quinta-feira, dezembro 31, 2009

Chavela Vargas - Que Te Vaya Bonito

os doces barbaros

em 2010 teremos que ter alto astral, e como a arte brasileira vamos derrotar todo o baixo astral que se esconder por entre todos os sucessos.
o blog bragas e poesia deseja a todos muita garra pra luta que vai ser com certeza encarniçada em 2010


TABACARIA

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente
Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.


Álvaro de Campos, 15-1-1928

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Entrevista com o editor e escritor FRODO OLIVEIRA
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a segunda queda de lúcifer por ademir luiz

miniconto de thiago lins


+ COLUNAS SOBRE MEIO-AMBIENTE, FICÇÃO, POLÍTICA, CINEMA, COMPORTAMENTO.

sábado, dezembro 26, 2009

Vingança e logo em a beleza dos meus pesadelos

A chuva tinha castigado a cidade o dia todo. O feito refletia nas plantas e passaros em suas inquietudes acalentadoras. Era belo observar a chuva cair e ver a noite rapidamente dominar a tarde numa penumbra cinematografica. Tudo era belo e um silencio moroso e preguiçoso embalava e confudia sonhos e lembranças.
O som do cair das aguas namorava minhas metas e era ouvido por leguas nas arvores que quietas dançavam, em um vai e vem sonolento com os ventos, no imenso salão da noite.
Eu embebecido adormecia como um privilegiado ser naquele cenario deslumbrante.
Era extamente 17 horas e 20 minutos quando uma voz veio da rua, uma voz que trazia consigo a revolta e a dor. Joaquim gritava o meu nome e me acordava daquuela realidade que mesmo continuando, e a chuva e toda a sua beleza ali bem firme na minha frente, a voz de joaquim tinha o poder de me alienar de qualquer coisa que não fosse opressão assassinato e corrupção.
Joaquim agora andava às turras com o partido do atual governo que para ele tinha traido o povo, e depois de fazer um discurso contra a esquerda e a direita, Joaquim me deu um texto dizendo que ele acabAra de escrever e se foi tão bruscamente como tinha chegado.
Eu olhei o papel totalmente machucado, senti a chuva caindo, abri um vinho e percebi que agora a chuva se tornara uma tempestade a castigar mentes e plantas. Acariciei o vinho tinto seco, enchi uma taça e depois de um gole comecei a ler o texto de joaquim o homem que queria mudar o mundo mas não acreditava mais nos trabalhadores:


"- Justiça, justiça grita a dor impotente do povo.
O Brasil TEM DESDE A INVASÃO DOS BARBAROS de lisboa, ouvido este grito.
Sempre o filho, a mãe, a esposa, a namorada gritam a dor na morte do ente querido. Na morte transfigurada no assassinato a mando de fazendeiros, patrões e outros ricos.
-Justiça grita a dor nos olhos fundo da noite longa e angustiante.
Justiça, pedem as flores podadas nos controles dos sem sorrisos.
Ainda hoje no Pará e outras paragens, as balas fazem as curvas certeiras nas caras dos que sendo povo não aceitam as pragas vindas dos senhores.
Justiça uma palavra rôta, sem validade no mundo de homens e mulheres.
Ainda veremos por muito tempo enterros de jovens guerreiros nas balas do mando, ainda veremos até que o povo saia dos partidos, pense em sua propria estrada e descubra nas garras das lutas a saida da guerra.
Só temos morte e morte para os que não escolhem o caminho da luta, morte para os que apenas querem o trabalho, morte decretada pelo governo na morte de celso daniel, morte calada na midia, morte em silencio dos ministros, morte na mentira dos comunistas.
Vamos saber um dia da verdade não contada, das dores guardadas sob nenhuma chave, apenas as dores guardam outras dores.
Os homens donos da terra querem a morte no solo que escapa de seu controle.
Somente um povo sem governo, sem deus, sem patrão e sem senhor, pode conquistar a liberdade e o proprio controle de suas vidas. Um povo de volta ao somente aceito gosto de viver.
Chega de morte inutil e sem nexo.
Vamos mudar o ritmo macabro do terror. Devemos como os bastados inglórios, vingarmos nossas dores. Vingança é o que precisamos. Seremos vingativos ou então cadaveres educados?
A escolha é sua."
(Joaquim Silva Lerembec)
É o joaquim estava atento a tudo:
filmes novos, massacres reais, tudo servia de conteudo para o Joaquim espelir suas raivas e impotencias.



ronaldo braga santana

domingo, dezembro 20, 2009

http://diversos-afins.blogspot.com

Caro leitor,


O que há de especial tem o poder de nos atrair. Seguindo o rumo peculiar da arte, eis a nossa Trigésima Nona Leva. Em vertentes múltiplas, encontramos muito de nós mesmos:


- nos registros sensíveis da fotógrafa Jackie Brito

- através dos versos inspiradores dos poetas Noélia Estrela, Geraldo Lavigne, Pedro Du Bois, Victor de Oliveira Mateus e Líria Porto

- na profundidade das ideias do escritor Romério Rômulo

- cruzando as percepções cinéfilas de Larissa Mendes

- pelas esquinas complexas dos escritos de Cláudia Villela de Andrade, Dheyne de Souza e André de Leones


http://diversos-afins.blogspot.com



Seja bem-vindo às novas leituras!



Fabrício Brandão & Leila Andrade – LEVEIROS

sexta-feira, dezembro 18, 2009

gemidos



Um profundo e curto gemido e nada mais.
O terror era sustentado no silencio de cada olhar incredulo, E aquele insano gemido ecoava desesperadamente nas nossas caras. Eu tentava ouvir monica montone que longe cantava.
Como fantasmas nos sentimos transparentes e abatidos. Era ainda tarde naquela noite que se apresentava em cores belas e cheias, todos os olhares presos no norte, recebiam sons inimagináveis.
O gemido engatinhava nos meus desesperos e espantava o ar quente dos meus olhos, enquanto a monica montone entova sedução em secos cantos.
Sons, noites, monica, risadas, mulheres nuas correndo, tiros e gritos e
no preciso instante de uma cortante risada, eu lutava desesperadamente em varias frentes e simultaneamente. Quem se importava? que se dane, eu continuava a ouvir monica.
O mundo caminhava para o seu insustentavel momento. As pessoas decoraram a cartilha universal, e repetem sempre:
- Somos todos irmãos e uma unica raça.
Era o momento certo de eu cair fora, depois do afago a facada, geralmente no peito, é simbolico e mata mais.
A cartilha já foi soletrada em noites a fio e felizes todos ecoam as novidades.
E aquele imundo gemido difamava uma realidade onde a felicidade dava as ordens. Maldito invejoso gemido.
E o gemido agora caçado aprendia a sofrer nos intervalos e soprava sua dor nas dobras das noites que sempre destruía os meus irritantes nervos.
Monica ainda longe, salvava o meu dia.


ronaldo braga

quarta-feira, dezembro 09, 2009

Após conquistar as platéias de São Paulo e Rio de Janeiro com seu talento e carisma, .Mônica Montone. começa a conquistar as rádios cariocas.



Participou do programa Oi novo som, da rádio OI FM e estará na próxima quinta-feira, 10 de dezembro, na rádio MPB FM no programa Faro, às 22h.



Além disso, nesse mês de dezembro sua música começa a tocar na rádio TRANSAMÉRICA FM do Rio de Janeiro.



Na rádio ESTAÇÃO 104,1 FM, sua música Cidade dos sonhos têm recebido muitos pedidos diariamente no programa Expresso Brasil .



Se você também curte o trabalho da .Mônica Montone., fique ligado!



As rádios também podem ser ouvidas pela Internet, basta acessar



http://www.mpbfm.com.br/



http://www.transanet.com.br/rjpop/



http://www.estacao104fm.com.br/



Maiores informações, no novo site de .Mônica Montone.:



www.monicamontone.com



Abraços,



. assessoria fina flor .
www.monicamontone.com

terça-feira, dezembro 08, 2009

cine caos em cachoeira

Atenção reconcavo em cachoeira do dia 10 até 0 dia 12 de dezembro acontecerá apresentação de filmes com a presença já garantida de rita vieira a grande atriz e diretora de cinema, falando sobre seu filme CLEMENCIA.
Ainda CONTAREMOS COM FILMES DE NELSON MAGALHÃES FILHO, COM OS FILMES alice e melodias de agosto.
O filme clemencia tem o luciano fraga como autor do argumento e rita vieira além da direção assina o roteiro.
Melodias de agosto tem o nelson magalhães filho na direção e o pablo asssina o roteiro.
alice tem direção de nelson magalhães filho e tambem o pablo assina o roteiro.
O cine caos uma invenção dos alunos da ufrb.
Aliás falando em ufrb, é preciso que a comunidade tome providencias pois tem um frances que pensa que é o dono da ufrb.
E a ufrb é do povo brasileiro é fruto do suor dos trabalhadores do brasil.
FORA DA UFRB FRANCES FASCISTA, E OS SEUS PUTOS.

ronaldo braga

domingo, dezembro 06, 2009

MARIO BORTOLLOTO. RESISTA!

O dramaturgo Mario Bortolotto, de 47 anos, continua internado em estado grave, mas estável, na Unidade de Terapia Intensiva da Santa Casa de Misericórdia, no Centro de São Paulo.


Ele foi imprudente, ensina a cartilha de sobrevivencia dos tempos atuais, pois cada um que cuide de si.Esta maxima é o resultado do individualismo pratico em que a sociedade inventa uma forma de se viver como se não houvesse o outro que na verdade sou eu tambem.Mario Bortolloto, ao assistir uma menima sendo machucada por homens assaltantes não teve duvidas, reclamou mesmo estando ameaçado por armas de fogo.
Era um assalto e resultou em tentiva de assassinato.
Porque Mario teve essa ação?
Primeiro Mario Bortolloto é um homen e não um covarde disfaçado de homem, segundo a ação de Mario se deve ao seu modo de ver a vida, sabe que aqui vivemos numa areia movediça e o que vale nem sempre é sobreviver a qualquer custo mas antes viver como se quer, e Mario fez o que achou que devia.
A morte sempre virá e não se sabe a hora, por isso não devemos nos imaginar a obedecer cartilha de sobrevivenvia que deve ter sido escrito por um babaca covarde e religioso. Viver é antes assumir tudo que tem de perigo e de fascinante na vida.
Mario vai sobreviver? Aqui esperamos com toda força. Mas mario já está no coração e mente dos brasileiros que acompanham a sua brilhante carreira de teatro. sem dinheiro mas com muito talento, compentencia e ousadia.
A vida é um encontro e este encontro pode ser um grande desencontro.
Mario espero voltar a ler o seu bloig e estou ainda a espera de ler os seus textos teatrais.

ronaldo braga

terça-feira, dezembro 01, 2009

fuga e dor escrava por nuno gonçalves

arte na rua, um lance de dados:


na última sexta-feira, a tranqüila rotina de são félix foi alterada pelos atores do ponto de cultura. escravos, feitores e barões ressuscitaram dos escombros do passado e tomaram de assalto a rua. a presença e empolgação do público contrariavam a repetida ladainha de que o povo não gosta de arte. A rebeldia dos escravos, o humanismo da senhora, o desprezo do feitor, a arrogância do barão e a indiferença absoluta do jumento, convenceram e provocaram ecos: reações contraditórias e confusão de sentimentos. Em alguns momentos a imagem de magno, recitando castro alves, saltava da memória e sobrevoava o cenário onde ronaldo braga bradava seus anti-sermões. Em outros momentos imaginava os capitães do mato abandonando o centro da rua e confundindo nossas estreitas realidades, tratando a todos nós que estávamos ali, como escravos ou qualquer outro personagem do mundo colonial; transformando todos em atores e nossas vidas, ainda que por um breve instante de sonho, num teatro de representações poéticas. Faltou pouco, algum lance inesperado de ousadia por parte dos atores ou do público ou algumas latinhas de cerveja a mais na minha razão. Não sou nenhum especialista em teatro, apenas alguém que gosta quando um lance de dados é jogado ao acaso. E gostei da experiência que vivi na última sexta nas ruas de são félix, esperamos outras. Abraço e até outra vez.


Nuno Gonçalves
(mestre em história e professor da ufrb)