terça-feira, dezembro 01, 2009

fuga e dor escrava por nuno gonçalves

arte na rua, um lance de dados:


na última sexta-feira, a tranqüila rotina de são félix foi alterada pelos atores do ponto de cultura. escravos, feitores e barões ressuscitaram dos escombros do passado e tomaram de assalto a rua. a presença e empolgação do público contrariavam a repetida ladainha de que o povo não gosta de arte. A rebeldia dos escravos, o humanismo da senhora, o desprezo do feitor, a arrogância do barão e a indiferença absoluta do jumento, convenceram e provocaram ecos: reações contraditórias e confusão de sentimentos. Em alguns momentos a imagem de magno, recitando castro alves, saltava da memória e sobrevoava o cenário onde ronaldo braga bradava seus anti-sermões. Em outros momentos imaginava os capitães do mato abandonando o centro da rua e confundindo nossas estreitas realidades, tratando a todos nós que estávamos ali, como escravos ou qualquer outro personagem do mundo colonial; transformando todos em atores e nossas vidas, ainda que por um breve instante de sonho, num teatro de representações poéticas. Faltou pouco, algum lance inesperado de ousadia por parte dos atores ou do público ou algumas latinhas de cerveja a mais na minha razão. Não sou nenhum especialista em teatro, apenas alguém que gosta quando um lance de dados é jogado ao acaso. E gostei da experiência que vivi na última sexta nas ruas de são félix, esperamos outras. Abraço e até outra vez.


Nuno Gonçalves
(mestre em história e professor da ufrb)

Um comentário:

Luciano Fraga disse...

Caro Braga, olha o estrago que a distância provoca, gostaria muito de ter assistido, parabéns ao Nino pelo comentário, abraço para ambos.