domingo, setembro 19, 2010

oração ao lula

meu senhor
seus textos
flutuam por entre capas e copas,
já não cabe em mim seu discurso
de docilidade e amor transitorio
sombrio me abati em delirios
e como faca pontuda
rasquei meu peito em mareadas religiosas.
meu senhor cansei
de palavras soltas nos futuros
e promessas presas nos passados
sou como um louco desgarrado que ri da propria fome
e sabe das mentiras que as verdades encerram .

Sim só espero a morte
e nas noites longas
ouço risadas histrionicas e gritos de dor
mas no meio do dia barrigas vazias riem em notas falsas
pois meu senhor
eu sei o que vc fez com a esperança do povo.

ronaldo braga

o nada repleto de nadas E MENINAS SEXO E CAFÉ

Eu sou um cara que passa por aí, invisível e impermeável, eu passo e ao meu redor pessoas são estranhas e nada se parecem comigo, ou pelo menos elas não me interessam, eu busco o prazer, sim, eu busco o prazer sempre. E quando quero sexo: prostitutas.
Com elas eu vou firme rumo ao infinito e pago pra isso: não guardo remorsos nem sentimentos, apenas trabalho o corpo e alimento minha alma em gozos livres.
Não me interessa a busca da felicidade, percebo os acontecimentos soltos, sem desencadeamentos, apenas fatos isolados construindo uma rede por uma fatalidade da própria imanência da vida.
Eu sou um cara que passa por aí e sabe que é preciso inventar estruturas, inventar mundos e que isso só é possível com pessoas que não aceitem este mundo como um único mundo, pessoas que se encontram e desencontram, é, desencontram, só assim pode ser, o desencontro é uma imposição saudável, necessária.
Eu sou um cara em busca de pessoas estranhas, tristes e taciturnas, bom devo repetir: triste, mas é bom salientar, triste mas não derrotadas, eu sou um cara que não gosta de derrotados.
E às vezes, é lá nos escombros da minha memória, que eu encontro o caminho para as minhas trânsfugas em um contínuo corte do passado, em um confuso e constante estado latente com a dor, o prazer, a sonolência, a indeferença e o sofrimento, que eu encontro a força, não como algo que eu conquiste, ganhe por ser bondoso, mas algo que está lá; na vida, é a vida.
Eu sou um cara que olha o passado sempre em imagens surrealistas, e esse fantástico recorte do meu passado, numa estrutura nova, é um sistema apodrecendo o sistema do meu dia a dia, pois o dia a dia tem que ser real e logico, o sistema é fácil e todos podem compreender, mas eu não entendo essas coisas simples, eu não as entendo, pois eu sei, eu sei da dor nos sorrisos cínicos, eles sempre estão depositando no amanhã toda a sua fortuna, e eu sou um cara que sei que o devir não é o sucesso garantido, e eu só posso dar um sorriso amarelo e chama-los de tolos, eu sou um cara que olha pra cima.
Mas existe uma calada realidade, uma calada limitação, uma litúrgica e funebre morte nascida no nascer do ser e que cresce com ele e desaparece com ele e mais ainda, existe também, imanente à minha impermeabilidade, em algum lugar da minha vida, como uma covardia, alguma esperança, que me mata lentamente.
E eu sou um cara que sei do meu devir: o nada. O nada restaurado e em sua plenitude, um nada repleto de uma longa vida depois de uma mais longa não vida. O nada que é um restabelecer. Nascemos para morrer e vivemos em busca do nada.




MENINAS SEXO E CAFÉ
1

Espinhos adornavam beijos, e
Perdidos, acalentavam esperas.
E luas fugiam com o horror
nos olhos de outros mundos, e
na sala,
ameaças solenes ritmavam medos e
impunham hierarquias de vermes e mortos.
Eu planejava assassinatos
e professoras
mortas
invadiam meu cérebro.
Era junho
e um frio cortava amores e
praguejava sonos deixados.
Lá fora
flores choravam luzes e
meninas sorriam sexo em aromas de bromélias e café.
Recreio triste,
na chuva
irritava dentes
e provocava tédios.
Professoras mortas
vociferavam valores
e glorificavam passados e
seus pés chamuscavam lamas
e podres insetos sorriam delas
enquanto seus cús
olhavam famintos as horas e
desejavam horrores de
preces e rezas.

11

A porta
aberta
invertia sons
e sombras apáticas calavam
corredores de um junho medonho.
As horas cansavam esperas em águas correntes
e luzes azuis faiscavam agruras
de verdades
vomitadas a ferro e fogo
e esquecidas
em babas
e punhetas de mar e
sonhos,
em mulheres impossíveis e nuas.
Espinhos adornavam canções
e beijos de pedras sorriam desgraças e as notas
caiam pesadas nas infâncias
de poeiras e suores.
Enquanto os medíocres
sorriam tijolos e nojos.


( poema dedicado a BAIXINHA DA VITÓRIA, A MELHOR RUA DE CRUZ DAS ALMAS)


ronaldo braga

obs textoS já postadoS por aqui antes

sábado, setembro 18, 2010

jornalista cubana Marlen Gonzalez, entrevista benicio del toro

benicio del toro, um imbecil ou um cara que esconde certas coisas e mostra outras que interessa ao seu proprio ideal politico? e a verdade? Bom ele manda bala na verdade, como fidel castro e seus puxa sacos.
Nesta entrevista a reporter deixa o fã de assassino sem palavras e ainda mais o manda estudar e não ficar falando besteira. é esse rapaz de meias verdades que vem ao brasil a peso de ouro fazer campanha pra dilma.









quem gostar de guevara que goste mas eu não gosto de ditadura e muito menos de assassino covarde que usa o nome do povo para saciar sua sede assassina.

ronaldo braga

uma policia forte pra defender o dinheiro dos ricos

Estarrecido com tanta bobagem em torno do sucesso do governo corruPTo do sr lula cachaça, fico agora certo do engodo que para o povo se prepara. No pará a policia do pt, reprime com violencia uma manifestação de estudantes de primeiro e segundo grau. O pt, só aceita manifestação quando é de bajuladores ou de corruptos como eles. No rio a policia aliada do lula mata trabalhador por segundo e tudo fica na mesma, na bahia a policia do sr wagner dormido ataca com furor e odio de trabalhadores se for negro a coisa fica preta.
Democracia nem pensar
saude nem pensar
educação nem pensar
casa propria só se for de pombo e usando eleitoralmente
agora policia temos aos montes.
quando na opsição o pt achava que deveria haver menos policia e mais saude e educação agora no poder o pt mostrou a sua cara medonha e assassina e se alia ao modo operandis do fascismo e se transforma em um verdadeiro demonio pra o povo inculto, pobre, dependente e mais que isso covarde deste brasil colonia e sob um governo que antes de mais nada odeia preto, pobre e indio, mas adora puxa sacos ladõres(eles se uniram a varios ladrões como: sarney, zé dirceu, collor e outras da mesma especie que eles)
vamos lá brasil rumo ao fundo do mais fundo esgoto de merda.

ronaldo braga

sexta-feira, setembro 17, 2010

canção da despedida

geraldo azevedo canta musica sua e de geraldo vandré.
e aqui ficamos a esperar que o rei morra de tanta corrupção ou de tanta CACHAÇA



quinta-feira, setembro 09, 2010

Um pobre besta ser

Fui tão longe, até te perder

recuei tanto

que teu hálito

ambroeza

me fez sofrer.



E sozinho

cansei de te sonhar

te dividir

e te esperar.





Acordei, dormi

sonhei e

pro passado voltei.



E em prantos

meu riso mascarado de ternura

crueldade fabricada

nesta amargura de querer e não querer e

que por ser homem

Um pobre besta ser.


ronaldo braga

terça-feira, setembro 07, 2010

negação de si

Hoje, pela manhã, uma dor estancou em mim todos os meus ódios e tons de vingança. Sem movimentos, eu sentia uma sensação de que eu não era eu, um instante único, onde sentir a si próprio parecia uma total alienação. Eu sentia aquela dor e ao mesmo tempo ela travava meu corpo, e uma estranheza imperava em todo meu ser e impelia em mim uma duplicidade de existência que poderia ser a morte chegando. Era, acredite, como um desfazer de você em você.

Agora sei que tudo não passou de uma negação de mim mesmo, eu sou um coração brando e simultaneamente com tanta raiva que a dor tornou-se o único refugio de paz. Mas a reflexão é também o momento da mentira, do suborno, e antes de tudo a certeza que tudo pode ser diferente.

Mas, vamos por parte. Eu sou um coração e em meu órgão único, milhões de órgãos ausentes se vingam trazendo todo tipo de complicação, os sentimentos sempre chegam até a mim completamente distorcidos e só agora percebo, eu sou um bobo, por isso sou um brando e por isso tenho tanta raiva.

Quando criança eu era um coração sorridente e pronto pra alegrar o mundo, hoje percebo que a dor é a única linguagem que o mundo conhece, mas falo de conhecer respeitando.

Primeiro me escondi tentando bater o mais quieto possível, com o passar do tempo me tornei cínico e como um cínico passei a sorrir, acenar, morder e assoprar e mais que isso me tornei puxa saco e socialista, depois vi a roubada das minhas batidas, o meu ritmo começava a perder o tempo e outros cantos se infiltravam na minha banda. Foi exatamente ai que a coisa tomou um rumo até então impensável, e em um nutrido descompasso meu coração desafinou.

Então me esconder não era mais possível, havia em mim toda uma “zuada” que me anunciava com dias de antecedência. Com medo resolvi avaliar a situação e percebi que um outro ente disfarçado, tentava a todo custo ser um eu mesmo e pior queria assumir não somente meu passado como também minha sublime esperança de sons calmos e ritmados na preguiça de um belo entardecer. Me preparei pra guerra e fui à luta camuflado de estomago, logo de cara notei a acidez do problema o ente começou a urrar e se debater na digestão sempre azeda que eu, um verdadeiro estomago falso produzia em cascata, logo-logo as coisas então pareceram calmas e por alguns segundos pude pensar ser um coração valente em sua covarde necessidade de paz. Mas um outro problema emergiu, e este de maior profundidade, comecei a achar que eu era um ouvido atento que pensava ser um coração débil e este ouvido atento atordoado estava com tanta informação, tanta lamentação, era tanto disse me disse, que comecei a acreditar que a natureza queria mesmo era ou me testar ou me matar ou então eu era apenas um louco trancafiado em uma cela minúscula e mentalmente era ouvido, coração, estomago, fígado ou doenças venéreas ou mesmo um nada brincando na existência de bolhas amebas que se acham belas pessoas.

O pior e mais desgastante era pela manhã, eu ouvia os operários reclamando dos folgados senhores de perna pro ar, lamentando não a sorte deles, mas a incapacidade dos outros de serem escravos como eles. Eu chorei não de pena, mas de raiva desses merdas trabalhadores que festejavam serem escravos, e ainda queriam reconhecimentos por essa bravura: O de ser escravo e algumas vezes também puxa saco.

Era digamos pra mim difícil entender toda aquela zona, também eu não era um cérebro, era um coração brando e com tanta raiva que o pensar naturalmente aconteceu e um súbito conhecer desgarrou de meus outros lugares e criou ali numa zona antes verde, um cinza monte de dor e coceira, então eu agora podia pensar e criar teorias e a primeira foi essa:

- Não tem nada pior que um ente ou ser que se submete a outros seres ou entes, se tornam felizes na escravidão e inimigos de qualquer folga ou pensamento livre.

E eu continuava a ouvir os clamores de vingança. A ira iluminava aquele rosto de nojo e do nada a verdadeira face sujava qualquer amanhecer.

Já resolvido a ser até mesmo um cérebro, agora eu me mostrava disposto a qualquer coisa pra não ser mais ouvido ou estomago ou mesmo uma canção revolucionaria, destas feitas pra enganar bobos, enganar os já enganados.

Então percebi que eles os trabalhadores tinham um deus e que este deus era um senhor e que eles os trabalhadores era filho deste deus, então eu pensei com um pai assim quem precisa de padrasto.

Era noite quando iluminado meu coração pode gritar por todas as bocas, e gritar forte mesmo:

Trabalhadores o suicídio é a única salvação possível pra vocês

Então fui dormir o sono dos bebados e saber que toda noite aquelas bocas podres podiam agradecer a deus por tanta maldade e que eu rindo do degrau mais baixo sabia das mentiras que os, ainda vermelhos, mas já desbotando, agora mais pro rosa, diziam:

Trabalhadores eu trabalho pra vocês.

Bom qualquer dia desse eu serei um nariz.







Ronaldo braga

domingo, setembro 05, 2010

preces são pragas

Quando seus olhos nos meus olhos morrem,

Vive em mim a dor da solidão

e é apenas a questão tempo

fazer de você um resto emprobecido da traição.



Já sei dos domínios

Que seus sonhos acalentam,

e sombriamente

fermentam.



Já sei das preces, suas preces

ameaças cândidas,

sempre cantam aos céus a derrocada no meu ser.



E em meus suspiros

risos nada sedutores

saltam de seus dentes raivosos

e então no meu silencio muitos destinos

sobrevoam morte, sorte e outras dores.



Nos teus beijos, mentiras e golpes certeiros

me premiam com o nada acrescido de coisa alguma.

E é então nesses momentos

que as sereias

cantam em mim, todas as noites encerradas,

e tristemente desencantadas.

Mas você como sempre toda alegre

somente torce

e como uma tola,

tudo distorce.




Ronaldo braga

sábado, setembro 04, 2010

Bobby Darin sings "Lonesome Whistle" Live 1973

escrever pra que?

Sou graduado pela Universidade Federal da Bahia em Direção teatral e especialista pela UNEB, em pesquisa em ensino e educação
Nasci, em Cruz das Almas, numa madrugada fria, no dia 04 de junho de 1959, as brumas cobriam a minha cidade quando o meu primeiro grito ecoou no ar do mundo. Escrevo para caminhar por entre as minhas dores e infortunios e ainda sorrir.
Escrever é portanto o unico ato de cura para uma alma que perdeu toda fé nos céus e se sabe fincado na terra.
Não busco estradas leves e curtas, antes apenas encontro passagens, por entre meus constantes pesadelos, para os lugares intricados dos meus sonhos.
Há tempos eu não escrevo, primeiro nada está me interessando, depois eu mesmo acho que a desilusão é apenas uma outra ilusão e eu escrevo porque sofro, e na verdade esse meu sofrimento não é um sofrimento cristão, não é um sofrimento pelo outro, não, o meu sofrimento é talvez estetico, ou talvez por eu me sentir como se eu fosse duas ou quatro pessoas ao mesmo tempo.
Já houve tempo que eu escrevia sobre as misérias do mundo, mas elas não me interessam mais, hoje é a minha propria miséria que me arrasta ou que me move. A fome, a violencia e o desemprego eu vejo como parte de uma ficção, onde os personagens se divertem por serem miseraveis. Eu me cansei de todo tipo de humildes, eles são a propria desgraça, eles são completamente anti-vida , eles são capazes de sofrerem, mas não mudam a forma de encarar o mundo. Eu não posso mais me inquietar pela vida de outros, é que eu não acredito em nenhum tipo de representação, eu não voto em nenhum candidato em eleições sejam proporcionais ou majoritárias, eu não acredito em sinceridade e muito menos em bondade, sou um egoista em busca de egoistas, nada mais.
Agora eu escrevo por me sentir completamente empanturrado e a escrita é o unico remedio que eu sei que vai melhorar o meu quadro, sei que não vou ficar de bom humor, mas tenho certeza que aquela maldita dor de cabeça vai me deixar. Escrever pra mim é como tomar comprimidos para dor, principalmente de cabeça. Antes eu escrevia pra me exibir, conquistar garotas e provar a mim mesmo que eu era um bom escritor, hoje escrevo pra expulsar anjos e demonios e, assim, talvez dormir em paz.

Ronaldo Braga