domingo, agosto 22, 2010

Eu um pé que pensa ser nariz? Ou nariz que se acha cerebro mas que não passa de um suvaco

Naquela tarde apenas meu nariz vivia intensamente a agonia dos ventos agourentos e insistentemente cortantes. Eu não queria entender e muito menos aceitar os fatos alarmantes de todas revistas e tvs e bocas e mãos, normalmente nestes horários, eu desafiava o padrão humano e me enchia de cachaça barata e conversas mais que afiadas nos lamaçentos redutos da miséria.
De novo me senti um nariz complexo e que era também um cérebro, e nessa condição percebi claramente a minha divisão em dois:eu era nariz e era também cerebro e ao mesmo tempo não era nada além de uma dúvida atroz a me perguntar: O que eu sou? O que eu quero?
Nesta pegada eu podia ser um pé achando que era um nariz que achava que era um cérebro e que por sua vez achava que nem era nariz e nem cerebro. Mas como era estranho a conversa entre miseráveis, e havia dois tipos:
- Os que se sabiam assim e assim queriam viver e;
- Os que buscavam em outrem uma possivel saida.
O chato mesmo era o segundo grupo, um bando de otários que desgraçadamente desgraçados, gritavam o nome do presidente que um dia fora operário, o pilantra na presidência fora inteligente, fizera exatamente como os outros antes dele e aqueles miseráveis sonhavam talvez um dia roubar como ele e não ser preso e AINDA SER AMADO POR QUASE TODA a população. Mas tudo não passava de um barato delírio, o capitalismo permite a um o que tira de milhões e o presidente pilantra operario se vendera e junto vendera milhões de miseraveis que agora tem geladeira em casa e até carro, menos uma boa casa, saude e educação.
O capitalismo saudava o mundo em barbas e gritos vermelhos, eu estava assustado com o caminho, afinal inimigos no passado, agora felizes, os vermelhos saudavam a corrupção como o único lugar de encontro entre os homens do povo, e zangado meu nariz sangrava diante de tanta burrice e felicidade no sucesso alheio. Política, que coisa chata e sem futuro, meu nariz discussava cheiros de somente terras distantes, pois o que eu podia sentir do e no mundo, o fazia por meu nariz que não me trazia exclusivamente cheiros mas também formas e cores e eu sentia uma nuvem entediada no alvorecer do meu país, que travava cheiros e gotas.
Como sendo um nariz teimoso ele insistia em ouvir a boca de sapo cantar seus sons desafinados e destilar raivas e mentiras para uma platéia que me lembrava a alemanha hitlerista, meu nariz ouvia atentamente os miseráveis e canalhas gritarem aquele nome sujo com o sangue do povo, com um vigor e um ódio infernal e crescente. A boca e barba de sapo mudara o estilo de ser do meu país, e até mesmo a minha profissão estava atolada em uma perdida luta ética, sempre fora preciso mas que raiva para matar, antes era preciso estilo e uma certa comprensão da vida, para se ser um bom assassino. Agora, todos podem matar e nada mais fazia sentido. Olhando aquele cenário destemido e sem honra eu só podia lamentar a minha condição de vivente, pois quando um pobre homem conquista o poder, tudo emprobece e a mesquinharia se torma a moeda corrente, além de cuecas e bolsos e meias, o pior é engolir a tentativa do miserável pobre homem no poder de agradecer a deus por tanta maldade.
Bom, já cansado e sem o espirro que o salvaria ele parou de pensar como um corpo e voltou toda a sua atenção para o seu ser por inteiro: um nariz. O fato de ser um nariz e querer ser um cerebro, criara problemas sérios a todo momento e depois esse papo de presidente operário é coisa de quem desistira da vida e sonha com o paraiso e fala do passado, o importante era a quantidade de meleca à produzir, o mal cheiro à frente e a todos e a tudo e ainda por cima olhar o mundo com o nariz empinado.
Agora, exausto e me sentindo livre o que eu temia mesmo era um entupimento que se anunciava e tapava todo o meu ser, me deixando numa situação "avexatória", uma vez que só me restava ser qualquer coisa menos um nariz. Resolvi portanto me disfaçar de suvaco e ficar protegido por hora, pois, enquanto o desodorante continuar vencido pelo menos de narizes eu estou livre.

ronaldo braga

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DIVERSOS AFINS. UM LUGAR SEMPRE AGRADAVEL
Entre linhas e imagens, novos sentidos estão presentes na Diversos Afins. As mais recentes expressões conduzem a:



- uma entrevista com o poeta Ildásio Tavares



- confissões íntimas expostas nos contos de Cláudia Magalhães,Milena Martins e Isaias de Faria



- os homens e seus lugares na exposição fotográfica de Ricardo Sena



- o lirismo poético presente em Elaine Pauvolid, Nestor Lampros, Luis Benítez, Elane Tomich, Ricardo Mainieri, Sylvia Araújo, Cyro de Mattos e Hilton Valeriano





Outros signos mais em:




http://diversos-afins.blogspot.com





Saudações culturais,





Fabrício Brandão & Leila Andrade

2 comentários:

manoel das cruzes disse...

pior que o texto anterior, vc precisa de tratamento.por que vc não faz com os outros, escreva sobre o amor, sobre a felicidade e sobre a necessidade da piedade humana.

Luciano Fraga disse...

Braga, e tem muita gente com o nariz em pé...Abraço.