domingo, fevereiro 27, 2011

Pulgarcita (parte II)

Observava as plantas, os bichos, a natureza toda

e meditava saboreando as águas e bebendo gostosamente a noite escura.
Ela era respeito, orgulho e silencio,
pois curiosidade por curiosidade
era coisa de gatos indiscretos
com mais de uma vida pra gastar.

Escapava por janelas todas as noites
e
coletava estrelas órfãs
e lhes dava nomes de flores e passáros
para solta-las radiante ao entardecer.

Seus segredos,vistosos e transparentes, ocultos em lugares evidentes
eram eloqüentes como a rouquidão do mar e suas tormentas,
ou o leve sussurrar dos ventos nos eucaliptos.

Ela era um espírito livre, inacessível em essência, pequena
era feliz em sua caixa de fósforo,
entre sonos e sonhos acordados.

Observava as almas
por longas madrugadas.


GRACIELA MALAGRIDA, Mssiones, Argentina

TRADUÇÃO DE
ronaldo braga

o nome da morte





rbraga

TULHAS

Premeditadamente,

grotescas emoções

vegetam

em outras carnes

e vertigens cosmopolitas

pulsam incêndios

na têmpera de teus olhos

acuados...

Ah! Vida,

a vida em partículas,

há vidas engavetadas,

há vida em tenras

fomes turgidas

e o que você quer

(há) mais?


PS. poema escrito para o novo livro- O NOME DO LIVRO- Poesia e prosa- parceria com Ronaldo Braga


Luciano Fraga

sábado, fevereiro 26, 2011

cheguei ao colégio sem nenhuma esperança: o mundo era cruel. Se me apresentavam somente duas alternativas: ou me convertia como os outros em um assassino de sonhos, ou me encerrava em minha mente transformando-a em uma fortaleza. Optei pela segunda.

Alejandro Jorodowsky

domingo, fevereiro 13, 2011

ainda sobre cinema

pela milésima vez revi o filme era uma vez no oeste e saiu isso aqui...

Era uma vez no oeste

Era uma vez no oeste um silêncio que se escutava. Onde se podiam ouvir os ruídos dos pesares de pés de cavalos. Os passos que chegavam carregados de poeiras que se espairavam ao ar seco através das montanhas.

Pés de cavalos. Pele de terra árida. Uma cor empoeirada. Olhos sombreados. A poeira traz, o apito do trem avisa, a gaita canta, a terra treme. Eles estão aqui. São poucos e precisos – o necessário. Apenas vieram para conquistar. Vencer as batalhas. Não toleram dívidas e a vingança nunca morre. Uma gota d´água e uma mosca não lhes desviam atenção. As palavras saem dos olhos que por detrás das sombras dos chapéus destacam a dureza de suas almas de pedras empoeiradas.

Olho por olho. Os revólveres estralam. Assim falam. Escutam com os olhos e vêem com os ouvidos. Bebem o sangue e as almas se dispersam na poeira enquanto a terra devora os músculos e os ossos. O último suspiro afirma: “sou apenas um homem. Uma raça antiga”.



Maíra Castanheiro.





Era uma vez no oeste é um filme de Sergio leone de 1968. Com trilha sonora de Ennio Morricone. Com os incríveis Charles Bronson e Henry Fonda. A bela Claudia Cardinale.

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

o motim

um sensacional filme sobre os crimes da inglaterra e a honradez do povo indiano. a inglaterra um povo barbaro, criminoso, menor enfrentado uma cultura grandiosa complexa.
este filme conta a historia de um homem assassinado pelos menores inglese e que com sua coragem detona o começo do fim da ocupação do covarde imperio assassino ingles na india.







sábado, fevereiro 05, 2011

FUTEBOL

A verdade é que eu amo demais a humanidade, meu amigo, e por isso me considero uma pessoa de maldade eterna. Sonhei ontem com um mosteiro... um mosteiro de tamanho colossal. Liguei imediatamente a meu sonho de infância.

E qual era o sonho?

Eu queria... ser monge.

Os monges são pessoas inteligentes, e possivelmente amam a humanidade como cristo amou, como São Francisco amou... como Diderot...

Diderot, não.

Sim... Diderot... não!

É comprovado que amar a humanidade é digno de pessoas más. Cada vez que eu penso em uma ato de amor para com a humanidade eu começo a odiar as pessoas ao meu redor, todas elas, sem nenhuma restrição.

Estou me sentindo odiado.

Eu sei. Eu estou te odiando cada vez mais.

Mas tem toda e absoluta razão, caro amigo, e você não sabe como isso me agrada e me faz um bem. Ora, claro, não amar a humanidade nos leva a um paraíso a esquerda de quem vem pilotando o Mundo, a Via Láctea, o Universo... E ele pilota o mundo vagarosamente, como se estivesse a pilotar um patinete. Na verdade seguimos uma via negativa a dele... e nos encontramos com os querubins... voamos... nos sentimos pessoas boas, pois não amamos a humanidade. Pois ela se distancia, como o seu piloto a dar gás com o seu patinete. Uma total e maravilhosa, esplêndida, falta de humanidade!

Como eu posso ser um homem tão mal! A vontade que eu tenho é de dar um tiro em você, bem no meio de sua testa.

O patinete está desgovernado. Na verdade creio que o piloto nunca se preocupou em dar gás no patinete... é um esforço físico/mental muito difícil, caro amigo. Por isso que as pessoas boas estão se distanciando, mas sempre em sua esquerda, em uma diagonal, um platô... arredondado.

Sei... isso significa que não existe outras pessoas a testemunhar esse tipo de movimentação astral. Onde isso ocorre?

No Universo, onde mais?

Não existem espectadores para esse espetáculo.

Os marcianos.

Um confronto extrematizado entre a humanidade e a marcianidade... Entre o nosso piloto do patinete e o piloto do patinete deles...

O piloto deles pilota uma motocicleta, quente e feroz, venenosa, e nenhum marciano tem marcianidade, por isso são marcianos de uma bondade invejável.

Estou deseperado preciso fazer caridade...

Me ajude a levantar aqui.

Mas você eu anseio em matar, pela sua total e maravilhosa, esplêndida, falta de humanidade. Como eu posso ajudar você se tenho repulsa a você? Tenho tanto medo de ajudar... e sofrer de ingratidão.

Alguns monges morreram de ingratidão...

Como é não amar a humanidade?

Como é amar a humanidade?

Odiar o homem.





diego pinheiro



Fragmento da peça Futebol (Peça em ato único, sem rubricas e personagens)

terça-feira, fevereiro 01, 2011

El Infierno de Luis Estrada



Assisti agora em janeiro 2011 um filme chamado “El infierno” do cineasta mexicano Luis Estrada e pensei o por que o México faz um filme assim e o Brasil recentemente realiza pasteis pasteurizados que são chamados de filmes brasileiros? Acredito que filme brasileiro é aquele feito com o leite das tetas do estado e que servem pra enriquecer alguns e enganar muitos.

O que faz um filme deixar de ser filme pra ser filme francês, ou filme brasileiro? Pra mim ta no conteúdo, na forma final, na trajetória de atores, roteirista, direção e outros envolvidos e não uma placa enorme bem luminosa avisando aqui é filme brasileiro. Ridículo se não fosse pelos interesses escusos que cerca o entorno destes filmes brasileiros.

O filme “El infierno’ AO CONTRARIO de coisas menores como tropa de elite dois, não busca fazer a cabeça de nenhuma pessoa, antes deseja mostrar uma realidade dada e com uma clara proposta estética permitir com o seu formato e o seu conteúdo que o cinéfilo tome suas próprias decisões.

Tropa de elite dois um filme menor com pretensão de grande coisa vem somente justificar os atos do estado fascista que governa o Brasil desde Cabral, não detona nenhuma realidade, antes afirma, pois quem é o outro senão o próprio estado.

El infierno trabalha a realidade humana sem supositórios, não há mocinhos, não existe gente inocente, existe sim uma realidade maior na qual cada um se move e busca o seu melhor. Um filme que brinda a emoção e o intelecto e que não me chama de burro, não quer me ensinar como eu devo ver a policia e o traficante mas me diz que eu devo pensar sobre o estado de coisas da própria política que leva a este caos e não adianta se caçar traficantes e nem policiais corruptos, pois todo policial é corrupto, mesmo quando legalista, uma vez que o legalismo é um tipo nojento de trafico e é a defesa do estabelecido da merda tal qual está posto ai.

El infierno nos leva de encontro ao nosso próprio inferno e antes de condenar os maus, devemos nos condenar e tomar a nossa decisão sem hipocrisias e nem preceitos evangélicos. Devemos fazer aquilo que tem que se feito e pronto.

Um brinde a “El infierno” pois o céu é um pausa rápida e mentirosa.



ronaldo braga