quinta-feira, abril 29, 2010

ALÉM DOS SIGNIFICADOS REPARÁVEIS

Cordoalhas em canções silvestres,
passageiras janelas
de infinitas geleiras
e os farrapos que vestem estrelas
em sonos emprestados,
que a neblina dissolve
em graça lacerada.
Agarra-te aos pórticos,
sua mesa é um punhado de pó
e nada consola os desditos
que na sombra amanhece
em agasalhos de palavras.
O porvir consola significados,
descerra néctares,
desmancha a vez dos olhos
da única mulher rigorosa...
Não renego alaridos
por aqueles que velam
de estação em estação
maldizendo-se das frutas murchas.
Vigílias, loucuras, prados,
na próxima viagem rude
entrelaçam-me apriscos,
fustigam-me aromas
e a boca entre aberta...
Num centésimo segundo do natal
consinto que o desejo disforme
empoeire meus silêncios,
que na plenitude das trevas
oferto como falácias
em nadas de bem estar...


Luciano Fraga

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