quarta-feira, março 17, 2010

Amar a tua estupida ausência






Aqui nesta estupida ausencia
bebendo em tua noite maldita
sou tua alma em soluços
cantando como um menino minha carencia.

Aqui nesta longa e estranha dor
revejo ameaças em minha lingua torta,
e um dedo riste
a me apontar a porta

Sim. Farto estou,
nos cansaços e nas mentiras
dos malditos pastores,
com suas vozes acariciantes
dos tristes olhos dos horrores.

Não, eu não plantei mortes
em jardins mudos
mas perdi o norte em teus passos nus
e sobre uma lua de imundos
escavei chuvas e cortes.

Perdi vidas em cachos
remando sonhos em pedras e cactus
pois foi nos odios caidos dos teus cabelos
onde amarrei todos os meus compassos.

Já o meu cheiro imarcescível
vezeiro na dobradura dos meus medos
e renascido em ti por inteiro
canta o teu beijo imperecível.




ronaldo braga

Um comentário:

Mai disse...

A memória é uma mão contornando um corpo. Que texto!
Abraços