada torta e é nesse caminhar que minha alma melancolica estanca admirada pelo nada dos simbolos, por que eu os vejo, palavras e coisas, separadas e em linhas completamente adversas, já não mais existe o entendimento imediato do acordo e eu posso como um lunatico saber das mentiras das palavras e ver e ler sentimentos e intenções.
Escrever ainda é inutil, por que sempre foi inutil e essa inutilidade nutre e fortalece o meu existir. Desprovida de uma função socio religiosa, o escrever ganha uma dimensão magica e então morde seu proprio pé.
Palavras desfilam em memorias cheias e tumultuadas e eu sinto a necessidade de um esvaziamento, de uma direção e sei o quanto tolo é o sabio, esquecido em catalogar quantidades e sem tempo para o seu proprio devaneio.
Eu escrevo não o que sinto, antes escrevo sobre o que sinto do meu sentir e o meu corpo, não é um peso, mas sim um eu mesmo fisico, onde uma luta precisa ser travada e o conhecimento escolhido. Não há lugar no corpo para o sabio, para ser sabio é preciso primeiro assassinar o corpo e mergulhar na fé do ensinamento, do controle e acima de tudo do sofrer e do pior objetivo que pode existir numa pessoa: a capacidade de se acreditar portador de uma missão.
Eu escrevo para o corpo e para os sentidos vindo dos sentidos, eu sou um paradoxo. E o meu paradigma é a minha propria queda.


ronaldo braga

domingo, abril 10, 2011

poesia à margem

deriva,
da cabeça de um nauta torpe
a fineza de um fogo torto.
como se já não bastasse o lema:
insensato coração de náufrago,
agora esse mundo devassado.
todas a distâncias se resumem
na mirada que percorre o espaço
onde copulam as galáxias.
sem ruído a verve refaz insônias
enquanto a história dorme.
o pavor é uma equação antiga
enterrada do outro lado da divisória linha
o amor é uma canção antiga
soterrada na estrada em brasas.
ser herói à margem
punk por um dia
ou qualquer coisa que resista à real-política.
o cosmos é uma abstração ilógica
para a qual o bom senso nunca atina.
qualquer cisma vem sempre antes da pessoa que anuncia
deslocando o foco tão incerto da retina.
todo dia é sempre outro
o espelho que novamente nos identifica.
suspensa entre o sal e o azeite
a memória vai parindo seus eclipses...


[Nuno Gonçalves é poeta e professor de História. Publicou o livro Cartas de Navegação em 2009 e é homônimo de um pintor português do Século XV].

domingo, abril 03, 2011

NOME DA MORTE

Aconteceu em Itabuna, nos dias 25,26 e 27 de março a apresentação da peça teatral "O NOME DA MORTE" de ronaldo braga com direção de José Carlos Da Silva.
A peça foi bem recebida pelo publico Itabunense.
Veja o que escreveu José Carlos o Diretor.




Gostei do resultado final do espetáculo, fiquei contente em ter feito o nome da morte em Itabuna, e principalmente para as pessoas que assistiram o espetáculo. Pessoas realmente formador de opinião, grupo de jornalista que assisitiram e que comentaram. Como Kleber Torres do Jornal Agora, Marcos Luedy, jornalista do Boletim do Abará uma ong que trabalha com as questões do meio ambniente, Pessoas que tem uma história no teatro de Itabuna, Como A Srª Iara Smith, o Diretor Teatral Aldo Bastos, a atriz e Diretora Silvia Smith, e calou a boca de muitos fazedores de besterol, que não acreditava que duas jovens atrizes dariam conta de um texto Denso como é "O Nome da Morte". Estou Contente, as meninas estão realizadas, e querem dar continuidade ao espetáculo e muita gente que não assistiu e que agora estão loucos para assistir.
Estamos pensando em circular pelas cidades vizinhas a Itabuna, participar de festivais, ir a Salvador se possivel. Estive conversando com o pessoal do festival de Lauro de Freitas para saber quando será o festival de lá e inscrevermos.
Não conseguimos gravar o espetáculo em video agora, mas vamos fazer um investimento neste sentido, até para participar dos festivais.
Não tivemos um publico grande, porque o espetáculo no modelo de "O Nome da Morte" para quem tem Renato Piaba, Shaolim, Adamastor... como idolos, um drama nunca será modelo para quem gosta de pagode. Por ser um espetáculo em que em questões de cenógrafia foi de baixo orçamento, aproveitando resto de madeira da oficina do centro de cultura e forrando as camas com as costa de banner, para dar a impressão de parede de cimento. e resto de madeira para fazer a grade do fundo. deu para no final cada um comprar um cd nas lojas americanas e fazer um almoço coletivo. Em breve estaremos enviando o blog da cia com todo o material do grupo.
Sem mais para o momento abraços
Grupo Dramédia.