segunda-feira, agosto 09, 2010

Apenas agradeci a deus por tanta maldade.

eu cansei deste olhar em minha cara, eu cansei do sol forte e aquele olhar na minha cara. A toda hora eu via e sentia aquele olhar na minha cara. eu gritei no olho do olhar, gritei e até implorei por espaço entre o olho e minha cara.
Era talvez na mudez do meu grito, que existisse a verdadeira maldade de tudo, a minha mudez disfaçada mantinha o olho que impassivel ficava ali a olhar na minha cara. era um desafio besta, talvez com sentido, mas quem disse que ter sentido eliminava o ser besta.
O olho já poderoso olhava sem medos e nem receios, parecia que ele sempre só fizera aquilo: olhar a minha cara. até um certo tempo eu até admirei a forma exata da concentração e o charme deste olhar intensivo, metodico e até posso afirmar surrealista, mas depois por, talvez, cansaço e uma pequena pontinha de irritação eu me senti exatamente como um ser que era olhado de forma insidiosa e chamativa, e depois de chegar a esta conclusão posso afirmar que deu em mim, pasmem! verdadeiramente deu em mim o inicio de um novo processo de pensar o olhar e até mesmo a minha cara. primeiro pesquisei maldades de todos os tempos, e porque não, dos tempos passados e dos futuros, fiz as minha escolhas e fui ao arduo trabalho: estirpar o olhar da minha cara, aquele, agora, zombateiro e esperto olhar que se mantinha em todo lugar e em nenhum ao mesmo tempo, fazia com que a minha faca vagasse por longos espaços vazios e era somente na ausencia que eu pudia notar o maldito ohar, meus golpes cortavam o ar inocente da noite infernal e dores estomacais afetavam a coluna de minha cara vigiada por aquele tragicomico olhar.
Não sei se você já sentiu o nojo do nada estampado em tudo que te olha, era dificil aceitar aquela zombateira vontade de cortar seus beijos e linguas, de te ver sem riso algum mas iqual uma mascara fechada e sem animus, POR QUE SIM, eu sabia que tudo era cores no silencio do teu silencio e me sabia especial, eu pude fazer aparecer a beleza da inquietudo do teu gelar, tua beleza ainda ofendia pessoas e bichos nas orgias ocas e mentais das malditas rezas e orações e eu faZIA tanto às rezas como às orações cantarem o mal em sua plenitude e contrição.
Decidi resolver o insolito problema do olhar carrancudo e depois de muito pensar percebi que era a bondade o falso passo dado que reverberava horizontalmente todos os sentimentos e claudicava qualquer possibilidade de conciliação, não somente eu mas todos os que pensaram perceberam que a bondade era falsa, pois exigia modelos de comportamento e acabava por tornar a todos aquilo que nenhum era e, argumentavam os mais sabios.
- A bondade pra se manter viva, atuante e com adeptos praticava todo tipo de retaliação, todo tipo de maldade, dizem que até assassinato a bondade cometeu.
Era um sol a pino no meu dia suorento, pegajoso e chorento e já a noticia corria bregas e familias, eu decidira cortar o mal e a raiz ao meio e então avancei e liquidei a velha bondosa que me dava sorvete no calor.
Luzes, festas, felicidades autenticas e agora tambem sofrimentos, povoavam toda a minha geografia e então subitamente uma luz esverdeada soletrou o céu e o olhar na minha cara saltou pra dentro do seu proprio e belo passado e como um menino chorava clamando perdão.
Carinhosamente e sem odio cortei a velha em pedacinhos e saltitei pra longe de qualquer esperança da velha correria humana.
Apenas agradeci a deus por tanta maldade.


ronaldo braga

6 comentários:

rafaul disse...

um texto para todos aqueles q jah estam cansados de tanta piedade
e a falta de esperança

rafaul disse...

um texto para todos aqueles q jah estam cansados de tanta piedade
e a falta de esperança

Fabrício Brandão disse...

Toda a provocação contida aqui resume-se num olhar que almeja o bem.

Abraços, querido!

manoel das cruzes disse...

texto de maluco. vai procurar o que fazer

daufen bach. disse...

Olá meu caro amigo...
li teu texto no e-mail, maravilhoso!
Parabéns a ti... és grande!

abraço forte.

daufen bach.

Luciano Fraga disse...

Braga amigo, como diria o poeta Quintana, "eu não quero os seus olhos pousando como moscas na minha cara...", esse poema tem um outro olhar, sobretudo acerca de nós mesmos, abraço.