sábado, janeiro 29, 2011

a culpa e o rebanho


A culpa produz o absurdo do seu oposto e causa impressão de bondade, mas durante séculos a culpa esteve longe das paragens desérticas do interior humano e a plenitude marcava os encontros e a covardia era punida com a morte. Hoje a culpa predomina e os oprimidos que na verdade são covardes mantidos vivos vivem a sensação de serem protegidos, uma vez que por serem covardes eles não podem se protegerem. Mas na verdade os oprimidos sabem que isso não é verdade, sabem que eles, os oprimidos, são apenas pretextos para expiação de culpas de cristãos poderosos que se tornam vaqueiros e tangem por pastos urbanos humanos que não aceitam a verdade humana.

Somente a maldade da culpa explica esse martírio, esse fascismo que se tornou a relação entre opressor e oprimido, duas faces do covarde. A culpa engendrada na pequenez do homem ou mulher que a sente e por isso não pode aceitar a realidade e a dureza da vida e buscam formas cruéis de serem bons.

Por que um homem defende outro? Por que um homem não pode matar outro?

A defesa é apenas uma mascara para a própria impotência, expiação menor de menores em estado de “quero morrer heróicamente, mas que pena, sou apenas um covarde”.

O homem um ser egoísta e que ver crescer em si mesmo toda vaidade da natureza é antes um ser não natural com um natural desejo pelo poder e pela força, um ser construído, moldável, mas que carrega em si a beleza do mal e quando fraco se torna um não – ser, um completo medroso, mas ao mesmo tempo muito potente na sua obstinada auto-repressão e na infinita capacidade de guardar rancores, de planejar pelas costas e de falar por entre frestas.

Como seria o homem ou mulher em nosso tempo? Senão homens e mulheres oprimidos por duvidas, culpas e covardias alimentadas na cruel realidade de assassinarem todo desejo que carrega dentro de si. Que tipo de homem pode ser construído e moldado no tempo de um deus fraco, e que morre pra salvar?

A direita e principalmente a esquerda se apoderam da culpa dos covardes senhores e engendra na humanidade a sua maior desgraça que é a construção do homem boi, aquele tangido por vaqueiros que se responsabilizam tanto pela ração como pelas ruminações internas e externas do próprio homem, fazendo do covarde o ideal da vida e do forte um terrível bandido que precisa antes de mais nada serem banidos da terra. Mas ilusão pregada ilusão perdida, e o vaqueiro dono do pasto determina tudo na vida, mas o covarde trás em si a pulsação pela traição pela mesquinhez e ele o covarde que se auto proclama bom precisa de sangue para expiar a sua própria covardia.

Relação construída na mentira e negação tanto a direita quanto e principalmente a esquerda se tornam crueis e desumanos, formando grupos sangrentos e covardes e eliminado o individuo pleno e independente, pois o temor do vaqueiro é a individualização humana, aquele que se sabe forte prefere a morte que o pasto e a ração, enquanto o fraco clama por justiça e por finalmente calar a vida e assim ele o fraco ser poderoso.

Sem a culpa os vaqueiros seriam relegados e desnecessário, como foram durante séculos na vida do ser humano na terra. Era a força e o fraco sem juízes sem vaqueiros sem apelações, sem culpa e nem perdão apenas luta e que ganhe o mais forte.

Hoje a multiplicação de fracos por toda parte tornou o homem um inseto covarde e inútil, comandados por outros insetos que por sua vez se utilizam dos filhos dos covardes bois e os vestem fardas e armas e autorização para matarem apenas em nome do estado ou da companhia.

A maldade da bondade é o interior de nossa cultura, não aceitar a força natural do humano é a construção da substituição do homem pelo boi e do boi pelo homem é a eliminação de ações gigantes e belas que o passado assistiu e admirou e a criação do cliente, imbecil feliz e comandado por ideias de outros e completamente alheio a si mesmo.

O que pensa uma pessoa? Hoje tranquilamente apenas ser escravo de algum grupo poderoso de covardes e receber um salário e ordens e ser chamado de cidadão.

É, a vida humana se acabou, temos agora o mundo formado por melancolicos fantasmas que se vigiam, afinal viver é somente uma mera lembrança de um passado que não volta mais, enquanto isso, vaqueiros e massa se amam entre guerras, fomes, fascismos e sempre falando e ouvindo frases e palavras belas e confortantes.

A felicidade guardada no cofre é agora contada em cedulas ou assassinatos.

O fantasma anda e é o desejo oculto.

ronaldo braga

3 comentários:

andre disse...

A culpa é do rebanho!

Que escolhe sempre um lobo como pastor.

Luciano Fraga disse...

Braga, como diria Sartre: "tereis curiosidade em saber, suponho,o que pode ser um homem que não gosta dos homens..." Muitos homens substituem a palavra culpa por DES-culpa para oprimir, escravizar,adestrar, dominar enfim... Abraço.

glauber albuquerque disse...

Que resumo tão brilhante das relações existenciais frivolas do nosso tempo, se nao de outros tempos.

Facil lembrar de Nietzsche, facil perceber a realidade genuina nessas linhas.


"A vida humana se acabou, temos agora o mundo formado por melancolicos fantasmas que se vigiam, afinal viver é somente uma mera lembrança de um passado que não volta mais"

E por ai caminha a humanidade...