domingo, novembro 28, 2010

teatro em muritiba

Mulheres em Pé de Guerra
A peça aborda a situação em que se encontram hoje as mulheres brasileiras
de todas as classes sociais frente à sua relação com o homem: marido, filho,
pai, patrão. A partir de diálogos entre três amigas trabalhadoras, o resultado
das oficinas de iniciação teatral, ministradas pelo diretor Ronaldo Braga, trata
sobretudo da busca feminina pela felicidade e beleza, apesar das dificuldades
da vida. O espetáculo ressalta as mulheres guerreiras, que não se tornam
vítimas da situação em que vivem, mas, ao contrário, buscam caminhos alternativos
para superar suas angústias.
DATA | HORA | LOCAL: 18.11 (ensaio aberto) e 25.11 (estreia) | 19 horas
Escola Polivalente de Muritiba (Muritiba-BA).
FICHA TÉCNICA: Direção: Ronaldo Braga | Elenco: Bianca dos Santos de
Jesus, Débora Matos dos Santos, Girlane Santos, Junior Costa Pinto, Leila
Carolini dos Santos, Leticia Lobo, Magno do Rosario | Músico convidado:
Caio Santana Cerqueira Agradecimento: Sra. Girlane Santos (Diretora da
Escola Polivalente de Muritiba).


No dia 25 de novembro a peça mulheres em pé de guerra acontece e agrada ao publico, depois da apresentação um debate caloroso e democratico aconteceu e a violencia contra a mulher, a falta de investimento na educação e na saude foram renegados por todos os presentes.
é o teatro participando da alma e do corpo.
obrigado a todos os atores e aos participantes do debate.
VALEU MURITIBA.

ronaldo braga

domingo, novembro 21, 2010

corpo sem orgãos

O corpo sob a pele é uma fabrica superaquecida,
e por fora,
o doente brilha,
reluz,
em todos os seus poros,
estourados.


antonin artaud

o encontro de Luciano Fraga,Ronaldo Braga e Nelson Magalhães Filho com Dionosius

A NOITE DE BACO



A pior coisa para um artista, sempre foi conversas antes, ou depois de uma apresentação. E bem pior se por ali estivessem esses falsos artistas, tipo sorriso acre - doce e vestidos, como artistas marginais, que buscam fama e dinheiro e estarem bem com o publico, com qualquer publico.
Homens e mulheres passeavam agonias em cores cômicas de domingos e eu pressentia que essa seria uma daquelas noites de Baco e de Hitler. Eu teria que combater cada fala cada pensamento e teria que sambar no ringue, senão iria a nocaute naquele desfilar de caras funestas e pesadas e bêbadas.
Eu não mais bebia e teria que ter o absinto, como companheiro vizinho ao lado de meninas passantes, em desesperadas compensações, e só nas lembranças de ousadas caricias, alerta, interrogando tragédias legais: Pedofilia crime capital.
E eu bebia água, obrigado Henry Miller, você me salvou, com sua técnica de se embebedar com água. Eu bebi dois litros antes do debate e podia sentir minhas narinas entraves cansarem sorrisos, enquanto as flores cansavam jardins.
E aí a luta começou: Eu fui duro: E dei de esquerda; De direita; Dei nos rins; E no estomago. No fim eles desistiram, e como se fossem donos da noite, os artistas de boutique encerraram o debate, numa fuga desenfreada e agonizante, para um confortante encontro de comadres, com palavras cuspidas a contra gosto no ritual de educados rapazes e moças. Vendilhões de almas e perdidos nas prostituições sistêmicas e aceitas.
Homens e mulheres sorriam ódios e fumaças escapavam de suas latrinas. Água e mais água suspiravam meus encontros, e então a melhor parte apareceu: Uma mulher: Sensacional fez o resumo da peleja com uma maestria e sensualidade que me provocou ondas por todo o meu corpo, ela me deu um longo e apertado abraço e me agradeceu por aquela noite: Valera a pena.
Meus amigos L.F. e N.M.F. que dera bons golpes e usara muito bem as pernas, também eram sorrisos, e sorrisos para ela, a fêmea da noite, que nos dera a garantia da vitória. Vitória? Sairmos dali com uma sensação de estarmos vivos. E um bar era o nosso objetivo imediato. E nos largados momentos de charutos e entregas, as conversas resumiam egoísmos e grandezas escapavam de nossas veias e o rio corria mansamente em nossa direção.
Crianças verdes nos sorriam distancias e a poesia martelava nossos desejos e ela ocupava pensamentos, e cheiros emanavam em uma cachoeira cativante e serena.
A noite foi de Baco.
Ronaldo braga

quarta-feira, novembro 10, 2010

direito prescrito

cia zem apresenta



ELEGIA PARA CHARLES BUKOWSKI

Ele dizia
que um poema
eram poetas
egoistas, amargurados
traduzidos
em loucos recados.

Nove de março
eu tomava um porre
saudando outros
que tomastes
em vida.

Vomitei luas impossiveis
fui de tudo
e fiquei sem nada
a madrugada crescia
na rua teus passos
desapareciam de nós.

Vários porres
pelo porre
enquanto
Bukowski
morre.

Zeca de Magalhães

segunda-feira, novembro 08, 2010

a minha prece foi atendida




assinado- trabalhador cubano torturado.

Na Alemanha a igreja catolica fez de hitler um deus todo poderoso, aqui no brasil, a igreja universal do reino de deus montou na mentira lulista e fez de dilma uma santa.
Mas nem a igreja e nem a dilma responderam as perguntas que não calam:
o que a dilma vai dar de troca aos empreiteiros que doaram milhões para a sua campanha?
quanto custou ao cofre da viuva as casas de pombos que o pac fez para o povo?
e a cpmf?
não tem o presal, ou o presal já tem dono.
Será que collor conhece o dono do presal ?
E continua o brasil descendo a ladeira....

rbraga

terça-feira, novembro 02, 2010

cara a cara com o inferno

Estou discutindo a palavra amizade, o que será que existe de verdade nessa palavra e nessa relação detonada por essa palavra? A amizade comercial financeira, amizade grega, a amizade militar, a amizade partidária, a amizade sexual ou a amizade afetiva?
Tenho tido muitas violentas crises de identidade, principalmente comigo mesmo, ou seria possível com outra persona?
Hoje o mundo preto e branco, respira o ar dos finalmentes e das finalizações, pessoas azedas compram sorrisos e bares exigem educação e controle, controle? Estranho o mundo dos espertos até mesmo nos bares, nos estádios estão querendo controle: Amigo o negocio é beber e ser educado, falar baixo.
Eu sou um estúpido ateu, que permito à minha tristeza planos de crescimento e deixo rolar toda a minha virulenta violência, eu gostava dos bares e saibam que se tem um lugar que eu tinha amigos era nos bares, mas isso nunca impediu que eu sempre levasse porradas de clientes e donos, eu sei que aprontava e então os bares fugiram de mim e eu pude sorrir levemente e fechar os olhos e sonhar bombas vermelhas arrasando quarteirões. Eu não sei como os outros se saem nessas situações, eu sempre saio perdendo.
Alguns amigos te exigem fidelidade, mas são infiéis, outros te pede demais e poucos nem te conhecem.
Antes, no negocio da amizade é preciso atenção na descida do esparro que a alegria alavanca, um amigo novo sempre chega bem devagarinho e quando você percebe já ordena e organiza teu inferno.
Na primeira juventude amizade é afirmação e o re-re-reconhecer no outro o você e você nas ações de um outro-eu-mesmo, depois é necessário emprego, dinheiro, mulheres e por outro lado a amizade agora é a base de um sucesso que fracassado já nasceu, mas que nem mesmo você sabe. Os dias viram décadas e então nos cabelos brancos a amizades é memória, constatação, decepção de um você arrancado até seu ultimo desejo e então amizade é solidão.
O ideal seria não haver este encontro, gostar do que em uma pessoa?
Eu prefiro gostar das ações e hoje a distancia me parece o melhor remédio, encontros nos desencontros, pois amigo mesmo é o seu inimigo e ele pode ser a diferença entre a tua imbecil esperança e a tua vitoria caliente.
Preservo em minha memória ainda desejos de encontros, salutares conversas e alegrias furtadas de uma dor maior desconhecida, que a população do século das luzes jogam para baixo do tapete e punem com severidades àqueles que preferem o cara a cara com o inferno e que escarram sem nojo o próprio rosto.
Pessoas são tolerantes e nada amantes, antigo reflexo de um perigo imanente em um passado hostil e tenaz, covardes pessoas programam futuros em perdidos presentes e se armam, se enganam, se escondem quando amam, e ai são sempre super homens e super mulheres, mas basta o acender das luzes e primatas mostram a cara de bicho, o respirar animal e como disse artaud um ser humano sem controle é apenas um estúpido animal sexual.
Artaud tem razão eu sou apenas um estúpido animal sexual
Amigo, amizade é negocio e negocio se ganha e se perde.
Mas o que me não espanta
É que você-eu quer só ganhar.

rbraga

CONDIÇÃO TERRÍVEL


RISONHO – Por que não procuramos o Menino?

SONOLENTO – É verdade. Eu vou!

RISONHO – Você vai?

SONOLENTO – Eu vou!

RISONHO – Então vá!

SONOLENTO – Eu vou!

RISONHO – Então vá!

SONOLENTO – (Continua sentado.) Estou indo! (Mantém o olhar no horizonte.)

RISONHO – Está vendo ele?

SONOLENTO – Ainda não.

RISONHO – E agora?

SONOLENTO – Ainda não.

RISONHO – E agora?

SONOLENTO – Ainda não.

RISONHO – E agora?

SONOLENTO – Ainda não.

RISONHO – (Gargalha, mas não sai nenhum som.) E agora?

SONOLENTO – (Em felicidade eufórica.) Estou, é o Menino!

RISONHO – Onde, onde?

SONOLENTO – (Aponta para frente.) Ali, olha ele ali!

RISONHO – (Olha na direção.) Grite! Chama ele!

SONOLENTO – (Sussurra.) Menino... Ei... ei... Menino... Menininho...

RISONHO – Grita! Diz que quer bolo.

SONOLENTO – (Sussurra.) A-há, u-hú, Menino eu quero comer seu bolo...

RISONHO – Mais alto!

O Sonolento tenta levantar um braço, mas ele cai. Tenta levantar o outro, mas ele cai. Levanta os dois, mas os dois braços caem.

SONOLENTO – Os meus braços não me obedecem mais. (Sussurra.) Menino...

O Risonho tenta se levantar, mas cai. Tenta se levantar novamente. Fica de pé, meio que desequilibrado, mas desaba no chão com o traseiro para o ar e a cara no chão. Mantém os braços fazendo sinais.

RISONHO - Pronto, eu estou fazendo os sinais com as mãos, agora grita... “Eu quero bolo!”

SONOLENTO – (Sussurra.) Eu quero bolo!

RISONHO – “Eu quero bolinho!”

SONOLENTO – (Sussurra.) “Eu quero bolinho!”

RISONHO – Bolinho de uva!

SONOLENTO – (Sussurra.) Bolinho de uva... Mas bolo de uva não existe!

RISONHO – (Fica sentado.) Claro que existe. Já disse que sou sensitivo. (Olha na direção do Menino.) Olha, lá, o bolo é azul anil, claro que é de uva.

SONOLENTO – Como você sabe que a cor do bolo de uva é azul anil?

RISONHO – Ora, essa... É tão óbvio!

SONOLENTO – Claro que não é óbvio... (Pausa.) Olha, lá...

RISONHO – O que foi?

SONOLENTO – O Menino... Ele foi embora... (Horrorizado.) Foi levar o bolo para outra pessoa... (Funga.)

RISONHO – (Gargalha, mas não sai nenhum som.) Que bosta de dia! (Fala mais baixo. Sorrindo.) Uma bostinha!

Silêncio.

SONOLENTO – Depois me dizem que não temos perspectiva.

RISONHO – Hã?

SONOLENTO – Depois me dizem que não temos perspectiva.

RISONHO – Mas o que tem haver?

SONOLENTO – Ora, essa... Eu só vejo uma coisa, o Menino, e a única coisa que quero é que ele traga o bolo. O que custa? Atravessar a pista? Só tenho esse desejo... (Pausa.) Quero ir para Pasárgada!

RISONHO – Eu também!

SONOLENTO – Comer o Lendário Bolo de Beterraba com Hortelã.

RISONHO – (Suspira.) Hum...

SONOLENTO – (Pausa. Olha para o Risonho.) Eu podia te comer!

RISONHO – Sai pra lá, ô!

SONOLENTO – Eu podia te comer. Depois... eu te como de novo.

RISONHO – Eu, hein... Que coisa estranha.

SONOLENTO – Você é um bolo. O Lendário Bolo de Beterraba com Hortelã. O Lendário Bolo de Beterraba com Hortelã de aniversário!

RISONHO – (Sorrindo.) Então você é o bolo de caju... ou de uva... ou de maracujá, ou de...

Ouve-se um ronco. Eles ficam quietos, subjugados. Silêncio. O Risonho funga e limpa o nariz, logo em seguida o Sonolento funga e limpa o nariz também.





Fragmento da peça "O Bolo de Aniversário do Menino Ranhoso (Peça em ato único para crianças)" de Diego Pinheiro.

segunda-feira, novembro 01, 2010

el infierno filme de luis estrada











sonhos empurrados



Houve um dia em que sonhar o futuro era crescimento e alimento, uma nervosa felicidade se acoplava no corpo que em transe dançava a vitoria em ritmos mareados, houve um dia para quase tudo nesse mundo de minha existencia, houve o dia da tristeza e o da felicidade vem e vai. Sua permanencia eu vou esperar deitado.
Mas os dias de sonhos apareceram como miragens e as caras eram amenidades disfaçadas e meu sono se agitava em transe comprada, eu sabia que futuros se vendem mas não se entregam e somente ali naquele sonho revirado e visto de fora, eu sonhava o sonho e o sabia mentira, nem mesmo pesadelo ali eu encontrava. Era um sonho besta desses que a gente se vira e não cai da cama mas tem a sensação de uma surra tomada e sabe que vai carregar o corpo cansado pór todo aquele dia nefasto.
Hoje eu sonhei o meu mais doce sonho e sei do sal que por entre frestas e lascas se infiltra e amarga o doce sabor da dor. Já não espero a espera longa das cores e sei do verde seco esquecido e perdido nos sentidos molhados dos espertos e sei que tudo lá longe é apenas miragem e que me vendem goela abaixo como minha ida ao paraiso.
Sei que a educação se tornou obsoleta, o que importa é a palavra dada ao lado da farda, da caneta e da mentira, sei que de nada serve o conhecimento, pois uma boiada sempre satisfeita e de cabeça baixa segue o lider rumo ao precípicio.
O meu sonho como um pasto cresce em tamanho e encolhe em postura e já simula pesadelo e até mesmo uma ameaça de acordar.
Afinal que importa se todos devem?
Que importa se agora eu ganho menos?
Que importa se tudo é fantasia e propaganda?
Eu feliz acordo em um mundo inabitado de sentidos que antes me impõe uma perspectiva de felicidade e me pune quando eu trago a critica.
Houve tempos de criticas, agora é tempó de gritar vivas e vivas, a critica deve de fininho se retirar e só se deve usa-la quando nós falamos dos inimigos.
Mas quem é o inimigo?
o inimigo será aquele que nos criticar e então terá toda a corda esticada até o pescoço.
Como assim?
Então eu não posso criticar o meu time?
Não, pois ele é o time dos pobres, e os pobres coitadinhos sofrem muito, pelo menos merece um time vencedor e que só receba elogios
Ali na mosca eu percebi, então devemos manter baixa a alta estima dos pobres, pois ela serve para muitos e devemos tambem maquiar os numeros, todos o numeros, mas somente os numeros, pois o lider da torcida gosta de multidões e fica todo molhado quando seu nome ecoa nas bocas ainda sem dentes e os famintos de cabeças abaixadas saúdam o aumento de tudo até mesmo do superavit.
De tanto criticar critico a mim mesmo, pois sem a critica somete lideres de torcidas organizadas vivem e mais que viver, NECESSITAM..
E por todo o planeta o pasto grita
Eu amo esse "home".
E por toda savana bichos se escondem pois eis que sorrateiramente e sorridente vem um "home" feliz.


RBRAGA








o exercício da crítica
assim como
o exercício da poesia
assim como
o exercício dos sentidos
assim como
o exercício do pensamento
sempre foram incompatíveis
ao exercício dos caciques
no mundo sem mundo do capital
o único exercício permitido
é a ginástica de academia
o ritmo repetido e exaustivo dos músculos
o feedback automático e irrefletido dos tolos
o uivo dos lobos segue em extinção
assim como a cólera trágica dos amantes
tudo virou drama
tudo é telenovela
ao xamã resta a semente
de uma nova ordem além do caos
e a caverna de sempre


abraço
nuno g.
(Nuno Gonçalves)