domingo, setembro 19, 2010

o nada repleto de nadas E MENINAS SEXO E CAFÉ

Eu sou um cara que passa por aí, invisível e impermeável, eu passo e ao meu redor pessoas são estranhas e nada se parecem comigo, ou pelo menos elas não me interessam, eu busco o prazer, sim, eu busco o prazer sempre. E quando quero sexo: prostitutas.
Com elas eu vou firme rumo ao infinito e pago pra isso: não guardo remorsos nem sentimentos, apenas trabalho o corpo e alimento minha alma em gozos livres.
Não me interessa a busca da felicidade, percebo os acontecimentos soltos, sem desencadeamentos, apenas fatos isolados construindo uma rede por uma fatalidade da própria imanência da vida.
Eu sou um cara que passa por aí e sabe que é preciso inventar estruturas, inventar mundos e que isso só é possível com pessoas que não aceitem este mundo como um único mundo, pessoas que se encontram e desencontram, é, desencontram, só assim pode ser, o desencontro é uma imposição saudável, necessária.
Eu sou um cara em busca de pessoas estranhas, tristes e taciturnas, bom devo repetir: triste, mas é bom salientar, triste mas não derrotadas, eu sou um cara que não gosta de derrotados.
E às vezes, é lá nos escombros da minha memória, que eu encontro o caminho para as minhas trânsfugas em um contínuo corte do passado, em um confuso e constante estado latente com a dor, o prazer, a sonolência, a indeferença e o sofrimento, que eu encontro a força, não como algo que eu conquiste, ganhe por ser bondoso, mas algo que está lá; na vida, é a vida.
Eu sou um cara que olha o passado sempre em imagens surrealistas, e esse fantástico recorte do meu passado, numa estrutura nova, é um sistema apodrecendo o sistema do meu dia a dia, pois o dia a dia tem que ser real e logico, o sistema é fácil e todos podem compreender, mas eu não entendo essas coisas simples, eu não as entendo, pois eu sei, eu sei da dor nos sorrisos cínicos, eles sempre estão depositando no amanhã toda a sua fortuna, e eu sou um cara que sei que o devir não é o sucesso garantido, e eu só posso dar um sorriso amarelo e chama-los de tolos, eu sou um cara que olha pra cima.
Mas existe uma calada realidade, uma calada limitação, uma litúrgica e funebre morte nascida no nascer do ser e que cresce com ele e desaparece com ele e mais ainda, existe também, imanente à minha impermeabilidade, em algum lugar da minha vida, como uma covardia, alguma esperança, que me mata lentamente.
E eu sou um cara que sei do meu devir: o nada. O nada restaurado e em sua plenitude, um nada repleto de uma longa vida depois de uma mais longa não vida. O nada que é um restabelecer. Nascemos para morrer e vivemos em busca do nada.




MENINAS SEXO E CAFÉ
1

Espinhos adornavam beijos, e
Perdidos, acalentavam esperas.
E luas fugiam com o horror
nos olhos de outros mundos, e
na sala,
ameaças solenes ritmavam medos e
impunham hierarquias de vermes e mortos.
Eu planejava assassinatos
e professoras
mortas
invadiam meu cérebro.
Era junho
e um frio cortava amores e
praguejava sonos deixados.
Lá fora
flores choravam luzes e
meninas sorriam sexo em aromas de bromélias e café.
Recreio triste,
na chuva
irritava dentes
e provocava tédios.
Professoras mortas
vociferavam valores
e glorificavam passados e
seus pés chamuscavam lamas
e podres insetos sorriam delas
enquanto seus cús
olhavam famintos as horas e
desejavam horrores de
preces e rezas.

11

A porta
aberta
invertia sons
e sombras apáticas calavam
corredores de um junho medonho.
As horas cansavam esperas em águas correntes
e luzes azuis faiscavam agruras
de verdades
vomitadas a ferro e fogo
e esquecidas
em babas
e punhetas de mar e
sonhos,
em mulheres impossíveis e nuas.
Espinhos adornavam canções
e beijos de pedras sorriam desgraças e as notas
caiam pesadas nas infâncias
de poeiras e suores.
Enquanto os medíocres
sorriam tijolos e nojos.


( poema dedicado a BAIXINHA DA VITÓRIA, A MELHOR RUA DE CRUZ DAS ALMAS)


ronaldo braga

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