segunda-feira, outubro 05, 2009

o chapéu

O chapéu, ali no prego,
sorria e as luzes semi-apagadas nas velas gastas, recolhiam sombras.
A noite era esperança naqueles corações rudes,com suas rezas e cantos a espantarem sonos e repetirem ameaças nas mentes jovens e claudicantes.
No salão meninas seminuas esperavam danças e meu estômago entornava um quase vomito covarde.
A foto descentrada focava o chapéu na noite triste de amores melancólicos e partos rápidos, onde meninos por crescer choravam tempos por vir.
O chapéu solitário somente pensava o impossível, pois chapéu na sua imutabilidade pensam como os homens perdidos nos desdobramentos dos seus fracassos e não sabia chorar e nem por onde.
A sanfona atacava um legitimo forró antigo.
A madrugada foscava olhares brutos nas bundas largadas e era guerra surda a soletrar corpos em uma batalha derradeira. Olhares, desvios, risos, tiros a casa era vigor em cada morte e a certeza de prazeres nos corpos espalhados ignoravam os preços fixados.

ronaldo braga

8 comentários:

pianistaboxeador21 disse...

Muito bom, Ronaldo. Certa vez escrevi o seguinte verso: Onde andam aqueles chapéus que adornavam as cabeças e os pensamentos nos anos vinte?

Acho que, de certa forma, nossos textos dialogam.

Abração

Equipe Brésil Coolturel disse...

Este blog esta muito bonito, limpo, bem organizado e com conteudo. Parabéns !

Seremos visitantes constantes.

Equipe Brésil Coolturel
www.bresilcoolturel.blogspot.com

Luciano Fraga disse...

Braga,os chapéus andam adornando as cabeças vazias dos falsos cowboys e das duplas sertanejas que choramingam e empaturram nossos ouvidos com o chororô de amores perdidos, também falsos, abraço.

anjobaldio disse...

Grande texto cara, abração!

Marcia Barbieri disse...

"A foto descentrada focava o chapéu na noite triste de amores melancólicos e partos rápidos, onde meninos por crescer choravam tempos por vir." adoro a simbologia dos sapatos e do chapéu.

beijos ternos

. fina flor . disse...

me lembrou uma peça que vi, querido, que se passava numa fábrica de chapéus, chamada 'o que seria de nós sem as coisas que não existem'.

beijocas

MM.

Zinaldo Velame disse...

Belas palavras, Ronaldo! Abraço!

Aprendiz disse...

Me lembrou Drummond! Bom demais.