quinta-feira, junho 03, 2010

a poesia de NUNO GONÇALVES

sou o que sei e o que sinto
o que como e o que visto
o que penso e tudo a que atino

sou o que não sei e o que não sinto
o que bebo e o que fumo
o que não penso e todo desatino

sou a beleza no colo do destino
o piar da foice e a desgraça do divino
sou antes de tudo o menino
lambendo a lua azulejada do instinto

sou sem saber como o peixe de luto
talvez não seja nada mais que um menos
ou a corda emparedada no alpendre

meu verso é rito de um grito alucinado
e na capoeira desta noite espreita
a vereda de uma incerteza anunciada.



NUNO GONÇALVES

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