segunda-feira, abril 27, 2009

medo

TENHO UMA SENSAÇÃO, que nem sei se posso chamar de sensação, mas me parece a melhor forma de designar o que estou sentindo. Desde ontem que um frio estranho percorre o meu corpo e depois vem logo um esquentamento que parece que tudo vai explodir dentro de mim.
O mundo tem estado pesado, uma atmosfera agressiva apavora passaros e ventos, e essa sensação estranha agoniza fatos antes relevantes e até mesmo de importancia capital, ao redor olhares curiosos meditam fotos e deslizam memorias numa suposta operação de salvaguarda.
Andar tem se tornado uma tormenta, nas ruas o medo é tolamente engraçado e as pessoas dão gritinhos histericos quando os olhares se encontram, além da latente ordem do dia, os ombros caidos denunciam a humilhante derrota popular, o povo aos poucos toma con/ciencia de sua nenhuma importancia, e fundamentalmente de sua covardia e cabisbaixo ensaia um sorriso de deus sabe o que faz, e lamenta o dia pesado e cansativo.
A sensação de inutilidade passeia pelo meu corpo enquanto que o frio e o calor intenso se revezam, são exatamente 15 horas de uma tarde poeirenta, de ventos e chuvas fortes, e eu sei dos vulgos do norte e dos sermões papais, os jornais noticiam o encontro de um corpo de uma menina em um saco num congelador de uma igreja envangelica, desligo os jornais e a chuva em minha frente é noticia ruim de um encontro perdido.

7 comentários:

pianistaboxeador21 disse...

às vezes até a revolta se cala diante da dor imensa. Não é o medo, de que o título fala. É uma decepção enorme que por vezes e, por hora, nos tira, nos arranca as forças.

Abraço e força,

Daniel

pianistaboxeador21 disse...

às vezes até a revolta se cala diante da dor imensa. Não é o medo, de que o título fala. É uma decepção enorme que por vezes e, por hora, nos tira, nos arranca as forças.

Abraço e força,

Daniel

Marcia Barbieri disse...

"O mundo tem estado pesado, uma atmosfera agressiva apavora passaros e ventos"

linda essa parte e todo o resto.

beijos ternos

Zinaldo Velame disse...

Belo texto, Ronaldo! Para mim as coisas estão desse jeito mesmo. Abraço!

. fina flor . disse...

às vezes também acontece comigo =/

beijos, meu caro

MM.

>>> falo sobre algo conhecido por ti, imagino, no post de hoje ;o) passe lá de der.....

Luciano Fraga disse...

Braga, seu texto é o retrato triste e frio da contemporaneidade, lembro de algo do H. Miller: "Dos febris, poucos desabrocharam, entre eles, eu, ainda não desabrochado, mas permeável e maculado, conhecendo com muda ferocidade o tédio da incessante deriva do movimento..."Vejo poucos, raros resquícios de luz, abraço.

Cafundó disse...

É Braga... Se não fosse tão verdade me pareceria triste, por isso desligo os telejornais, já me basta o olhar assombrado que vejo nas ruas, me dizem o bastante: tudo que não queria ouvir.
Abraços.