segunda-feira, maio 04, 2009

MUSICA E LITERATURA

Llorona - Eugenia León (Voz)




BOMBAS DE FALSAS POESIAS AMEAÇAM O MUNDO
este texto já foi publicado aqui neste blog, eu o estou re- publicando com a intenção de oferecer ele a lavanderia casa de cultura da ciudad de las sombras e a todos os pretensos artistas que legetimam a corrupção e a manuntenção dessa situação.
acorda cruz das almas.



(Ronaldo Braga)



A noite engolia tudo e a poeira batia impiedosamente em meu rosto, eu esperava encolhido, e sabia que a qualquer momento seria atacado por aquele cachorro de raça ruim, eu sabia e esperava com calma a hora certa de matar aquele cachorro mau, entorpecido por luas opiadas, aquele cachorro enlouquecido e peçonhento a deixar rastro de excrementos e poemas enganadores.



A noite ainda cresceria mais e eu estudava aquele mundo estranho, onde cachorros latiam palavras e jardins cortavam poemas perversos nos animais estúpidos com guitarras choronas e alegres. Era um mundo de madrugadas latejantes e de luas que queimavam amores e pariam sorrisos postiços, era um mundo onde a sinceridade era punida, a individualidade crime e castigada com a mordida do cachorro de raça ruim, que contaminava a todos com sua cara de tolo e de satisfação.



Eu sabia que não teria chance no amanhecer, porque todos os outros animais menores estariam ali a me caçarem, olhei ao redor tentando na escuridão sentir algum movimento e para a minha surpresa páginas e páginas voavam na noite escura e desgarradas das páginas poesias me ameaçavam, eram poesias sem nenhum nexo além do sentido da morte, da minha morte, e eu sorrindo me preparei para o pior, as poesias foram crescendo e caíam em mim como bombas de fósforos israelitas e eu lembrei das crianças palestinas assassinadas pelos filhos de deus, e me prometi não perder a serenidade pois a batalha apenas começava.



As poesias sem nexo caíam perto de mim fazendo buracos no solo de mais de dez metros de fundura, a qualquer momento eu voaria pelos ares, aquelas poesias tinham o apoio oficial: do governo, da academia e prefeituras e com elas todas essas casas onde se toma chá e onde todos se auto-proclamam poetas, toda aquela gente de raça ruim estava ali dando apoios e ajudando nos lançamentos daquelas poesias da morte.



Eu não tinha escolha, era esperar e morrer. De vez em quando eu recebia um papel onde eu assinaria e confirmaria a validade das famigeradas casas de cultura, das prefeituras e dos governos e assim eu seria salvo, e ainda poderia ser considerado um artista. Eu rasgava aquela medonha mensagem anti-vida e nada respondia.



Por um momento eu acreditei ouvir vozes ao longe e essas vozes foram crescendo e eu pude verificar que a lua agora era prateada e que poesias belas eram ouvidas e que aquelas páginas desgarradas e suas poesias de morte fugiam assustadas e eram elas que agora estavam escondidas e encolhidas, me levantei e pude ver poemas complexos que falavam da vida sem dó, mas sem prisão, sem dogma, sem certo e nem errado apenas as sensações que inflamavam tudo e o mundo continuou turvo, os falsos vermelhos de longe irradiavam ódios impotentes e o cachorro de raça ruim latia um latido inútil e desesperadamente cínico.



Eu ao lado dos poetas loucos e donos de seus narizes tive força pra ficar em pé e escrever estas palavras.
E o sol veio beijar os meus lábios.


ronaldo braga

8 comentários:

Marcia Barbieri disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marcia Barbieri disse...

Já tinha lido e foi ótimo ler de novo,afinal,de lá pra cá nada mudou, continuamos vira-latas comendo lixo e declamando poesias e acreditando pouco no amanhecer. Ronaldo,você é sempre genial.

beijos de carinho e consideração imensa

. fina flor . disse...

ainda bem que nos resta a poesia para certas noites que nos engolem, né?

beijos, querido e boa semana

MM.

Thiago Cerqueira disse...

Vi na escrita não um refugio, mas uma forma de bradar sobre tudo o que me incomoda na humanidade, e admiro muito a forma como você faz isso na sua escrita.

Abraço,

Thiago.

pianistaboxeador21 disse...

Já li da outra vez, mas volto amanhã de manhã pra reler e comentar.

abraço

Luciano Fraga disse...

Braga, já conhecia o texto, mas é sempre bom mantermos os faróis acesos, o pisca alerta ligado e o sinais fechados, para nos livrarmos das fachadas.Muito bom, abraço.

pianistaboxeador21 disse...

Ua crítica poética. Crônica? Prosa poética? Um conto? Esse artistas oficiais sempre existiram e sempre existirão. Fazê o que, né? Cada um escolhe o que pretende ser. Se for pra escrever assim, eu passo. È uma questão de dignidade. Não me resta muita coisa, além do meu texto, e eu não vou sair por aí vendendo ele. Se os outros vendem, cada um com seus problemas.
Metáforas avassaladoras.
Gostei muito desta parte:

era um mundo onde a sinceridade era punida, a individualidade crime e castigada com a mordida do cachorro de raça ruim, que contaminava a todos com sua cara de tolo e de satisfação.

Abraço

pianistaboxeador21 disse...

Ua crítica poética. Crônica? Prosa poética? Um conto? Esse artistas oficiais sempre existiram e sempre existirão. Fazê o que, né? Cada um escolhe o que pretende ser. Se for pra escrever assim, eu passo. È uma questão de dignidade. Não me resta muita coisa, além do meu texto, e eu não vou sair por aí vendendo ele. Se os outros vendem, cada um com seus problemas.
Metáforas avassaladoras.
Gostei muito desta parte:

era um mundo onde a sinceridade era punida, a individualidade crime e castigada com a mordida do cachorro de raça ruim, que contaminava a todos com sua cara de tolo e de satisfação.

Abraço