sábado, janeiro 29, 2011

a culpa e o rebanho


A culpa produz o absurdo do seu oposto e causa impressão de bondade, mas durante séculos a culpa esteve longe das paragens desérticas do interior humano e a plenitude marcava os encontros e a covardia era punida com a morte. Hoje a culpa predomina e os oprimidos que na verdade são covardes mantidos vivos vivem a sensação de serem protegidos, uma vez que por serem covardes eles não podem se protegerem. Mas na verdade os oprimidos sabem que isso não é verdade, sabem que eles, os oprimidos, são apenas pretextos para expiação de culpas de cristãos poderosos que se tornam vaqueiros e tangem por pastos urbanos humanos que não aceitam a verdade humana.

Somente a maldade da culpa explica esse martírio, esse fascismo que se tornou a relação entre opressor e oprimido, duas faces do covarde. A culpa engendrada na pequenez do homem ou mulher que a sente e por isso não pode aceitar a realidade e a dureza da vida e buscam formas cruéis de serem bons.

Por que um homem defende outro? Por que um homem não pode matar outro?

A defesa é apenas uma mascara para a própria impotência, expiação menor de menores em estado de “quero morrer heróicamente, mas que pena, sou apenas um covarde”.

O homem um ser egoísta e que ver crescer em si mesmo toda vaidade da natureza é antes um ser não natural com um natural desejo pelo poder e pela força, um ser construído, moldável, mas que carrega em si a beleza do mal e quando fraco se torna um não – ser, um completo medroso, mas ao mesmo tempo muito potente na sua obstinada auto-repressão e na infinita capacidade de guardar rancores, de planejar pelas costas e de falar por entre frestas.

Como seria o homem ou mulher em nosso tempo? Senão homens e mulheres oprimidos por duvidas, culpas e covardias alimentadas na cruel realidade de assassinarem todo desejo que carrega dentro de si. Que tipo de homem pode ser construído e moldado no tempo de um deus fraco, e que morre pra salvar?

A direita e principalmente a esquerda se apoderam da culpa dos covardes senhores e engendra na humanidade a sua maior desgraça que é a construção do homem boi, aquele tangido por vaqueiros que se responsabilizam tanto pela ração como pelas ruminações internas e externas do próprio homem, fazendo do covarde o ideal da vida e do forte um terrível bandido que precisa antes de mais nada serem banidos da terra. Mas ilusão pregada ilusão perdida, e o vaqueiro dono do pasto determina tudo na vida, mas o covarde trás em si a pulsação pela traição pela mesquinhez e ele o covarde que se auto proclama bom precisa de sangue para expiar a sua própria covardia.

Relação construída na mentira e negação tanto a direita quanto e principalmente a esquerda se tornam crueis e desumanos, formando grupos sangrentos e covardes e eliminado o individuo pleno e independente, pois o temor do vaqueiro é a individualização humana, aquele que se sabe forte prefere a morte que o pasto e a ração, enquanto o fraco clama por justiça e por finalmente calar a vida e assim ele o fraco ser poderoso.

Sem a culpa os vaqueiros seriam relegados e desnecessário, como foram durante séculos na vida do ser humano na terra. Era a força e o fraco sem juízes sem vaqueiros sem apelações, sem culpa e nem perdão apenas luta e que ganhe o mais forte.

Hoje a multiplicação de fracos por toda parte tornou o homem um inseto covarde e inútil, comandados por outros insetos que por sua vez se utilizam dos filhos dos covardes bois e os vestem fardas e armas e autorização para matarem apenas em nome do estado ou da companhia.

A maldade da bondade é o interior de nossa cultura, não aceitar a força natural do humano é a construção da substituição do homem pelo boi e do boi pelo homem é a eliminação de ações gigantes e belas que o passado assistiu e admirou e a criação do cliente, imbecil feliz e comandado por ideias de outros e completamente alheio a si mesmo.

O que pensa uma pessoa? Hoje tranquilamente apenas ser escravo de algum grupo poderoso de covardes e receber um salário e ordens e ser chamado de cidadão.

É, a vida humana se acabou, temos agora o mundo formado por melancolicos fantasmas que se vigiam, afinal viver é somente uma mera lembrança de um passado que não volta mais, enquanto isso, vaqueiros e massa se amam entre guerras, fomes, fascismos e sempre falando e ouvindo frases e palavras belas e confortantes.

A felicidade guardada no cofre é agora contada em cedulas ou assassinatos.

O fantasma anda e é o desejo oculto.

ronaldo braga

quinta-feira, janeiro 27, 2011

charles em o tédio da vida



Este é charles um rapaz que olha o mundo e nele percebe somente vazios e uma ou outra vez um sorriso pode sair de sua boca mas rapidamente charles sente que as pessoas são vazias e sem nenhum sentimento.
Charles se sente fora de lugar no mundo. em breve charles vai ta por aqui atacando a merda do mundo com sua indiferença e sem querer vai acabar se envolvendo e ajudando outras pessoas. espere e verá charles o indiferente.

texto de ronaldo braga
desenho e criação de personagem tiago cerqueira

quarta-feira, janeiro 26, 2011

QUATRO




Sobre o meu nascimento me contaram muitas coisas até eu completar dez anos, depois disso silencio total, eu nunca soube o motivo, mas dez anos pareceu um limite para os adultos de minha casa falar do meu nascimento.

O que uma tia sempre me disse, era que chovia e trovejava intensamente e que quando eu dei meu primeiro berro já era madrugada e era exatamente quatro horas da manhã do dia quatro de Junho de 1959. Na verdade contaram muitas historias, mas somente essa que eu lembro com exatidão.

Toda lembrança de minha infância começa a partir dos meus quatro anos, nenhuma recordação anterior existe, eu lembro com clareza de um fato que me marcou muito naquele ano de 1963, eu estava na Tapera, um povoado da zona rural de Cruz Das Almas, na venda de meu avô Augusto e ele completamente bêbado começou uma discussão com um cigano e pouco depois os dois sacaram suas armas de fogo e começaram a atirar um no outro, eu estava entre os dois e eles, depois de dois ou três disparos me viram e resolveram parar o tiroteio e voltaram a beber e rir, meu avô pediu pra eu não dizer nada a minha mãe e eu nunca contei a ninguém sobre este fato, o curioso é que eu me senti bem no meio daquele tiroteio e não sentir medo, ao contrario senti uma atração forte e uma intensa felicidade, hoje eu percebo que eu tinha total noção do que ali acontecia.

Este dia foi muito bom pra mim, pois terminado o tiroteio meu avô me deu tudo o que eu desejei de sua venda (quitanda) e depois disso eu ficava sempre esperando um novo tiroteio, mas nunca mais testemunhei outro, soube que dois duelos desta natureza aconteceram envolvendo meu avô, mas pro meu azar eu não estava por perto. Meu avô não feriu e nem foi ferido nestes embates com armas de fogo, lembro dele como um homem forte, bruto e que com 70 anos subia em qualquer árvore e não temia nada, ele sempre foi o meu super-herói preferido.

Outra lembrança com meu avô eu já tinha 8 anos e estávamos almoçando em sua casa e depois do almoço eu disse que ainda tinha fome, meu avô então pediu a Nenzinha, sua mulher, que não era minha , pra fritar uma dúzia de ovos de galinha e depois com um rebenque na mão me obrigou a comer todos com farinha arroz e feijão. Fui direto pro hospital, mas isso em nada manchou a imagem que eu tinha dele, apenas me fez ter maior cautela. Todos os meus irmãos adoravam ir pra casa dele e nós o chamávamos de pai da roça.

A minha história é triste e alegre, eu sempre escondi quem eu realmente era, tinha muito medo dos adultos, mas nunca cumpri suas ordens. Eu lembro que tudo o que meu pai dizia eu concordava, mas era ele dar as costas e eu fazia somente o que eu queria. Eu apanhava muito e aquilo pra mim era apenas o dever de meu pai me bater e eu nem ficava zangado e depois dos sete anos eu achava que a surra só era ruim na hora que acontecia, depois era até gostoso, eu dormia um sono bom e bem quente. Apanhei dos 5 anos até os 15 todos os dias. Meu pai assim que chegava em casa dizia:

- Ninguém hoje me deu queixa de você, mas eu tenho certeza que alguma maldade o senhor cometeu. Então me olhava firmemente e pedia em voz alta e autoritária:

- Vá pegar a palmatória - E me dava uma dúzia de bolo com uma palmatória de madeira bem solida e pesada, eram seis em cada mão.

Aos seis anos escrevi a minha primeira poesia, eu completamente apaixonado por uma vizinha de 26 anos, o pai dela era açougueiro e todos os garotos da rua tinha muito medo dele. Toda tarde ela nos chamava e pedia pra nós, meninos todos entre seis e sete anos, seus vizinhos, puxar uma corda e retirar água da cisterna e encher o tanque da casa, depois ficava completamente nua e transava com a gente, na verdade ela apenas esfregava aquele monte de cabelo umido em nosso sexo duro e a gente podia também cheirar.

Mas assim que ela dizia meu pai ta chegando todos nós corríamos e íamos pro campo e lá deitávamos na grama e riamos e riamos e nos sentíamos homens e belos e vigorosos, eu era o único que dizia que ia me casar com ela. Manezinho com sete anos falava bem alto e mexendo comigo:

- N você é otário, ela é puta, faz isso pra todo mundo.

Aquilo pra mim não era problema, eu apenas queria ser um desses muitos que ela esfregava aquela coisa cheirosa, molhada e quente e que me deixava maluco.

ronaldo braga

VERÃO DE 1966( já postado aqui antes)

"Quando os mortos encontram a vida saltitante e feliz, intensas dores de impotencia e raiva exalam de si e então a destruição da vida é o unico objetivo dos mortos" rbraga





1966 era o ano dos meninos em Cruz das Almas, dos domingos sol ouro a invadir pulmões e desejos clareando sentidos e risos em babas corridos à povoar os tempos e nos intervalos a imaginação sexo a exigir punhetas. Nestor cansado cantava aos deuses e Agripino contava as novidades de meninas em nuas palavras.
Todos sorriam diabólicas transas imaginadas e em 1966 éramos belos e desejados em nossos sete anos de uma vida sonhadora de jardins eternos e flores galantes, tudo era permitido e até estimulado, catecismos circulavam e meninas jogavam saias aos ventos e era delícia olhar o tempo.
Frestas e muros baixos e moças nuas embalavam nossas tardes de verão. Mas Julieta, a menina dos olhos azuis, e do sexo faminto, era a temeridade do grupo, com a realidade exposta e nua que nos amedrontava e pedia distâncias. Queríamos sonhos, e a menina a exigir corpos e um saber tudo, isso irritava nossos suspiros perfeitos, e postulavam segredos loquazes a fragmentar certezas e denunciar crianças.
Corríamos e então de longe olhávamos a menina a cantar prazeres em homens barbudos no canavial. E de longe sorríamos felicidades e podíamos sonhar desejos e segredos de futuros. E a menina soltava uivos de dor e prazer e nos fazia tremer até os pés. E à tardinha dourada iluminava seios ausentes em uma menina precoce, bela e bruxa. A tarde ganhava cores da noite e pouco a pouco só nós e a menina nua a chorar alegrias e dormir cansada na noite de estrelas e pássaros verdes, e nós assustados e felizes olhávamos aquele corpo feminino e nos imaginávamos dentro dele e éramos reis numa terra distante e sabíamos a hora de casa e o caminho de volta era lamentações e silêncios.

Na casa da menina gritos e correria, a menina sumira. Nestor medroso e apressado contava tudo.

O erotismo da menina era visível a todos os cruéis sorrisos, e imanentes maldades desenhavam agruras florais, e odiavam a menina que sorria sempre, e de suas pernas, tremores acalentavam esperanças, enquanto nas camas, meninos imaginavam bundas, e lá fora a chuva amainava impulsos e a menina, com seus olhos azuis, era metodicamente cuidada. A mãe em infinitesimais passos implorava aos céus e permitia o exame em um desesperado alento: imergir devaneios e salvá-la do fogo carnal precoce. A menina sem entender, ouvia canções de dor e de limpeza.
Tudo nela era difração e sexo em seu olhar azul. O médico sorria desejos e anunciava receitas e recomendações.
Vizinhos em todas as frestas disputavam fofocas e falavam verdades, na rua, um corre-corre de sentenças, zumbiam rancores: a menina era o diabo de saia nas bocas de sapos.
A noite inelutável resguardava segredos de lençóis, e em tristes namoros, moças garantiam normalidades decoradas, em um repetir de tolas negativas constitutivas de vazios, e em tédios insistentes o povo festejava o corpo da menina em estranhos desejos perdidos em suspiros, que agigantavam pensamentos eróticos e irritavam seios e mãos numa cidade de cores mortas.

A covardia ensaiava a não-vida e saltava horrores nas mentes obscenas, e a menina, calada e distante, da janela, a olhar vazio um mundo abandonado de seus olhos, que outrora azuis, agora opacos fitavam o nada, enquanto excrementos escorriam de sua boca aberta, e puniam desejos infantis, numa tristeza que engendrava vidas e obliterava canções.
A menina era a noite perdida.
E as rezas agradeciam o calmo sorriso doente.

Ronaldo Braga

quinta-feira, janeiro 20, 2011

É TEMPO DE MEDO

Quando falar ou escrever sobre esse ou aquele assunto se torna perigo de vida ou morte, é hora de olhar o passado, e mais uma vez olhar com desprezo os capachos e sorrir com serenidade a vitoria de pensar o mundo com liberdade e solidão.
É tempo de medo e comedia, gargalhada e servidão, mas por outro lado é tempo de decisão.
NÓS SOMOS A DIFERENÇA. E devemos fazer a diferença.


ronaldo braga
baixinha da vitoria
cruz das almas- ba

geraldo vandré, pra não dizer que não falei das flores

London london

segunda-feira, janeiro 17, 2011

Santa sangre parte 1

alejandro jodorowsky





postado por bragasepoesia

sábado, janeiro 15, 2011

critica da critica e eu quero é botar meu bloco na rua



O texto CorruPTos, escrito por SANTANA, é antes de mais nada um texto que se não diz mentiras, também não diz verdades, antes escamoteia a verdade, tornando sublime a própria corrupção, fazendo dela um artifício do pt.
Ele afirma ser o pt um partido corrupto, mas esquece fundamentalmente do próprio processo da política e da despolitica. O partido político não pode fazer política, só pode fazer despolitica,uma vez que política é re-dividir o mundo já dividido e o único mundo que o partido divide é o mundo dos cargos e das influencias.
Mas vamos do inicio, primeiro o partido está inserida na realidade da representação, e ela a representação é uma falácia, é um discurso excludente com ares e aparência de colhedor. O representado é o único que não pode interferir nos negócios dos seus representantes e quando isso acontece a policia é chamada pra fazer ver aos representados o seu lugar na história: o papel de bobo. É a representação um processo de anulação da sociedade nos rumos de sua vida, portanto sem forçar a barra podemos chamar de um fascismo que recebe nome pomposo de democracia representativa. Nenhuma pessoa representa outra, se uma pessoa afirma lhe representar você está diante de um corrupto, e então podemos verificar que nem somente o pt é corrupto, a existência de um partido político no mundo da representação é sim a verdadeira corrupção.
O texto de Santana vai tratar a corrupção, como o ato de roubar, como o caso de petistas roubando o dinheiro publico.Tal fato se não é mentira, pois petista roubaram e roubam o dinheiro publico, também não é verdade, por que inocenta aqueles que diretamente não pegaram o dinheiro no cofre, ou ainda não foram denunciados, mais é beneficiado pelo sistema corrupto da representação, não há inocentes na governabilidade, governar é manter o povo dominado, governar é mentir, porque não há outra maneira de governar em um sistema de representação que não seja pela propina, a corrupção é o lugar do consenso em qualquer sistema de domínio seja capitalista ou comunista, é só ali na corrupção que o partido no poder, pode se manter no poder e empregar os companheiros em ministérios e outros cargos. A questão do povo entra na governabilidade e quando existir dificuldades temos a policia e a mídia como papel fundamental na conservação e divulgação dos discursos que servem como nevoa encobrindo a realidade.
Podemos notar, portanto, que a corrupção é a própria existência de qualquer partido e que uma realidade corrupta reproduz a corrupção, também há o inegável fato que o sistema capitalista existe para acumular capital para os capitalistas e que para o povo quando for possível migalhas e toda vez que um governante de um sistema capitalista doar migalhas para o povo, pode ter certeza aumentou e muito a passagem de dinheiro publico para os grupos fortes deste sistema, é a lei do neo - liberalismo, para os excluídos a boa vontade dos ricos e dos governos: bolsa( familias e etc), para os capitalistas todo o dinheiro acumulado com o imposto que é um verdadeiro roubo. O imposto sim é o pior e mais descarado roubo.
Bom, outra corrupção é a promessa de mudanças sociais, e essa é a principal corrupção do pt, por que o que muda é a realidade daqueles que transitam dentro e no entorno do todo poderoso governo: O partido eleito e seus aliados.
Para o povo eles criam um discurso: "fazemos o possível para melhorar a vida da população", mas enquanto para eles, eles fazem o impossível para se manterem nos (seus) cargos, o texto do sr. SANTANA não enxergou esta triste realidade da representação. Essa corrupção é típica da esquerda, que vende a revolução e mais que isso cada grupo é o dono da revolução certa e o povo que não aceita é quando a esquerda não está no poder um alienado, mas que quando a esquerda vai para o poder é um inimigo e deve ser preso ou eliminado, é só ver a história da Rússia, de Cuba, da china e de outros que se autodenominaram de revolucionários e quem expressou seus pensamentos, nesses paises foi logo taxado de contra-revolucionário, e morto, assassinado pelos bons rapazes da esquerda.
Li também a critica ao texto do sr. SANTANA escrita pelo senhor Fernando Neftalli Garcia, e o achei falacioso, uma vez que não criticava as falhas cientificas do texto do SANTANA, não desnudava a politica e muito menos a despolitica, mas veio com um argumento fascista, o de que denunciar é um ato de dor de cotovelo ou por que não foi aceito no banquete com o dinheiro publico, imagine, o sr Fernando Neftalli Garcia reduz a denuncia a grupos ou pessoas que estão fora do come-come, daí para mandar fuzilar os insatisfeitos vai depender somente do poder deste homem, que tem uma idéia anacrônica como essa, na verdade apesar das palavras pretensamente conceitos, o texto de Fernando é pobre em debate mas rico em escamotear, disfarçar e mais ainda em esconder verdades que para ele ficou difícil de expressar.
Quanto o que fazer diante da vida uma vez que a direita não presta e a esquerda presta muito menos, fica a certeza que o capitalismo precisa de minha semi-liberdade enquanto que a esquerda precisa de minha escravidão. Cada um que escolha.
O capitalismo não resiste com muita opressão às claras, as ditadura são mantidas quando necessárias para calar o povo, depois a pseudo-liberdade é imposta para que os negócios possam crescerem. Com balas pra todo lado não tem lucro.
Enquanto que a esquerda não fica dez minutos no poder se abrir mão da escravidão, principalmente a intelectual, a esquerda precisa da coisificação do individuo, tratando-o como massa ou como cachorro, distribuindo rações de comida e de informação.
Fica aqui a minha contribuição para aqueles que desejam o debate e mais que isso para aqueles que não aceitam a opressão tenha o nome que ela tiver.

RONALDO BRAGA

segunda-feira, janeiro 03, 2011

Boogie Everywhere I Go - John Lee Hooker e o nó da lagrima



O nó da lágrima ao cair a mascara desata toda compostura imposta no falso jogo social e denuncia os refúgos, simulacros em arquetipos eternamente repetidos por toda estupidez humana, numa recorrencia infelizmente constante.
É o insistir neurotico paranoico impondo a todos um mundo de falsas necessidades e tolas identidades, é o mundo do oco e suas policias e seus politicos.
Já houve tempo que artista plastico, poetas, teatrologos e escritores eram inimigos ferozes dessa canalha, hoje podemos afirmar que a canalha descobriu o preço.
Mas o nó do proprio nó quando desatado se torna caminho duplo em uma via congestionada e negada.
Sabias palavras encontram no artista vendido o seu duplo no vazio de sua besta existencia e então se tornam posudos, pois a dor garante apenas a certeza da covardia de seus atos e o mundo agora é apenas o sujo detalhe de uma força calada.
Em doses cavalares artistas viram balconistas e contam cedulas, outros mostram cartas de outros maiores e o tempo cruel lhe chama a razão de seu sorriso perdido.
O certo é que a arte suada no sangue precisa de uma transversalidade, precisa de uma inteira e desproporcional perversão e o permetido já não diz mais nada quando obras cantam versos que traduzam no minimo aplausos e nenhum desconforto.
A arte imanente da morte cria corredores por onde toda a vida trancada desliza em suaves dores.

ronaldo braga

este texto nasceu do comentario que eu fiz para um poema de luciano fraga -golpes de sorte

a herança lá

É sim coisa de politico, e é mais que isso é a herança do polvo para o novo (novo?) presidente.
alguns pensaram que seria o proprio polvo , mas ta muito belo pra ser ele.
e o brasil que se cuide. se não vira um grande tumor maligno.
bom será que depois de 12 anos ainda vão culpar o fhc e dizer que esta obra é dele?
acredito que a dele foi servida pro povo pelo pt.
desenho- thiago cerqueira
texto - ronaldo braga
e tem mais:

Mentira tem pernas curtas. a canalha petista nas eleições bateu fundo na privatização e no primeiro movimento privatiza os aeroportos. e diz que não tem dinheiro. como? não deu bilhões pro fmi, não encheu os deputados e não tem o pre-sal? quanta mentira.
na verdade quando alguém propõe aumento pro povo vem logo a pergunta classica.
De onde sai o dindin?
mas pra dar pro fmi, pros deputados pra erenice guerra, pra mensalão tem dindin a vontade.
se o brasil não fosse um imenso pasto a dilma teria que renunciar por propaganda enganosa, afinal o coisa não fez o país crescer? ou não?
aqui na bahia o wagner pedagio e o o polvo privatizaram tudo quanto é estrada mas o povão vai ficar feliz pois ganhará aumento no feijão, na carne, no arroz e na passagen de onibus.
pt não deixe faltar capim se não o boi rompe a cerca.

rbraga

sábado, janeiro 01, 2011

A fogueira, os amores e as espadas de São João




O sol ainda não nascera e eu acordei e me levantei de um pulo, era 23 de Junho de 1972 e eu tinha muita coisa pra fazer.
Fui até o Karrate, comprei pão e manteiga, já em casa observei minha mãe acender o fogão e preparar o café, tomei o meu com pão e sair e fui pro trabalho de meu pai e ali fiquei até o final do dia.

Foi o dia mais longo de minha vida, eu completamente afobado e somente pensando em sair na noite gritando:
São João passou por aqui?
Era sempre garantido que em cada três casas duas atendesse. Eu, Lau, Beneu, Fau (o sofá) e o Nem, duas horas depois já bebados, trocávamos as pernas.
Depois de tomar mais um licor, saímos da casa do senhor Godofredo, localizada na praça Senador Temistocles, e enfrentamos a grande batalha de espadas.

Seu Sampaio colocava fogo em mais uma e o assobio ganhou a noite e nos fez correr pra trás de uma árvore. Ali protegidos a gente gritava a todo pulmão:


- É agua. É agua. É agua.

Estávamos todos atentos e assim que uma daquelas espadas se enroscava em alguma fenda corríamos e pegávamos e jogávamos de volta pro lugar de origem. Essa festa era de alegria e alguma morte, mas nem somente pelo álcool, e sim e principalmente a raiva e a impotência de alguns que se utilizavam deste momento festivo e se vingavam de algum desafeto.


Toda a cidade estava rodeada de fogueiras, casas ricas, casas pobres.

Havia sempre uma fogueira acesa, um licor de jenipapo e uma laranja já descascada pra quem chegar bater palmas e alto ou baixo gritar:

- São João passou por aqui?

A cidade fervilhava alegrias e prazeres, e em cada cantinho casais faziam crescer todas as empolgações. Era barulhenta a noite, e as promessas, os urros e os gemidos lutavam contra os gritos de meninos e meninas de todas as idades correndo atrás de uma espada fumegante a subir e a descer e a bater em casas e arrombarem portas e vidros e janelas.

A minha cabeça já completamente tonta e cheia de zunidos, pensava na rua Assembléia de Deus, que ficava longe do centro e bem junto da pista, mas ainda era cedo e eu precisava ficar mais bêbado e então ser o homem de ferro e olhar aquela menina e quem sabe beijá-la. Eu tinha um plano e só era preciso chegar perto dela, eu o olharia como o Django olhou aquela morena no ultimo filme que eu tinha visto e de repente e sem aviso prévio daria um beijo bem na boca e então o mundo todo seria azul, verde, lilás e quem sabe apenas vermelho como as brasas das fogueiras que impiedosamente queimavam lenha e iluminavam fielmente todos os bêbados.

Mas ainda era cedo e eu apenas um menino de 13 anos e bêbado não o suficiente.

Era meia noite e depois que as espadas começaram a rarearem o grupo então ganhou a direção da pista, e por sorte eu tinha encontrado a turma do Coelho, irmão da mulher dos meus sonhos e então o grupo agora maior era somente esperança de comer queijo, bolos, galinha assada e mais licores, eu somente pensava nela que na casa deveria sorrir e me ignorar como sempre.

Coelho foi amável e atencioso e ao chegar me avisou:

- Cara a minha mana te detesta, acha sua poesia ruim e tocou fogo na ultima que você me mandou entrega-la.

Ao ouvir isso em vez de desabar eu sorria e pensava:

Ela me ama e de verdade, só que não sabe ainda.

O Coelho preparou um prato com tudo o que tinha na casa, algumas espadas corriam pelo passeio queimando o chão delicadamente, todos corriam pra tentar segurar uma, eu ali somente pensava nela e a esperava e quando ela veio eu quase desmaio, como estava bela naquele vestido verde com linhas azuis e detalhes caipira. Ela me olhou e simplesmente chamou um nome e um rapaz que devia ter 18 anos apareceu a agarrou e a beijou.

Eu bebi quase que um litro de licor de pêssego, e depois um outro de jenipapo, comecei a passar mal e vomitei bem em cima do sofá da casa de minha amada, o pai dela me levou até o banheiro e depois nos mandou embora de forma dura e educada. No passeio segurando uma espada que acabara de acender o Coelho ria e ria e ria, ele não tinha me dito que o tal do fora da lei estava na cidade e eu então fui dormir e ali encontrar toda a felicidade que uma cidade inteira me negava.

Hoje trinta e sete anos depois, eu me lembro desses momentos e eles me parecem inexistentes, pois já não há mais fogueiras acesas e os corações frios se aquecem na base de porradas e mentiras, a espada já não podem mais deslizar delicadamente e os bêbados sangram na noite depois dos bolsos revirados e as portas agora fechadas e os ouvidos surdos.

Aquela frase mágica já não tem mais nenhum efeito e ao contrário pode ser um grande perigo, pois de dentro dos lares cristãos ouvimos algumas vezes vozes muito zangadas:

- Vai roubar o diabo filho da puta. São João não passa por aqui.

Bom se você estiver em Cruz Das Almas, no dia 23 de Junho no século 21, não diga essa frase, pois o pior pode acontecer.

-São João passou por aqui?

um dia magica e que embalava meus sonhos, hoje na melhor das hipóteses piada ou meramente lembranças.


ronaldo braga

para aquela cruz das almas que um dia eu amei