terça-feira, setembro 07, 2010

negação de si

Hoje, pela manhã, uma dor estancou em mim todos os meus ódios e tons de vingança. Sem movimentos, eu sentia uma sensação de que eu não era eu, um instante único, onde sentir a si próprio parecia uma total alienação. Eu sentia aquela dor e ao mesmo tempo ela travava meu corpo, e uma estranheza imperava em todo meu ser e impelia em mim uma duplicidade de existência que poderia ser a morte chegando. Era, acredite, como um desfazer de você em você.

Agora sei que tudo não passou de uma negação de mim mesmo, eu sou um coração brando e simultaneamente com tanta raiva que a dor tornou-se o único refugio de paz. Mas a reflexão é também o momento da mentira, do suborno, e antes de tudo a certeza que tudo pode ser diferente.

Mas, vamos por parte. Eu sou um coração e em meu órgão único, milhões de órgãos ausentes se vingam trazendo todo tipo de complicação, os sentimentos sempre chegam até a mim completamente distorcidos e só agora percebo, eu sou um bobo, por isso sou um brando e por isso tenho tanta raiva.

Quando criança eu era um coração sorridente e pronto pra alegrar o mundo, hoje percebo que a dor é a única linguagem que o mundo conhece, mas falo de conhecer respeitando.

Primeiro me escondi tentando bater o mais quieto possível, com o passar do tempo me tornei cínico e como um cínico passei a sorrir, acenar, morder e assoprar e mais que isso me tornei puxa saco e socialista, depois vi a roubada das minhas batidas, o meu ritmo começava a perder o tempo e outros cantos se infiltravam na minha banda. Foi exatamente ai que a coisa tomou um rumo até então impensável, e em um nutrido descompasso meu coração desafinou.

Então me esconder não era mais possível, havia em mim toda uma “zuada” que me anunciava com dias de antecedência. Com medo resolvi avaliar a situação e percebi que um outro ente disfarçado, tentava a todo custo ser um eu mesmo e pior queria assumir não somente meu passado como também minha sublime esperança de sons calmos e ritmados na preguiça de um belo entardecer. Me preparei pra guerra e fui à luta camuflado de estomago, logo de cara notei a acidez do problema o ente começou a urrar e se debater na digestão sempre azeda que eu, um verdadeiro estomago falso produzia em cascata, logo-logo as coisas então pareceram calmas e por alguns segundos pude pensar ser um coração valente em sua covarde necessidade de paz. Mas um outro problema emergiu, e este de maior profundidade, comecei a achar que eu era um ouvido atento que pensava ser um coração débil e este ouvido atento atordoado estava com tanta informação, tanta lamentação, era tanto disse me disse, que comecei a acreditar que a natureza queria mesmo era ou me testar ou me matar ou então eu era apenas um louco trancafiado em uma cela minúscula e mentalmente era ouvido, coração, estomago, fígado ou doenças venéreas ou mesmo um nada brincando na existência de bolhas amebas que se acham belas pessoas.

O pior e mais desgastante era pela manhã, eu ouvia os operários reclamando dos folgados senhores de perna pro ar, lamentando não a sorte deles, mas a incapacidade dos outros de serem escravos como eles. Eu chorei não de pena, mas de raiva desses merdas trabalhadores que festejavam serem escravos, e ainda queriam reconhecimentos por essa bravura: O de ser escravo e algumas vezes também puxa saco.

Era digamos pra mim difícil entender toda aquela zona, também eu não era um cérebro, era um coração brando e com tanta raiva que o pensar naturalmente aconteceu e um súbito conhecer desgarrou de meus outros lugares e criou ali numa zona antes verde, um cinza monte de dor e coceira, então eu agora podia pensar e criar teorias e a primeira foi essa:

- Não tem nada pior que um ente ou ser que se submete a outros seres ou entes, se tornam felizes na escravidão e inimigos de qualquer folga ou pensamento livre.

E eu continuava a ouvir os clamores de vingança. A ira iluminava aquele rosto de nojo e do nada a verdadeira face sujava qualquer amanhecer.

Já resolvido a ser até mesmo um cérebro, agora eu me mostrava disposto a qualquer coisa pra não ser mais ouvido ou estomago ou mesmo uma canção revolucionaria, destas feitas pra enganar bobos, enganar os já enganados.

Então percebi que eles os trabalhadores tinham um deus e que este deus era um senhor e que eles os trabalhadores era filho deste deus, então eu pensei com um pai assim quem precisa de padrasto.

Era noite quando iluminado meu coração pode gritar por todas as bocas, e gritar forte mesmo:

Trabalhadores o suicídio é a única salvação possível pra vocês

Então fui dormir o sono dos bebados e saber que toda noite aquelas bocas podres podiam agradecer a deus por tanta maldade e que eu rindo do degrau mais baixo sabia das mentiras que os, ainda vermelhos, mas já desbotando, agora mais pro rosa, diziam:

Trabalhadores eu trabalho pra vocês.

Bom qualquer dia desse eu serei um nariz.







Ronaldo braga

Um comentário:

chico vermelho ex comunista disse...

até o fidel castro, depois de matar tanta gente emfim aceita a realidade. cuba já era.
gostei do texto.