quinta-feira, dezembro 30, 2010

SEBASTIAN VALENTIN DE LA TORRE





Depois do café matinal bebi meu gole de conhaque e me preparei pra fumar um charuto vindo de terras lusitanas, nove horas e trinta minutos e um pálido sol convidava o dia pra junto de mim e acomodava minhas esperanças em definir uma vez por todas o que eu faria com o escravo rebelde.

Meu avô era a referencia marcante, ele parecia já saber como enfrentar os dissabores, não havia indecisão e nem mesmo lamentações. Meu avô acreditava que um escravo infeliz era um homem ruim e que não valorizava a fortuna de viver ali no castelo Valentin, e depois de seu café matinal, beber seu conhaque e fumar seu charuto, meu avô pegava a sua espada mais afiada e cortava o escravo em pedacinhos e o jogava do alto da montanha.

Eu me recordo da ultima vez que que ele empunhou sua espada e o rebelde e ruim homem o olhou nos olhos como somente os nobres podem fazer e cuspiu de sua boca imunda e inferior um catarro preto bem no rosto de meu avô. O nobre conde um homem de um bom coração ficou por um momento parado observando o sorriso maroto que saia do escravo, depois chamou o seu capataz e pediu que toda a família do miserável estivesse ali em poucos minutos e enquanto esperava fumou mais um charuto ainda com o catarro preso em seu rosto, depois sorriu levemente. A família do miserável chegou e era composta por 4 meninas a mais velha deveria ter nove anos e um rapaz de uns treze, e mais a mãe e a esposa do traidor que não sabia valorizar um senhor.

Meu pai então cortou um por um da família e depois mandou cozinhar e triturar e obrigou o homem ruim a comer, e assim que a festa acabou, foi como ele chamou aquele ato, expulsou o homem de suas terras sem um unico arranhão.

Hoje quarenta anos depois eu tenho que resolver o que faço com José, um criolo africano insolente.

Lá fora, Jose, amarrado em uma arvore esperava a minha decisão. Sorri pensando na criola filha mais nova de José que na noite anterior dormira comigo e que suspirara gozos e pedidos de clemência e meu avô me veio novamente à lembrança:

- Sebastian Valentin de La Torre, um escravo que pede clemência acredita que pode manipular seus senhores, não tenha piedade uma vez que não passa de um imprestável e se parece com esses cristãos que acreditam poderem determinar a vontade de Deus com rezas ajoelhamentos e sacrifícios.

Dei por terminado o charuto e ainda ouvindo as sabias palavras do velho Conde caminhei até o pátio e observei José, ele ali parado e se sabendo observado parecia tranqüilo e então me olhou profundamente e disse:

Senhor o mundo é uma roda e agora a roda precisa rodar faça seu trabalho bestial de um bestial nobre indeciso e fraco e depois não durma pois a cada dia os escravos ficarão mais insolentes.

Primeiro espumei de raiva depois mais calmo ordenei que o soltasse e o alimentasse, chamei sua filha e pra que todos ouvissem falei bem alto.

Não farei a vontade de escravos, você José será um exemplo e eu percebo claramente o meu destino, soltei a espada que prendia em minha mão direita, agarrei meu punhal e sem meias palavras cortei a minha própria garganta.

Antes de morrer pude ver a filha de José gritar e pegar a minha espada e enfiar na barriga do pai.

Um sorriso brotou de dentro da minha morte a dupla justiça tinha sido feita.


ronaldo braga

sábado, dezembro 25, 2010

Projeto escravo feliz.Volta lula








Hoje encontrei um brizolista daqueles que não existe mais, e além do mais coisa de trinta anos que eu não o via. Ele vocifera verdades e sempre chama o Darci Ribeiro, para provar todas as suas sentenças. Foi uma alegria o reencontro com cara de encontro, pois afinal trinta anos nos deixou completamente diferentes.
Depois que o deixei passei a refletir sobre o final do governo lula e resolvi agradece-lo, a contra gosto sim, mas sou obrigado a agaradece-lo.
Primeiro quero agradecer ao sr. lula por ter mantido o povo longe de uma boa escola, assim meus filhos que estudaram em escolas acima de mil reais por mês somente de mensalidade, pode tranquilamente saber que pelos menos setenta por cento da população estará fora da disputa nos bons concursos e nas boas faculdades, que além de boas são de graça e ainda arranjam uma bolsa em pesquisa.E ao mesmo fico imensamente agradecido ao lula por defenir que escola paga é para pobre, eu adorei esta sentença:
- No governo lula pobre vai a faculdade paga. Achei isso o maximo.
Segundo por lula ter estimulado as cotas para negros, assim meus filhos brancos estudam em uma boa escola primaria e secundaria e o pobre e negro estuda numa pessima escola e de presente e consolo ganha cotas, espaço marcado e gradeado do acesso as universidades, e neste item tenho que agradecer tambem aos movimentos negros que não se interessam por lutar por um ensino bom no primario e no segundo grau para os pobres e negros e estimulam a manuntaenção do pobre como bucha de canhão, ou da criança pobre negra como futuro alvo para as balas policiais do pt ou do seu socio o psdb.
Terceiro quero agradecer a lula por manter a saude do pobre ruim ou inexistente, assim os bons medicos ficam mais baratos, por que tenho certeza se a saude melhorar para os pobres os bons medicos vão ter mais pacientes e dificultará um pouco a vida da classe media, eu falo daquela classe media que pode gastar acima de cinco mil reais por mês com a manuntenção de sua familia.
Quarto quero agradecer ao sr lula por ter triplicado a divida publica e de pegar o dinheiro que cobra dos telefones e desviar e não aplicar na fiscalização.
Quinto quero agradecer ao sr lula por ter feito a carne ficar cara, assim em vez de meio quilo no almoço eu como 250 gramas e isso ajuda a minha saude, bom se o povo não pode comer, então melhor pros meus filhos que não terão concorrencia no futuro. Afinal o povo pode comprar moto em cem prestações e pagar no final quatro e assim enriquecer as montadoras. Afinal ele é o cara.
Sexto quero agradecer ao povo por desejar ficar sempre em segundo plano e quero tambem fazer uma pergunta.
Se vocês gostam tanto de lula ( eu gosto de polvo) por que tudo o que o povo usa é ruim ou nem existe? Senão vejamos:
- A educação do povo é uma piada;
- A saude do povo é assassintao;
- O transporte coletivo que o povo usa é uma desgraça;
- O povo mora em casa que parece mais morredouros.
É verdade que tem uma coisa que funciona bem. A repressão policial contra o povo.
Então povo feliz continue assim por que assim meus filhos tem mais chances de se dar bem e meus netos tambem
Feliz natal ao povo de lula.
Agora uma ultima razão de agradecimento ao lula é de ele ter feito menos reforma agraria do que fernando henrique.
Mas por outro lado ter distribuido muito dinheiro pros lideres para que os sem terra fique eternamente sem terra e os lideres ricos e o mundo bom e bonito dos brancos continue inalterado. Obrigado lula nós brancos o queremos de volta em 2014.
Por mim o sr lula ficaria trinta anos no poder, para que o projeto que começou a ser feito na escravidão com a religião finalmente fosse concluido:
Que é o projeto escravo feliz.

ronaldo braga

quinta-feira, dezembro 23, 2010

fotos teatro base e depois do almoço





acima fotos do fantastico trabalho de estudo e pesquisa teatral do grupo teatro de base.

Bom rapaziada o trabalho de vcs primeiro exala trabalho, suor. depois inteligencia, geografia.
e depois só depois teatro, por que teatro é menor, maior é a vida.
e esse teatro que na foto salta pra dentro de mim, primeiro me espanta e me conquista, me espanta por que o trabalho é muito serio e estetico, vcs estudam e isso é suor, vcs são artistas e brincam com esse mundo criando um unico mundo o da realidade cenica.
e me conquista por que é serio mas não é sisudo é apenas o corpo humano pelo avesso.
me orgulho por diego, lembro como foi o seu contato com o teatro e me orgulho pelo grupo que faz hoje de verdade o unico trabalho de teatro que se pode assim ser denominado na bahia.
diego e o grupo se vcs poderem vejam os trabalhos do avelã e avestruz um grupo da decada de setenta na bahia o marcio meireles era que fazia a direção. não gosto de marcio mas esse trabalho dele me encantou e aé hoje eu recordo de baal, peça de brechet que o avelã montou.
eu estou apaixonado pelas fotos e quero ver o trabalho.

Abaixo o poema que eu fiz depois de ver as fotos. fome de arte. fome de vida. fome de morte. trabalho cientifico este do teatro base, me inspira. eu cresci vendo estas fotos.
depois do almoço




No meu silencio
suas ausencias
tumultuam
minhas palavras nojentas
e de frente pro meu sorriso
a fome
enfeitada me encanta.
Oh fome como és bela e sensual,
tu és a morte em sua meia luz.

No silencio
cada soluço é uma guerra
e tú fome exaurida se deita
e és assim que te admiro
já cansada e na ultima lembrança.

Fome, no silencio de tua vida
cada pedido
é um poema cruel
que
apenas
me faz feliz.
Oh fome não morre ainda
o teu sofrer
me salva
me enleva
me faz ser sorrir e te amar.

oh fome resiste
clama grita se irrita
fica mais bela e radiante em tua pele esverdeada
pois do teu corpo morto
somente missas e orações
e nada disso
é belo como a tua agonia

oh fome me deixa aqui a te olhar

mais um pouco
por mim
não vá.

ronaldo braga

terça-feira, dezembro 14, 2010

SANGUE - Experimento Cênico para Arbítrio




Projeto Arbítrio - SANGUE, Primeio Experimento Cênico
Local:
Casa Preta
Endereço: Rua Areal de Cima, n. 40, Dois de Julho
Dias: 17, 18 e 19
Horário: 19h
Realização: Teatro Base, Grupo de Pesquisas sobre o Método do Ator

segunda-feira, dezembro 06, 2010

O CORPO SEM ORGÃOS



O que nos calam?

Segredos bobos, bolos?

Ou a luz nos olhos dos mortos?


pois nem somente eu vejo

o chumbo torto

no teu amor manero.


O que se cala na vida

foi sempre e ainda

os toques.


Mas no espelho

inverso transversal do meu não-ser

entre o querer e o não querer

das sobras e das cautelas

nasce o corpo quente

em pele fria.


E se é somente e exatamente

faltas.


Mas,

por e tambem

qualquer outro lado

apenas

retoques.


rbraga


BANQUETE DE LIXO

raul seixas




sábado, dezembro 04, 2010

caçada aos patos

a guerra é um negócio
a droga outro
e no topo da pirâmide
alguém ganha
nova prata de potosi
novo ouro dos gerais
alguém que vai à missa
alguém que conhece os corredores do congresso
e o pobre paga a pena
sem comer do pato sequer o caldo
é tudo tão óbvio quanto o verso
que rima o novo com ovo
ninguém quer tornar legal
o que já é banal
afinal de contas,
a guerra é um negócio
a droga outro
e quem é alvo é sempre o pato
com seu tranqüilo baseado
com seu inofensivo papel de 20
para os embalos de sábado á noite


nuno gonçalves
que alé de historiador é tambem cearense,pernabucano e cruzalmense