domingo, novembro 21, 2010

o encontro de Luciano Fraga,Ronaldo Braga e Nelson Magalhães Filho com Dionosius

A NOITE DE BACO



A pior coisa para um artista, sempre foi conversas antes, ou depois de uma apresentação. E bem pior se por ali estivessem esses falsos artistas, tipo sorriso acre - doce e vestidos, como artistas marginais, que buscam fama e dinheiro e estarem bem com o publico, com qualquer publico.
Homens e mulheres passeavam agonias em cores cômicas de domingos e eu pressentia que essa seria uma daquelas noites de Baco e de Hitler. Eu teria que combater cada fala cada pensamento e teria que sambar no ringue, senão iria a nocaute naquele desfilar de caras funestas e pesadas e bêbadas.
Eu não mais bebia e teria que ter o absinto, como companheiro vizinho ao lado de meninas passantes, em desesperadas compensações, e só nas lembranças de ousadas caricias, alerta, interrogando tragédias legais: Pedofilia crime capital.
E eu bebia água, obrigado Henry Miller, você me salvou, com sua técnica de se embebedar com água. Eu bebi dois litros antes do debate e podia sentir minhas narinas entraves cansarem sorrisos, enquanto as flores cansavam jardins.
E aí a luta começou: Eu fui duro: E dei de esquerda; De direita; Dei nos rins; E no estomago. No fim eles desistiram, e como se fossem donos da noite, os artistas de boutique encerraram o debate, numa fuga desenfreada e agonizante, para um confortante encontro de comadres, com palavras cuspidas a contra gosto no ritual de educados rapazes e moças. Vendilhões de almas e perdidos nas prostituições sistêmicas e aceitas.
Homens e mulheres sorriam ódios e fumaças escapavam de suas latrinas. Água e mais água suspiravam meus encontros, e então a melhor parte apareceu: Uma mulher: Sensacional fez o resumo da peleja com uma maestria e sensualidade que me provocou ondas por todo o meu corpo, ela me deu um longo e apertado abraço e me agradeceu por aquela noite: Valera a pena.
Meus amigos L.F. e N.M.F. que dera bons golpes e usara muito bem as pernas, também eram sorrisos, e sorrisos para ela, a fêmea da noite, que nos dera a garantia da vitória. Vitória? Sairmos dali com uma sensação de estarmos vivos. E um bar era o nosso objetivo imediato. E nos largados momentos de charutos e entregas, as conversas resumiam egoísmos e grandezas escapavam de nossas veias e o rio corria mansamente em nossa direção.
Crianças verdes nos sorriam distancias e a poesia martelava nossos desejos e ela ocupava pensamentos, e cheiros emanavam em uma cachoeira cativante e serena.
A noite foi de Baco.
Ronaldo braga

Um comentário:

Luciano Fraga disse...

Braga,e os sorrisos escoavam mansos dando sinais de contra-revolta,como a sina de quem teve que engolir, e lançar rolos de fumaça dos charutos podres, apanhados nos esgotos de uma "Nova York" do Recôncavo tomada por decandentes que tentaram nos fazer crer na onipotência de certas idéias sustentadas por poses, caras e bocas... Grande texto, abraço.